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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Porque é que as crianças se entendem tão bem com computadores?

Tenho andado a pensar, porque é que as crianças se entendem tão bem com computadores!

O assunto surgiu-me por ter notado a ausência de computadores na escola do pequeno e me ter lembrado dos “Computadores Magalhães” que inundaram as escolas portuguesas, faz uns anos.

Depois de muito reflectir acho que entendi a razão de até um bebé entender como funciona um computador. Eles são criados para serem uma ferramenta fácil de usar e facilitarem as nossas tarefas diárias.

Nunca mais vou interpretar como “sinal de inteligência” o facto de alguém estar a usar um computador, independentemente da idade, afinal esses objectos foram “mastigados” para ir de encontro às nossas necessidades, não exigem nenhum esforço especial da nossa parte. Acredito até que desenvolvem a preguiça mental, porque se o computador soma 25168319+8168156 para que é que eu me vou esforçar para fazer a conta ou até para aprender os mecanismos que me permitem o cálculo da mesma sem recorrer as ferramentas externas a mim mesma?

Por este culto ao computador temos tanta gente incapaz de “pensar para lá do óbvio”, com visões quadradas e presas a manuais. O problema é grave quando vemos que já ninguém sabe jogar à batalha naval sem um dispositivo específico. Convidamos os miúdos para jogar com uma folha e um lápis na mão, ou como eu jogava desenhando a grelha na terra, e eles ficam a olhar-nos como se fossemos loucos.

O grande problema vai surgir quando esta geração computadorizada tomar conta do poder. Façamos um mini-exercício:

- O meu filho habituado a alimentar-se com os produtos do supermercado torna-se o futuro ministro da agricultura. Com um conflito entre produtores e distribuidores ele é chamado a mediar. Para ele a ideia de alimentação é directamente relacionada com as suas experiências pessoais e com o facto de que ele suprime essa necessidade nos corredores dos supermercados. Qual será a posição que ele “inconscientemente” tenderá a apoiar? “Tenho fome ---- vou ao supermercado, logo tenho de manter os supermercados” – pensará ele.

Isso é uma estupidez, dizem vocês! E têm razão. Mas segundo a experiência de vida actual, as pessoas não se alimentam da terra, alimentam-se dos corredores do supermercado. Então não será estranho que exista uma tentativa de proteger esse espaço em detrimento de outros com os quais não existam uma ligação.

Mas o conhecimento está todo na net, insistem vocês! Está, é verdade. Mas apenas está acessível para aqueles que o souberem procurar. Se entram na net e apenas procuram vídeos de gatinhos, é apenas vídeos de gatinhos que ela vos oferece.

Nesta geração de gente criada com a facilidade de aceder ao computador para resolver os seus problemas e sem nenhuma experiência no mundo real, corremos o sério risco de o mundo real nos anular para sempre do mapa.

Não se esqueçam que a vida/natureza dá sempre um jeito de continuar, nem que tenha de nos extinguir para sempre.

Não estou com isto a dizer que os computadores não são úteis, porque estaria a dizer uma mentira, estou apenas a dizer que os estamos a deixar ter demasiado espaço na nossa vida. E que devíamos rever essa situação. E quanto antes, melhor!

Se calhar as próximas gerações ganham mais se aprenderem as bases da sobrevivência no mundo real primeiro, antes de acederem ao encantado mundo virtual!

Para uma criança saber fazer uma conta sem recorrer a um dispositivo pode ser mais útil.

Para uma criança conhecer realmente de onde vem a comida que come, pode evitar que mais tarde se tornem políticos que matem a agricultura (e sem ela não comem!).

Para uma criança ler um livro, ouvi-lo da boca da mãe, conversar sobre ele com os pais, pode ser mais produtivo que ver uma série de desenhos animados cujos conceitos vão ficar pendurados até explicação posterior (se a tiverem).

Para uma criança passar mais tempo no recreio em brincadeiras livres é com certeza a melhor escola social a que pode aceder, porque não existe computador que nos diga como reconhecer uma cara triste e como a mudar, a não ser a própria experiência pessoal.

Creio que começamos a criar um sistema de educação baseado em premissas erradas e temos de as rever, se queremos que as crianças de hoje sejam adultos responsáveis, realmente inteligentes e suficientemente solidários amanhã, para viver em PAZ.

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