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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

A Doença do senhor Doutor...

Talvez, porque um dia a minha falta de maturidade foi terreno fértil para o vírus do “poderzinho” e ter sofrido muito com isso, hoje tenho uma espécie de radar para detectar pessoas a sofrer do mesmo mal.

E é assustador perceber a quantidade de pessoas que o sofrem e ainda não o detectaram, fazendo toda as estruturas a que estão ligados, “tremerem” sem se dar conta da causa.

 

O que é isso do vírus do “poderzinho”?

 

Infelizmente é um vírus que se infiltrou na nossa sociedade nos mais diversos sectores e que acabamos por nos habituar a conviver com ele até ao limite. Acontece que quase sempre que se chega ao limite ficamos impossibilitados de dar marcha à ré e a solução costuma ser penosa.

 

O “PODERZINHO” É A DOENÇA que ataca qualquer pessoa imatura a quem é dado alguma “liberdade de decisão” em relação a outro ou a outros.

 

Detecta-se facilmente em pessoas que usam frases como:

  • tem de fazer o que eu mando…” (mas, não explicam a razão da ordem, porque acham que explicar os diminui)
  • aqui quem manda sou eu…
  • se não fizer o que eu estou a pedir, está-me a faltar ao respeito e tomarei providências…” (mas, nunca se questiona se a sua ordem é legitima, ou se por acaso não está a ultrapassar nenhum limite ou até a atropelar os direitos do subordinado)
  • “faça, porque quem sabe sou eu, não me venha ensinar a fazer o meu trabalho…” (explorando a ignorância e humildade alheia, que cultivam com uma paciência de sábio!!)

 

Onde é que podemos encontrar este vírus?

 

Na senhora da casa que controla de forma invasiva (e até ignorante e mal educada) a empregada doméstica, não respeitando os limites da sua função, achando-se dona da pessoa em questão e não se assumindo como uma mera contratante de um serviço.

 

No funcionário da repartição pública que trata os utentes do serviço como “criaturas” que se têm de subjugar aos seus caprichos, porque não têm outra opção.

 

O chefe intermédio que subjuga os subordinados, apesar de baixar a cabeça a tudo o que lhe dizem os seus superiores.

 

O director que acha que é a “bateria” da empresa, sem a qual ela não poderia existir e despreza tudo o que estiver abaixo da sua linha hierárquica. (a estes lembro que na sociedade o papel dos homens em casa é tido como mais importante mas, quem lhes dá de comer é normalmente a mulher, o que significa que ela é que realmente tem o poder de decidir se ele dura muito tempo ou nenhum, entende-se?)

E etc…

 

Qual é o problema de se sofrer com este vírus do “poderzinho”?

 

O problema é que as pessoas que sofrem com ele, ficam com as suas fraquezas mais expostas. Os outros, podem até ceder um pouco a estas demonstrações de poder durante um tempo mas, vão ficar atentos a todos os sinais de fraqueza para na altura correcta puderem virar o jogo. E quase sempre conseguem fazê-lo, porque todos temos as nossas fraquezas.

 

A VANTAGEM DAS PESSOAS QUE LIDERAM SEM A PRESENÇA DESTE VÍRUS, É QUE ELAS CONSEGUEM QUE OS OUTROS AS AJUDEM A SUPERAR AS SUAS FRAQUEZAS, em vez de os colocar numa posição de precisarem de as explorar.

 

 

Vamos imaginar duas situações:

  • Na primeira, ficamos perante um gestor de uma empresa têxtil que se acha a peça fundamental da organização. Ele dirige as costureiras como um verdadeiro carrasco, querendo transformar tudo em números lucrativos. Para ele, basta espremer até a costureira não dar mais e depois trocá-la, ficando assim com uma necessidade mínima de investir. Isto vai resultar durante um tempo. Esse tempo vai ser directamente proporcional ao tempo que as costureiras perceberem que não vale a pena esforçarem-se por um “patrão” assim, e começarem a limitar-se a fazer apenas aquilo para que foram contratadas, limitando de forma perigosa a competitividade da empresa no mercado sempre a inovar. Porque este director pode ser o Rei dos gritos e das Pressões, mas pode substituir as costureiras se elas falharem o seu trabalho?
  • Na segunda situação, ficaremos perante um gestor consciente que não entende nada de costura e que o seu objectivo é vender o trabalho feito pela sua equipa. Este gestor, trabalha para que a sua equipa se sinta motivada a dar o seu melhor. Esse investimento nas equipas, esse reconhecimento do seu trabalho, deixa-o seguro que nas épocas em que ele não possa sozinho fazer frente às agruras do mercado, vai ter sempre gente disposta a apoiá-lo.

São apenas dois exemplos, num universo carregado deles mas, quais dos dois cenários é que acham que vai ter mais hipóteses de singrar no futuro, com sucesso? Quais destes dois gestores tem mais hipóteses de ter qualidade de vida? Quais destes dois gestores se vai livrar de um ataque cardíaco na meia-idade ou até antes?

 

E os senhores do dinheiro, os patrões, que escolhem os gestores para estarem à frente dos seus negócios, quais destes gestores é que preferem?

Não se questionam em relação à qualidade da gestão quando as equipas dão sinais claros de desmotivação? Ou apenas se preocupam em olhar para relatórios de contas apelativos nos lucros, sem se recordarem que os números são grandes mestres da maquilhagem? Cruzam eles as informações para ver o rácio entre investimento e lucro ou basta que apresente lucro, correndo o risco que a falta de investimento se revele fatal no futuro? Os patrões fazem auditorias financeiras, de qualidade ou até de satisfação junto dos peões da empresa?

Poderia fazer mais mil perguntas aos senhores do dinheiro mas, não é isso que interessa!

 

O que interessa é que este vírus do “poderzinho” afecta claramente e de forma perigosa a vida dos infectados mas, também de todos os que o rodeiam e principalmente daqueles que dele dependem para sobreviver. O vírus do “poderzinho” está carregado de imaturidade e muita ignorância, factores ideias à construção de verdadeiros infernos.

E estes “infernos” proliferam por aí, na nossa sociedade e parece que a cura demora muito a chegar.

Sim. Não percam a esperança, porque existe cura para esse mal. A cura é informação e experiência. A cura passa pelo facto de todos os que rodeiam este infectado, não permitirem humilhações e para isso têm de se manter bem informados.

Muitas vezes me perguntei, porque esta aposta tão grande em mão de obra jovem, quando a mão-de-obra madura é muito mais qualificada na grande maioria dos casos e a resposta que encontrei é que os jovens são menos informados e por isso mais manipuláveis e fáceis de humilhar. Estarei certa?