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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

A minha viagem ao passado !

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Cresci numa aldeia à beira rio plantada, com mar à vista !

Numa família, que por um lado tinham raízes de gerações bem plantadas na terra, a do meu pai.

Por outro eram cidadãos do mundo : Espanha, Brasil , Moçambique, Canadá e França, a da minha mãe.

 

Nos jantares de família, em casa das tias, que tinham estado em França, os comentários eram sempre do género:

- Nós aqui não temos nada, lá em França é que têm!

- Nós aqui não sabemos fazer, lá em França é que sabem!

- Nós aqui estamos atrasados, lá em França são muito modernos!

 

Eu cresci a acreditar, que vivia num país atrasado, que além-fronteiras é que se vivia bem. Que os franceses tinham mais sorte, que viviam num país moderno, cheio de oportunidades, que sabiam evoluir e nós não.

 

Quem tem mais sorte ainda estou a tentar perceber!

 

Mas que estão mais evoluídos? Alto! Isso pode ter feito sentido há 20/30 anos atrás. Hoje não é bem assim.

 

A França é linda, eles têm os recursos naturais para a embelezar e sabem usá-los. A França, pelo menos aqui no norte: é rústica, rural, acolhedora, romântica se quiserem. Os franceses dão muita atenção aos pormenores e gostam de manter bonitas as suas coisas.

 

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Mas isso faz deles melhores que nós portugueses?

 

Eu aqui sinto-me a regressar ao passado. É uma sensação recorrente, que me assalta nas mais diversas situações. Por exemplo:

 

Quando vou usar uma ATM. Aqui só levantamos dinheiro, em Portugal até os impostos pagamos através destes terminais!

 

Ter uma conta no banco? É preciso tanto papel, que quando chegamos a casa, procuramos um resumo com os dedos cruzados atrás das costas. Mas convenhamos que as letras não são tão pequenas como em Portugal. A informação é mais visível, pelo menos parece.

 

E conta online? Em Portugal através do meu banco online eu fazia tudo, pagamentos, transferências, consultas, etc… Aqui dá para ir vendo o movimento da conta, mas tendo sempre em conta que levam mais de 24horas a estar actualizados. E para fazer uma transferência é preciso um papeleiro que uma pessoa desiste. Esse deve ser o objectivo: o dinheiro é nosso, mas uma vez nas malhas do sistema bancário eles querem mandar. Viva as caixas de biscoitos e os colchões.

 

Entramos numa Brasserie, o equivalente a um café em Portugal, e o cheiro a tabaco é nauseabundo. Apesar de que um maço de tabaco aqui custar em média meia hora de trabalho. As políticas antitabaco aqui ainda não arrancaram.

 

O sistema de ensino é mais adaptado em termos de carga horária à idade da criança, aqui em França. E também é valorizada a relação com a família. Isso perdeu-se um bocado, para não dizer muito em Portugal. Mas ainda existem valores a ser trabalhados: por exemplo ensinar a partilhar. Nas escolas francesas isso não é trabalhado, exigindo uma conduta de igualdade que não é condizível com a nossa condição de seres todos diferentes, com interesses diferentes e mesmo direitos.

 

Vamos às compras e pedimos para cortar fiambre. E é impossível não abrir a boca e os olhos de choque quando vemos a mão sem luva da operadora a pegar no fiambre para nos entregar. Ficamos a imaginar o colapso cardíaco que daria a um funcionário da ASAE, se visse isto em qualquer supermercado português.

 

Mas apesar de ainda terem algumas coisas que podem melhorar, ainda existe uma sociedade familiar, que gosta de festas, de jardins e decoração. Que realmente vive as coisas que tem.

 

Em Portugal somos claramente mais hospitaleiros, mas estamos a perder o gosto por viver as nossas coisas, ao mesmo tempo que nos vamos modernizando.

 

Por isso, ainda não sei quem tem mais sorte!?