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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

E a família reencontrou-se ! (continuação)

Parte II - As primeiras impressões à chegada.

Ceia de Natal - pintada.jpg

 

Toc!Toc! E apesar do barulho que se sente no interior da casa, a porta abre-se.

 

- Hello! – Cumprimenta o janota primo Vicente, com um sorriso que deixa perceber uma boca que já custou uns €’s: dentes brancos e muito certinhos. Sinto o Manel Pedro a ficar tenso atrás de mim.

- Olá primo! Que bem te está a fazer a idade. Cada vez mais giro! – O piropo é aceite com um abraço e um puxão para dentro.

- Entra. Saiam do frio. Não sei o que fazes, mas estás cada vez mais bonita! – E vira-se para o Manel Pedro com a mão esticada para o cumprimentar. – Toma cuidado, rapaz. Se não fosse minha prima casava com ela. Não te demores.

- Como estás? – Solta o Manel Pedro com um sorriso educado.

- Bem. Muito bem. Não me posso queixar. E vocês?

- Também não nos podemos queixar, mas sempre poderíamos estar melhor. – Responde o Manel Pedro.

- Tens razão. – E o primo Vicente vira a atenção para Maria Aerdna. – A Ti’Lice está na cozinha e encarregou-me da porta, mas se não vais lá cumprimenta-la tens conversa para toda a noite.

- Deus nos livre. – Diz divertida Maria Aerdna e agarra a mão do companheiro para seguir viagem até à cozinha. – Vou já tratar disso.

 

 A família com tradição de emigração por terras francesas importou o hábito de se cumprimentarem um a um com dois beijos no rosto (pior se fosse a velha maneira dos quatro beijos no rosto). Para Maria Aerdna isso é um hábito que não se justifica quando se encontra muita gente no mesmo espaço. Afinal queremos tirar partido da festa, ou passar a noite aos beijinhos de “Olá”, seguidos de beijinhos de “Adeus”? Então sai do hall e entra na sala com um sorriso:

- Olá família! Como estão todos? Chegamos. – Beija a mão e sopra na direcção dos familiares o beijo e com um gesto da mão abrange a todos, como se assim o espalhasse por cada um dos presentes. Constata que ainda não chegaram todos, mas a sua Ti’Tina já lá está, sempre acompanhada da sua sobrinha Maria Vitória. Decide que devido à idade da sua tia o melhor é cumprimenta-la de forma mais pessoal.

- Olá melhor família do bairro! – Repete o cumprimento o Manel Pedro em seguida.

Recebem de volta uma mistura de “Olá”, “Tudo bem”, “Como estão”, …

 

Sem largar a mão ao companheiro, Maria Aerdna dirige-se à sua tia.

- Como está Ti’Tina? – Diz num tom mais elevado para que a velha senhora a ouça. E agarra-lhe a mão.

- Ela está bem. Ultimamente queixa-se do reumatismo, mas a idade já não perdoa. – Responde Maria Vitória naturalmente, como se a questão lhe tivesse sido colocada a ela. Numa espécie de simbiose, a velha senhora acena positivamente reforçando a resposta da sobrinha e sorri.

- Estes ossos matam-me, menina. – Diz de forma lenta e com voz cavernosa a velha senhora. - Mas estás bonita, Maé! E que belo rapagão aí trazes.

- É o Manel Pedro, Ti’Tina.

A velha senhora junto com a sobrinha chegam o rosto para confirmar a informação.

- Ah! Olá Manel Pedro. Como estás? – Pergunta. – Desculpa rapaz, no meu tempo não era assim mas hoje em dia estas moças trocam de namorado como quem troca de sapatos.

- Está tudo bem connosco. – Responde o rapaz sorrindo em resposta ao comentário. – É bom ver que a senhora está bonita e aí para as curvas.

- Não fosse o reumatismo. – Responde Maria Vitória novamente no lugar da tia.

- Tia dê cá dois beijinhos, que agora vou procurar a Ti’Lice.

E beijam a velha senhora e a sobrinha por respeito e saem em direcção à cozinha. Daí provêm os cheiros mais apetitosos, o calor e mesmo sem entrar sente-se a azáfama.

 

- Então é aqui que se encontra a classe trabalhadora deste domicílio? – Introduz com um sorriso Maria Aerdna.

A sua tia e as duas filhas viram os seus rostos para a porta com um sorriso. A Ti’Lice tira a luva de forno e dirige-se a eles de braços abertos.

- Olá menina! Sejam Bem-vindos! Ponham-se à vontade! – E abraça Maria Aerdna e crava-lhe dois beijos suados na cara. “Ainda bem que não coloquei a base da maquilhagem”, pensa Maria Aerdna. Mas retribui o gesto da tia com um sorriso. A velha senhora segue o mesmo gesto com Manel Pedro.

- Está bonito o teu rapaz. – E fá-lo rodopiar. – Hã! Bem arranjado, sim senhora.

 

A senhora vira-se e diz para eles entrarem e cumprimentarem as suas duas filhas. Manel Pedro aproveita o momento para sussurrar no ouvido de Maria Aerdna que não é mercadoria para ser apreciada. Ela responde-lhe em tom baixo:

-Não querias ficar bonito? Pelo resultado parece que conseguiste.

O casal cumprimentou a Maria de Fátima, filha mais velha da Ti’Lice e a quem tratavam por Fàfà. E a Maria Carlota que era tratada na família por Tota.

- Precisam de ajuda?- Perguntou a Maria Aerdna.

- Corta aí os legumes para a salada, se não te importas? – Diz Fàfà.

- Claro que não. Manel Pedro queres ajudar? Ou ir até à sala? – Pergunta ao companheiro.

- Vou ver como é que estão os teus primos. Não te importas? – Ela acena negativamente com a cabeça e recebe um beijo nos lábios. – Até já meninas.

Manel Pedro despede-se e desaparece em direcção à sala. Sem aviso, sem rodeios, sem arabescos, as suas primas começam o interrogatório.

- Já estás com ele há quanto tempo? – Pergunta Fàfà a mexer com a colher de pau na panela do pudim para que este não pegasse ao fundo.

 

Maria Aerdna ri para si mesma, e inspira discretamente. Prepara-se para a maratona de perguntas de que vai ser alvo, e cujas respostas só lhe interessam a si mesma. Apesar disso aquelas três mulheres não parariam até terem sabido tudo e opinado sobre o que achassem ou não relevante.

 

“Um, dois, três e aí vamos nós outra vez…”