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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

A alimentação tornou-se um negócio tão rentável, que comer é uma equação quase impossível.

Em primeiro lugar, os parabéns à equipa que produziu o programa « Somos o que comemos » (Grande Reportagem, Sic). A forma como focou o erro na educação alimentar parece-me merecedora de todos os elogios possíveis.

 

O assunto é cada vez mais confuso para o simples consumidor, porque todos os dias são publicados estudos que dizem e contradizem. A maioria não esconde o objectivo : aumentar a venda de determinado produto. 

 

O que todos sabemos e é destacado logo no título da reportagem é que efectivamente “Somos o que comemos” e como comemos. E sabemo-lo pelo menos há 450 anos antes de Cristo, quando Hipócrates, "pai" da medicina por definir os seus princípios destacou a frase: "Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio".

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 Imagem no site "Vida & Espìrito"

 

Todos queremos gozar de boa saúde, e que os que nos rodeiam também. Ninguém é feliz sozinho, e sabemos que as pessoas doentes são normalmente mais cinzentas e mal-humoradas e muito menos produtivas, o que torna a felicidade mais difícil de alcançar.

 

Também é conhecido que cidadãos com boa saúde são mais leves para o orçamento de estado.

E aqui reside o perigo: é que a boa saúde poupa milhões de euros ao estado, mas também não fornece milhões de euros às empresas do sector da saúde. Elas vivem da falta de saúde e não do contrário. Como elas ganham demasiado dinheiro com isso, vai ser difícil e demorado alterar a estrutura do negócio, para que beneficie mais gente que a empresa.

 

Estas reportagens são importantes (apesar de que se percebeu a publicidade mal disfarçada a determinado grupo de supermercados, por detrás do objectivo da mesma).

 

Quando entramos num supermercado para fazer compras somos assaltados por milhões de ofertas que não têm qualquer valor nutricional, e informação nutricional para todos os gostos. A falta de critério e regulação eficaz da publicidade faz com que seja impossível a um simples leigo orientar-se em tão intrincados caminhos.

Vejam por exemplo este folheto: Quantos alimentos com real valor nutritivo encontram?

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 Imagem no site "Borges"

 

O primeiro problema é a falta de tempo. As famílias não têm tempo para fazer as compras de forma a pensar antes de comprar. Quando falta tempo, vai-se a paciência.

 

O segundo é o excesso de má informação. Há demasiada informação errónea e inútil, nos rótulos, na net, nas revistas, nos folhetos, na tv, …

 

O terceiro será o desconhecimento gerado pelo excesso de má informação. É difícil escolher entre os pãezinhos de leite enriquecidos com leite, ou o próprio leite. E compramos leite meio-gordo, leite magro, leite meio gordo Bio, leite sem lactose, leite com isoflavonas? Ou é melhor substituir logo pela bebida de soja (que muitos chamam erradamente de leite, apesar de a confusão se justificar na péssima informação que é passada ao consumidor). Só no corredor do leite já é o pânico total. Imaginem como será na restante área cheia de corredores e prateleiras.

 

Mesmo a reportagem que elogio no início do texto, tem falhas. Além de ser pobre em definir os caminhos “correctos” (espero que esteja a ser preparada uma nova reportagem com esse foco), lança imagens como esta:

 

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Imagem disponibilizada no Facebook pela SIC

 

O que é que falta aqui?

Informação nutricional.

 

“Aprenda a escolher”? Mas a informação da imagem é apenas calórica. Importante para o controlo do peso, mas e o equilíbrio nutricional?

 

É verdade que comer um pão simples, permite uma ingestão de calorias menor, mas também não aporta cálcio, por exemplo.

 

E a alimentação para permitir a boa manutenção de saúde tem de ser mais que controlo de peso.

 

Eu posso controlar o meu peso ingerindo só alface e água todo o dia. Poderei fazê-lo inclusive se ingerir só leite e nada mais. Afinal não dizem que o leite é o alimento mais completo? E este comportamento é um disparate e não me garante boa saúde. Pelo contrário com a passagem do tempo, a falta de aporte nutricional irá provocar a falência do meu organismo.

 

Comer bem é um acto complexo, que tem demasiadas variáveis a ser tomadas em conta.

E às empresas distribuidoras interessa vender os produtos, as empresas ligadas ao sector de saúde ganham mais com a falta dela, os nutricionistas são caros e nem sempre fornecem a informação completa afinal é o seu ganha-pão, os médicos têm pouco tempo para os pacientes (irónico, não?) e alguma falta de jeito a passar a informação correcta (nem todos entendem que “o azeite é a melhor gordura” não quer dizer que se abuse), e ao próprio estado interessa mais a “gorda” entrada de impostos que uma empresa faz, do que amealhar cidadão a cidadão.

