Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

A MINHA REVOLTA com o sistema bancário...

Ver gente que trabalhou e contribuiu toda a vida a passar maus bocados, numa altura em que a saúde já foi consumida pelo sistema social. Sistema social que agora ocupa o tempo e consome aqueles que as podiam ajudar (filhos, por exemplo).

Falo de gente que poupou. Gente que tirou ao gosto para amealhar no banco. Gente que acreditou que esse gesto as impediria de passar por situações complicadas quando a saúde e outras situações falhassem. Gente que estava enganada.

Estou a acompanhar uma senhora que viu o seu marido morrer recentemente, vítima de um cancro de pulmão. Nada que a surpreende-se, porque ele fumou durante toda a vida, mas o facto de saber que podia acontecer não tirou dramatismo à situação. É esgotante, para aqueles que acompanham doentes nesta situação, porque os sistemas limitam-se a cumprir protocolos e esquecem-se da carga humana da situação. E isso ocorre em Portugal e em França. É igual de penoso, apesar da “cara mais lavada” que se possa encontrar num lugar em relação ao outro.

Depois de muitos meses de luta, o senhor acabou por falecer. A viúva, mulher trabalhadora durante toda a vida, podia ter vivido o luto, pelo menos com alguma paz. Podia, mas não foi o que aconteceu.

O conforto que ela achava que tinha para fazer face às dificuldades, ficou bloqueado. Sim, é verdade, aconteceu-me o mesmo em Portugal, quando morreu o meu pai, a diferença é que eu não dependia desse dinheiro para sobreviver.

Guardar o dinheiro no banco, de repente, transformou-se num pesadelo que já leva mais de 8 meses. Para comer, a senhora tem de contar com a solidariedade dos filhos e vizinhos, e algum dinheiro que consegue, fazendo uns trabalhitos, porque a saúde também já não a ajuda e com a pressão a que a submeteram, o caso apenas se agrava.

Como está a pagar a casa ao Banco, é considerada proprietária, então não pode aceder a instituições de solidariedade social, como o Banco Alimentar, para fazer face às necessidades básicas.

Como não é rica, não pode aceder a um notário/advogado para que a oriente (fica-lhe com o dinheiro quase todo). Então tem tentado desbravar caminho entre processos burocráticos que não entende. E sempre que falta um papel ou este foi mal preenchido, fazem-na voltar quase ao início. Não há direito.

Neste momento, ela acha que tem as coisas finalmente bem orientadas. Espero que sim.

Mas, não há direito de fazer isto às pessoas. Para a maioria das pessoas que tratam destas situações, são apenas papeis, averiguações, leis e etc… Ninguém se questiona se o processo foi bem pensado, se está a ser bem executado, se a pessoa envolvida consegue ter alguma coisa para comer, ou dinheiro para se aquecer nos gelados invernos. Ninguém se questiona?

Recordo que quando foi o caso do meu pai, eu fiquei surpreendida também pela burocracia e pela estupidez que ela abarca. São alturas em que estamos emocionalmente feridos e aproveitam-se disso como querem. Os Bancos estão no topo da cadeia de aproveitadores dessa situação de fragilidade.

Obviamente, a nós também nos bloquearam as contas, no mesmo minuto em que apresentamos a certidão de óbito.

No meu caso os abusos com essa situação começou antes, com a funerária. Na hora da confusão, os familiares ofereceram a sua ajuda, que aceitamos e agradecemos profundamente. Eu nunca tinha lidado com uma situação do género e vi-me de repente no comando de um “barco” que desconhecia totalmente.

O serviço prestado pela funerária de Albergaria-a-Velha foi o mais básico e despiedado possível. O apoio que algumas empresas deste ramo prestam aos familiares do falecido, neste caso não existiu mas, cobraram como tal. A factura foi de 1700€, mais as gratificações cobradas fora de registo. Quando tive paciência para ler a factura com olhos de ver, fiquei escandalizada, porque por uma suposta chave de urna que nunca vimos pagamos 70€. E este é apenas um exemplo de como me roubaram e eu estava tão cansada que nem piei.

O que agradeço à Agência Funerária foi a semi-orientação com os papéis necessários pós-morte de alguém. E digo “semi”, porque descobri mais tarde que era preciso muito mais do que me tinha sido indicado. Mas, para pontapé de saída esteve bom.

Fomos então informados no Banco que para desbloquear o dinheiro, tínhamos de fazer uma colecção de papéis e entregá-los no balcão. Assim fizemos. Perdemos o nosso tempo, entre Finanças, Conservatória, segurança social, hospital e etc… Gastando sempre dinheiro (dinheiro que estava bloqueado pelo Banco). Para terem uma ideia, só a habilitação de herdeiros custou cerca de 200€ na Conservatória de registo civil. Para muitos portugueses, este valor é metade do rendimento mensal.

Com os papéis reunidos, fomos então ao banco. E começou o bailinho das confusões. Existia o claro interesse de não nos entregar o NOSSO dinheiro. Passei cerca de 3 meses a tentar levar as coisas a bem, perdendo imenso tempo com os gerentes do banco, a tentar manter-me informado e etc…

Tive de gastar mais cerca de 100€ numa advogada, para que me acompanhasse ao banco depois de todas as tentativas levadas a cabo por mim terem falhado (tentei falar, zanguei-me, reclamei por escrito, etc…) A presença da advogada deu um ar mais sério à situação, até, porque ela fez uma coisa que eu não tinha feito até esse momento que foi escrever directamente para a sede do banco.

Num mês, se bem recordo, começamos a receber o nosso dinheiro. Mas mesmo quando pagaram, não o fizeram correctamente, porque o banco substituiu-se a nós e fez a divisão do dinheiro entre os herdeiros, obrigando os que não tinham conta, a abri-la. Acabamos por aceitar por termos sido vencidos pelo cansaço. Mas aviso que esta situação por parte do banco é irregular, porque uma herança nem sempre é só receber, às vezes existem dívidas a pagar e tem-se de fazer face a isso primeiro. A lei exige a nomeação de um “cabeça de casal” para que organize essas situações, e o banco não se deve substituir a ele. Se os herdeiros não se entenderem, existem os tribunais, não os bancos.

Conto-vos por alto estas duas situações, para que reflictam o vosso conceito de poupança e se for o caso façam uma exploração do sistema para não serem surpreendidos quando as coisas não correrem muito bem.

Revolta-me que o desenho deste sistema, proteja mais os bancos que as pessoas que se esforçaram uma vida inteira.

Pergunto-me se vale a pena continuar a usar essas instituições? Se não podemos fazer nada para que elas sejam redesenhadas de uma forma mais justa?

A única certeza que tenho é que da forma que está, não pode continuar, e até existirem mudanças, o banco será o último lugar onde pensarei fazer poupanças.

Se alguém quiser consultar com mais rigor os procedimentos pós morte de um familiar, deixo-vos aqui o resumo da DECO.