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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Algumas opiniões sobre irresponsabilidade Parental!

"L'enfant avait été laissé seul pendant toute une nuit par sa mère qui était sortie en discothèque." - no Le Parisien(A criança tinha sido deixada sozinha por toda uma noite pela sua mãe, que tinha saído para a discoteca). A polícia foi chamada a intervir depois de os vizinhos o ouvirem chorar horas seguidas.

 

A irresponsabilidade parental é um problema de escala mundial. Muitas mulheres acreditam que mesmo depois de serem mães podem continuar com a sua vida como se nada tivesse ocorrido. Desculpem-me a feministas, mas isso não é verdade.

Defendo que a mulher tem direito ao seu espaço e liberdade, mas se escolhe a maternidade tem de ter consciência que durante um largo período essa liberdade vai estar condicionada ao bem-estar do seu filho. Se não estão para essas moléstias, não os tenham, têm muitas opções no mercado para evitar a gravidez e mesmo sendo discutível a opção pelo aborto, a verdade é que ela existe. Se por acaso andaram demasiados embevidos no mundo da lua e não foram informados das opções que o mercado oferece para evitar uma gravidez indesejada, deixo aqui este link do "Women on Waves", com quase tudo o que precisam de saber sobre esse assunto, para começar (texto em português). 

Imagem do texto "Portugal regista mais 28 mil novos processos de crianças e jovens em risco" no Jornal de Abrantes.

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Voltando ao texto noticioso: Saiu! Foi-se divertir! Uma criança de 2 anos que ainda mal sabe falar ficou sozinha e não houve remorso que a detivesse. Nunca pensou na imensidão de problemas que podiam acontecer e com os quais a criança não saberia lidar: incêndios, inundações, sede ou o simples pânico de se ver sozinho no meio do escuro, a chamar a que o devia proteger e ela não responder (mais um traumatizado para o divã do psicólogo).

 

Não passa pela cabeça destas mulheres que se elas falham com esta magnitude, o seu filho vai pagar uma factura enorme sem ter tido o direito a escolha que elas um dia tiveram?

 

 

Vai ser arrancado dos braços da mãe e jogado num sítio impessoal, onde cuidar é dar de comer e banho. Não há mimo, não há sorrisos especiais, não há cafoné, não há ligação, não há intimidade, não há… Por melhores que sejam os profissionais destes sítios, a verdade é que emocionalmente não podem, não conseguem estabelecer a ligação essencial ao bom desenvolvimento emocional de qualquer criança. É preciso ser uma mãe tão egoísta?

 

Muitos limitam o conceito "educação" à escola, mas educar é muito mais do que isso, é ensinar a conviver, a estar, a conhecer-se, a amar, como é que se aprende a amar com uma história assim.

Mas, uma mãe que sai para dançar e deixa o filho sozinho, é uma mãe que tem pouco para ensinar nesse sentido.

E onde está o resto da família desta mulher para a orientar e apoiar? Virou-lhe a cara com a vergonha de uma suposta gravidez solteira? Muito fácil lavar assim as responsabilidades, não é? Envergonhaste-nos nós saímos de cena, que confortável, mas ninguém pensou que na criança.

E o paizinho? Onde anda?

 

Isto aconteceu em França, onde o Estado ajuda bastante financeiramente as mães. Isso impede que elas usem o dinheiro para pagar entradas na discoteca em vez de uma babysitter? Pelo vistos, não.

 

Cada vez perdemos mais liberdade, os Estados cada vez querem saber mais da nossa vida e isso irrita-me, mas depois acontecem estas coisas que jogam com a vida inteira de um pequeno ser indefeso e penso, se calhar era preciso que o Estado exigisse facturas para ver onde estão a ser gastos os subsídios.

 

Como quando um pai educa um filho, e lhe dá toda a liberdade do mundo e depois perante as irresponsabilidades a vai contendo, limitando. O Estado, vai aproveitando a irresponsabilidade de alguns para limitar a liberdade de todos.

 

E nós os afectados, vamos continuar por aí fazendo de conta que os desastres da vida alheia não nos afectam? Vamos continuar a perpetuar o “entre marido e mulher não se mete a colher”, que sinceramente me parece um disparate inventado para aliviar a consciência dos covardes que não têm coragem para denunciar.

 

Vê-se as mães na rua a bater, a agarrar pelos braços como se fossem bonecos de trapo, a arrastar pela calçada sem dó nem piedade e pensam “está a educar”, não senhores ela está a maltratar. E se é assim na rua, imaginem em casa.

O sentimento maternal, não é uma coisa natural, depende do fundo emocional da mulher e vai-se construindo no tempo, algumas mulheres nunca o chegam a construir. Assumem a maternidade como mais um frete. Algumas ainda cometem a Santa Estupidez de engravidar para prender o homem. Pobres! Mas, mais pobre é o filho desta senhora, que vai ter de carregar com este trapo emocional, pelo resto da vida.

 

O que se pode fazer?

À mãe que maltrata na rua, chamá-la à atenção:

-Senhora precisa de ajuda?

-Não. É ele que faz estas birras. – responde com um sorriso amarelo.

- Pois se me puxassem dessa maneira eu também berraria e espernearia. O melhor se calhar é parar e deixá-lo acalmar. Depois converse com ele e pergunte-lhe porque se sente assim. Explique-lhe o porquê da situação. São crianças mas costumam entender quando se explica com palavras. Já uma palmada pode ter demasiadas interpretações e fica difícil entender porque é que realmente apanhou.

