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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

“AMAR É DOAR-SE.” Simples na forma, complicado de aplicar.

A maioria ama o que o outro lhe entrega. Contabiliza apenas a relação, pelo que recebe.

 

Não dá, ou dá muito pouco. A maioria está vazia por dentro. Preenche esse vazio com as dádivas que recebe, mas nada tem para oferecer.

 

Quando existe um choque na relação, seja lá qual for o motivo, salta à vista : “Quem ama e quem adora ser amado”. Como ?

Pelo recurso constante a indirectas (como que dessa forma pudessem dizer ao outro: "Faz-me falta o que me ofereces, não me falhes. Sou o que me ofereces.), sem esforços reais para resolver os problemas, tentar entender o outro, sem capacidade de doar o que é preciso para seguir em frente.

E isto vale para todo o tipo de amor.

 

O filho que diz “amar os pais”, que pede à secretária com a voz mais "emocionada" do mundo que não se esqueça de enviar as rosas e o whisky no aniversário dos pais, mas que nunca tira um bocadinho para lhes ligar, e muito menos para aparecer e ver com os próprios olhos se o “Está tudo bem!” que a mãe vai repetindo à secretária, é verdade.

 

O esposo que não entende que uma mulher acabada de ser mãe, precisa do seu tempo para se adaptar a uma mudança para a vida, que acabou de sair das suas entranhas e passa o tempo a cobrar o "seu tempo", sem se aperceber que essa é a sua hora de dar. Durante "muito tempo", é a sua hora de doar e esperar. Ela vai-se organizar melhor apoiada e com amor, do que com cobranças. Por algo a taxa de divórcios após o nascimento dos filhos é enorme.

 

E as esposas que apenas esperam que eles se esfolem com prendas e atenções e não se dão ao trabalho de perceber quando a depressão os rodeia. Que não perguntam “como foi lá no trabalho?” “sentes-te bem com a vida que temos, ou achas que podíamos mudar algo?”. Fazer-se presentes, apoiar e não cobrar apenas de cada vez que os pobres que são humanos, cansados e às vezes distraídos se esquecem das flores, ou de telefonar a cada 5 minutos. Como se eles tivessem um contrato que os obriga a estar presentes, a demonstrar o seu "amor" o tempo todo. 

 

No campo das amizades é o descalabro. Encontrar alguém que esteja disposto a dispensar-te 5 minutos quando precisas apenas de falar, é uma sorte maior que ganhar a lotaria. As amizades, a maioria, estabelece-se segundo os interesses. Por isso, quando estás mal te apercebes tão bem quem são os amigos: é que “os ratos” fogem logo assim que existe ameaça de inundação. Mas, também te apercebes só de olhar, das probabilidades de existir ali algum sentimento ou não: se existir demasiados pontos em comum vai ser uma sorte que tantos “interesses” não acabem por dividir, quando as pessoas parecem ser cada uma de um mundo a probabilidade de ser amizade cresce porque, a união nasceu da partilha de algo doado entre si que é a única coisa que têm em comum.

 

Não sei porque é assim:

 

Egoísmo?

Fragilidade emocional?

Insegurança?

Sofrimento além da dose recomendada, que nos faz erguer muros intransponíveis que nos esvaziam no esforço de os erguer?

Educação?

Cultura?

 

 

Quantos de nós já não ouviu os pais dizer para não andar com “x” ou “y” porque, não nos vai ajudar em nada. Ou alguém que sussurra para ir tentar uma aproximação a “z” porque, ele pode abrir umas portas interessantes. A prendinha à professora na primária, para que ela “cuide” melhor do petiz, a garrafinha de Porto que se entrega ao médico para que ele nos dê uma atenção especial, e etc… Pequenos gestos, grandes contaminações na forma como nos relacionamos e como ensinamos os nossos filhos a relacionar-se.

 

Gestos que em vez de nos preencherem, nos esvaziam de amor.

 

Traçamos um objectivo na vida: SUCESSO. E quantos já pararam para se perguntar: o que é o sucesso?

 

Olhamos em volta, e o marketing que como uma planta daninha tomou conta de tudo, diz-nos que sucesso é: casa, carro e dinheiro. Tudo coisas que os outros vêm (e claro que podem ser capitalizadas. “Capitalizar” talvez venha a ser a palavra do milénio).

Imagem no site "obvioumag".

Doar 1.jpg

E o que os outros não vêm, não interessa?

 

Se olharmos para os números de gente depressiva, que está em todos os cantos e recantos da sociedade, se calhar interessa. Temos gente vazia a mais.

 

Gente vazia não constrói, gente vazia consome. 

 

Quanto tempo mais será sustentável um Mundo de gente vazia?

 

Sim, o TEMPO, essa palavra que tantas vezes evocamos e não nos apercebemos como o vamos perdendo com o que não interessa, apenas porque não sabemos EQUILIBRAR. 

 

“Amar é doar-se.” – “Fernão Capelo Gaivota”, fábula de Richard Bach.

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