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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Convenceram-nos e nós acreditamos sem questionar… Deve ser assim?

Às vezes penso que sou apenas “burra”, outras apenas me limito a tentar compreender e deixo-me perder na imensidão do caminho das possibilidades. Confuso?

 

Tenho um sentimento que me persegue de que algo está profundamente errado na construção social, sentimento que me leva a questionar o mais simples acto quotidiano, na busca de um entendimento. Continua muito confuso?

 

Observando o meio que me rodeia, lendo notícias nos mais variados formatos e idiomas de forma quase aleatória, verificamos que algo vai mal, de outra forma não existiria actualmente motivo para continuarmos a ter lugares neste planeta a passar fome, cidades e até países mergulhados no perigoso medo, medo de não ter ar para respirar dentro de algumas décadas, pessoas a desenvolver verdadeiras paranóias alimentícias, etc…

 

Numa observação mais minuciosa dos nossos comportamentos, ficam à vista coisas desconcertantes como:

 

- De alguma forma sabemos que o corpo humano precisa de se mexer, foi construído para isso. Então vemos as nossas crianças ir para a escola de carro perdendo aquele bocadinho de exercício diário que tanto bem faz ao corpo e à mente e que permite o contacto social com as gentes da nossa rua, bairro, vila, etc… Depois pagamos-lhe classes de natação, classes de judo, classes de ballet, etc… Sozinhos, escolhemos banir o exercício gratuito e socialmente saudável, para gastar dinheiro em exercício orientado que muitas vezes os pequenos nem sequer aproveitam porque frequentam por obrigação e não por gosto. Com a agravante de que retiramos aos nossos filhos a possibilidade de crescer a conhecer o mundo REAL social que o rodeia. Depois temos medo de os deixar ir à esquina buscar pão, porque ele não conhece ninguém e ninguém o conhece, retirando-lhe o bem mais precioso de um ser humano, a independência. Sem desenvolver a independência nenhum ser humano pode ser livre!

 

- Se observarmos os adultos o caso piora, basta ver aquela imagem que corre a internet do “jovem que chega de carro ao ginásio” e não é preciso dizer mais nada.

 

- Um destes dias estava na casa de um colega na hora em que ele estava a fazer o jantar para os filhos: arroz “Uncle Bens”, batatas fritas que ficam prontas num minuto no microondas da “McCain” e um hambúrguer da “Charal” (menciono as marcas para reforçar a diferença entre produto fabricado e alimento natural).

O engraçado da história começa quando ele diz muito convencido: “Eu tento fazer uma alimentação saudável cá em casa, quero que os pequenos se habituem ao sabor natural dos alimentos, por isso evito os molhos e dou-lhes a comer assim!”

Eu ainda sem entender muito bem ao que ele se estava a referir remato com um: “Fazes bem! Hoje é uma excepção e elas não fazem mal a ninguém.”

Recebi um olhar confuso e explicou: “Excepção? Não. O arroz branco é muito saudável, até se dá aos doentes. E estas marcas permitem que faças as batatas e o hambúrguer sem ter de adicionar gordura e assim fica mais saudável, natural e menos perigoso para a saúde.”

Apenas respondi “Ah!” como se nunca tivesse ouvido aquilo, porque fiquei incapaz de explicar, perante aquele “tom entendido” que não se colocava gordura porque ela já estava inserida no produto desde a fábrica e que apesar de o arroz ser branco tinha químicos que garantem que ele fique sempre com o mesmo aspecto.

Não lhe expliquei ainda, que talvez a forma mais segura de garantir uma alimentação saudável aos filhos (e mesmo assim com os pesticidas que se usam na agricultura é quase um tiro no escuro) é cozinhar os produtos originais e que até são mais baratos. Vejamos:

Um dia há-de surgir a oportunidade de eu lhe dar o meu ponto de vista acerca desta questão!

Mas, mais importante é eu conseguir entender uma coisa que me está a custar a entender, que é: porque é que se fala em crise económica no sector da agricultura, se é o sector que mais clientes tem garantidamente, porque não existe humano que não coma (sem falarmos dos outros animais). Seja comida em estado natural ou comida fabricada que tem sempre a natural como base. Não entendo esta crise, a não ser que pense que o Governo está a permitir que legalmente os distribuidores “roubem” os agricultores e os consumidores centrando o lucro em si mesmos. Tem de ser com o apoio do Governo que esta crise se instala, porque é ao Governo que cabe a tarefa de garantir a justa distribuição de riqueza criando as leis que forem necessárias para que isso ocorra.

 

- Outra coisa que não compreendo muito bem é: como é que a mente humana achou que seria uma boa ideia as coisas tradicionais da nossa terra serem “gourmet” e por isso caríssimas, mas aquilo que nos chega depois de viagens caríssimas de barco, avião ou camião são compradas ao preço da chuva no inverno. Por questões de lógica matemática não faz muito sentido, a ideia só pode ter surgido em alguma brilhante mente humana e os outros nem a questionaram. Por isso, comprar uma travessa de barro português em Portugal, por exemplo, custa mais caro que, em Portugal comprar uma travessa de barro chinesa.

 

- Falemos de Bancos. Alguém entendeu o porquê de discursos constantes sobre o sistema financeiro e quase não se houve falar do que realmente devia estar a ser discutido no Parlamento: a educação, a saúde e a justiça. Abrimos os jornais, ouvimos a rádio nas notícias, vemos a TV e lá está um Governante a falar do sistema financeiro, como se as pessoas comessem “dinheiro” para sobreviver. Dou por mim a tentar lembrar-me de nomes de políticos portugueses e só me lembro dos ministros das Finanças, como se em Portugal não existisse mais nenhum assunto importante que precisasse de atenção. Então surgem-me na mente os Vitores Gaspares, os Centenos, as Albuquerques e etc… Mas tenho de me esforçar e até consultar para me recordar quem é o Ministro da Educação, por exemplo.

 

- Se continuarmos no sector Bancos também podemos questionar: desde quando é que nós permitimos que eles passassem a ser donos do dinheiro que ganhamos com o suor do nosso esforço? O dinheiro do nosso trabalho já não passa pelas nossas mãos, vai directo ao banco, depois de emagrecido pelas taxas e taxinhas que nos cobram, não sobra para mais que sobreviver e pagar contas. Quando juntamos algum e tentamos economizar, nos tempos actuais quase que é preciso pagar ao Banco (e feitas as contas até pagamos mesmo) para que eles nos aprisionem aquele valor durante o tempo que lhes convier e segundo as condições que lhes jeito. E se queremos dar-nos um qualquer gosto para aliviar o stress e sentirmos que trabalhar vale realmente a pena, somos quase obrigados a recorrer a créditos para financiar essas compras (viagens, casas, carros, gadgets, etc…)

 

E tantas outras questões, que analisadas por uma “lupa” tentando perceber a natureza das coisas e a forma como os humanos depois as deturpam e usam até contra si mesmos, que poderia aqui tentar descrever mas acho que já ficou ilustrada a minha confusão. E até a minha incapacidade de entender como é que chegamos até aqui, como é que se aceitou isto pacificamente. E escrevo “aceitou” porque sinto que o mundo está em convulsão, dando a entender que assim como eu, também já existem muitos outros que não entendem e começam a questionar até as pedras da calçada.

E o que não se entende não se aceita, não é? Ou aceita?