-Ah! Meta-se na sua vida!

-Sim! Vou ligar ao 112 e dizer o que se está aqui a passar, e depois a senhora vê se vale a pena reflectir ou continuar com a sua vida da mesma maneira.

Não é uma situação fácil. Mas, se as pessoas começarem a perceber que os outros vêem e reagem vão conter-se. E principalmente vão tentar arranjar formas de contornar o problema sem ficarem mal na fotografia, e com o tempo aprendem.

(O mostrar o telefone como se estivessem a gravar a cena, não resolve a situação, mas faz as pessoas pararem com a estupidez).

 

Na vizinhança, na família, entre amigos percebem que algo não está bem, contactem o Instituto de Apoio à Criança. Deixo aqui os principais contactos:

Atendimento Telefónico

Telefone: (+ 351) 21 793 16 17

116 111 (gratuito)

116 000 (gratuito) Criança Desaparecida

Atendimento 24h sobre 24h

E-mail: soscrianca@iacrianca.pt

Site: www.soscrianca.pt

Horário de Atendimento:

2ª a 6ª feira das 9h às 19h

 

Os sinais costumam estar visíveis, principalmente quando se convive com a família problemática em questão. A conduta dos pais, o comportamento dos meninos, denuncia. É preciso querer ver.

Em caso de dúvidas contactem e informem-se, porque às vezes a intervenção de um profissional e a reeducação dos pais para a parentalidade, pode prevenir casos piores e assim evitamos que mais uma criança seja arrancada à sua família e levada para uma instituição impessoal.

 

Uma Coisa que acontece com frequência: ver uma criança a chorar na rua. O que fazer? Depende da forma como a pessoa que está com ela se está a comportar. Se está a tentar conter, a tentar conversar ou apenas com expressão de quem está à espera que se acalme para falar, não se faz nada. Ela sabe o que está a fazer. Agora se está com atitude de que não lhe importa nada que ele se engasgue com o próprio choro, que a criança vai gritando cada vez mais alto e não reage, então é melhor aproximar-se. A moda agora é continuar a olhar para o telemóvel enquanto os pequenos se desmancham em desespero, e isso merece um chamado de atenção, porque uma criança criada com tamanha indiferença pelo seu sofrimento, também não terá muitas possibilidades de desenvolver empatia pelo sofrimento alheio (a não ser que o destino lhe coloque uma alma caridosa na forma de tio, professor ou avô que lhe dê esse exemplo).

 

Uma coisa que acontecia com frequência quando eu trabalhava num supermercado: uma mulher não ter dinheiro para pagar a conta toda, e na hora de deixar alguma coisa para trás levava o vinho e a maquilhagem e deixava o leite e as fraldas. O meu coração ficava pequenino. O que se faz nestes casos? Eu não tinha como a identificar, não podia largar o meu posto de trabalho para ir atrás dela. Então ficava com o coração pequenino, pequenino! Hoje os cartões de crédito e os cartões de loja já podem fazer esse serviço. É uma questão de tirar o número da transacção e fazer uma denúncia, mas a policia provavelmente terá mais que fazer, afinal não é crime deixar compras para trás.

 

Também me acontecia pessoas a dar palmadas nos miúdos quando eles pediam alguma coisa. Às vezes ainda não tinham acabado o pedido e já estavam a apanhar. A boa prática do serviço mandava-me estar calada, coisa que eu não conseguia. Com alguma diplomacia tentava chamar a atenção. Alguns amarravam a cara, mas nunca nenhum me fez um escândalo. Isso resolveu alguma coisa? Não. Mas, aquelas crianças perceberam que existem pessoas que pensam e agem diferente e isso talvez lhes dê alento para continuar e ganhar forças para se libertarem.

 

Uma vez um senhor não deixou uma menina de 5 anos levar um chocolate. Dizia ele com ar muito divertido: “isso faz-te mal aos dentes”. Ela estava triste como à noite de inverno sem lua. Eu não podia dizer nada, mas roguei-lhe uma praga em silêncio e amarrei a mesma expressão que a garota, não porque negou o chocolate, mas porque nas compras levava vinho para um batalhão. Onde andam os bons exemplos, senhores? Não basta negar, é preciso mostrar como se faz.

 

E isto são apenas pequenos sinais de que algo não corre como devia, aparentemente nada de grave ou sem solução, mas muitas vezes uma atenção mais detalhada sobre estes pequenos gestos e rotinas por parte das pessoas mais próximas podem levar a atitudes que reencaminhem e assim evitar situações mais graves, como esta que ocorreu em França, ou aquela que ocorreu na Suíça em 2002:

A portuguesa Susana Vasconcelos, acusada de homicídio por negligência da sua filha de 16 meses, em Genebra, vai cumprir seis meses de pena suspensa durante três anos por decisão do Tribunal de Polícia, anunciada esta manhã.” no Público

 

Proteger os mais fracos é obrigação de todos os indivíduos da sociedade. Estes vizinhos, em França, fizeram a sua parte antes que alguma desgraça pior ocorresse, mas muitas pessoas, a começar pela mãe, falharam e a prova disso é mais uma criança institucionalizada!