 

Quero dizer que com este cenário alimentar-nos deixou de ser um acto básico e natural, passou a ser um acto a pensar e estudar com atenção.

Afinal em causa está a nossa saúde biológica e financeira.

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 Imagens aqui aqui.

 

Melhoramos em muito a quantidade de alimentos disponíveis no ocidente, ao mesmo tempo que lhe tiramos qualidade, e aumentamos a nossa dependência de medicamentos: dos suplementos vitamínicos a antidepressivos. A equação complica-se quando juntamos péssimas rotinas de sono, álcool, tabaco e drogas.

 

Tudo isso seria evitado/minimizado com uma alimentação correcta e equilibrada, com movimento e rotinas saudáveis.

 

Apesar de o cenário não ser bom, a verdade é que existem pessoas a tentar fazer a diferença para o reverter.

 

Nas escolas portuguesas, a alimentação fornecida nas escolas já é uma preocupação há alguns anos. Os nutricionistas vão tentando fazer diferença, apesar de ainda terem um alcance reduzido. Há empresas que viram aí uma oportunidade de negócio e estão a usar a alimentação correcta como publicidade. O Estado começa a perceber que é impossível continuar a alimentar a sede de lucro das empresas sem se colocar a si mesmo em causa. Um pouco por todo o mundo se tomam acções de alerta contra os excessos sejam eles a obesidade, ou a anorexia. Vemos figuras públicas usarem o alcance da sua imagem para passar as mensagens correctas (apesar de ainda existirem figuras como a Miley e o Justin que não entendem a repercussão que as estupidezes que cometem, mas também é necessário existir exemplos do que “não fazer”).

Fica aqui uma das iniciativas da primeira dama americana:

 Reportagem da BBC Mundo.

 

O Estado tem obrigação de regular a informação alimentar, tendo em conta o impacto que esta tem na vida e dignidade dos cidadãos e até na economia. Caminhamos para aí, espero que seja rápido.

 

Neste momento o que eu acho que está a fazer falta é informação mais adequada que chegue aos pais e cuidadores domésticos.

 

Dizem a dada altura na reportagem que cada vez que a escola faz uma acção para os pais, são poucos os que aparecem. Eu acredito. Mas acredito que não seja porque não se importam e sim por falta de tempo (a vida é interligada nos seus vários sectores e uns influenciam os outros).

 

E também por acharem que já sabem sobre alimentação: afinal basta dar leite e derivados, obrigar a comer pseudo legumes disfarçados na pizza e na lasanha (diz no rótulo que contém) e já está.

Os pais dos gémeos entrevistados admitem que davam a comer um sem fim de disparates aos filhos e pensavam que estavam a fazer o correcto. Eles queriam dar apenas o melhor aos filhos, e essas coisas são as mais apelativas no supermercado e por isso as mais consumidas, logo as melhores. O raciocínio aqui é um silogismo, tem lógica mas parte de uma premissa errada e deficiente tomada como verdadeira.

 

É preciso corrigir estas informações nos programas escolares.

É preciso colocar o nutricionista nos centros de saúde junto ao já falado "enfermeiro de família".

É preciso aproveitar a vontade de aprender dos futuros papás, e colocar uma vertente nutricional nos cursos de “preparação para o parto” e acrescentar ao nome: “e seguimento na qualidade de vida do novo ser”.

É preciso mais serviço público na tv com reportagens como esta: “Somos o que comemos”.

É preciso ter algum bom senso na partilha de informação alimentar, como se tem com a maioria dos medicamentos.

É preciso esclarecer de uma vez por todas o significado de Dieta.

Dieta é a fórmula nutricional com que nos alimentamos. E nós usamos a palavra apenas para os casos em que retiramos alimentos a essa fórmula.

 

A Dieta saudável deve ter em conta os hábitos culturais e a disponibilidade de alimentos no território e no calendário. Não temos de “embocar” tudo e mais algumas coisa que nos aconselhem, ou que apareça impresso em algum lado. 

 

Em casos especiais a dieta deve ser personalizada às necessidades. É o caso dos atletas ou dos doentes.

 

Todos os outros exageros sejam a comer demais ou a comer de menos, vão agir contra nós.

 

É necessário por exemplo entender que basta comer um dos alimentos de determinado grupo, não é necessário fazer desaparecer "garganta abaixo” o grupo completo.

Por exemplo quando falam de comer frutos vermelhos: se comemos morangos e tomate, não é necessário ir a correr gastar o pouco dinheiro que temos em ginjas, framboesas, groselhas, … Estamos apenas a comer mais do que necessário e a por dinheiro ao lixo.

 

Fica o meu desejo de que tão complexo problema se resolva para bem da saúde de todos os habitantes deste maravilhoso planeta.

 

Dizem que o dinheiro move o mundo, eu acho que a alimentação é o que move o dinheiro.