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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Episódio económico de uma vida comum!

IMI.JPG

 No site do "Portal das Finanças", perguntas frequentes: http://info.portaldasfinancas.gov.pt/pt/apoio_contribuinte/guia_fiscal/imi/ 

 

 

Maria Aerdna acabou de almoçar e dirige-se ao café, para tomar a bica. Uma dose de cafeína para uma dose extra de energia e assim enfrentar a tarde no trabalho.

"Isto é ridículo!" - pensa, enquanto caminha ao lado da colega. "Vimos trabalhar em troca de um salário, que não quer esticar de forma nenhuma e está longe de chegar para tudo." - estamos a meio do mês e o dinheiro já começa a escassear.  "Qualquer desculpa é boa para o reduzirem. E o lucro gerado pelo meu trabalho é dividido entre as contas do patrão e a melhor empresa do mundo: o Estado." - sente-se indignada e impotente. 

Imagem do Blog "Tostões cà de casa" 

 

Lembra-se da formação "o-bri-ga-tó-ri-a", que teve de ir fazer ao Porto, a 30 km da empresa e 50km de casa. "As deslocações, mesmo quando são por conta de directrizes da empresa, temos de ser nós a colocar o dinheiro. Eles devolvem quando lhes apetecer. O empregado a investir na empresa em troca de quê? Do trabalho. Acham isso normal? Pior que normal é legal.” – recorda.

“E o material? Canetas, por exemplo? Compra o funcionário. Se pedes, levas logo com o discurso: "estamos em crise, é preciso contenção de despesas". No fardamento, não importa que andes há 3 anos com as mesmas botas e isso te provoque mau estar, micoses e depressão. Se quiseres sentir-te bem investe o teu dinheiro e compra umas novas. A empresa está em contenção de despesas e não pode investir.” – a colega puxa-a pelo braço. Maria Aerdna está distraída.

“E para comer? Sim, porque ninguém funciona com o estômago vazio, assim como ainda não há carros que andem sem combustível (seja ele derivado de petróleo ou electricidade). Aceitas os 4€ de subsídio que dá para pouco mais de uma sandes ou uma água com nome de sopa. E agradece "o extra". E depois queixam-se da despesa pública da saúde.”

 

A falta de visão dos senhores sempre ocupados, que não percebem o ciclo que aqui se desenha. Ou não querem perceber! E, ainda vêm bocas do exterior a dizer que os portugueses não trabalham!!!!! 

"Senhores de fora, nós até trabalho não renumerado levamos para casa.” – dirige-se ela mentalmente a tão "importantes personagens".

Nós somos é dirigidos por líderes com palas nos olhos. Que não conseguem abranger o conjunto. Estão formatados para a tabela de Excel e apenas enxergam a coluna dos lucros/prejuízos. A sua visão termina aí.

Temos de aplaudir a coragem das pessoas que arriscam investir. Mas também é necessário fazer alguma coisa quando a sua visão se fecha e acaba por prejudicar o colectivo (mais do que a favorecer). Não podemos continuar a permitir que todos paguem os erros de alguns.

O curso dos seus pensamentos é interrompido ao chegarem ao apinhado balcão do café. Na hora de almoço, uma pobre criatura sozinha tenta controlar o caos. Atende e despacha de forma cordial, mesmo os que não merecem tal tratamento pela evidente falta de educação que destilam pelos gestos e ditos. Ninguém quer saber do esforço que está a colocar para fazer o melhor sem as ferramentas e condições adequadas.

"Mais um episódio patrocinado e desculpado pela crise." - pensa Maria enquanto espera e observa. "Quando naquela hora, o patrão tinha de colocar algum part-time a ajudar ou mesmo aparecer para dar uma mão, opta por explorar aquela pobre alma. Afinal ela não se vai opor e responder: "Isto não são condições dignas de trabalho que se repetem dia após dia". Ela e ele sabem, que dificilmente ela vai conseguir melhor. Ela resigna-se e ele aproveita-se. Assim nenhum tem de se esforçar.”

 

Pior? Só o que os governos e a população mundial permitem em troca de uns trocos nas economias da África, Ásia e até na América Latina. Num mundo redondo como o nosso vamos todos pagar essa factura. Mas enquanto pudermos não fazer nada, vamos não fazer nada. Viva a preguiça humana!!!"

 

Finalmente as bicas são servidas e cobradas. Maria Aerdna e a colega murmuram um "muito obrigada" com um sorriso. Não deu para perceber se a cansada empregada ouviu. As duas, dirigem-se à mesa onde o colega Vítor, sozinho está a dar uma vista de olhos nas notícias.

- Olá Vítor. Podemos? - diz a colega de Maria Aerdna.

Ele levanta os olhos do telemóvel e sorri. Abrangendo com um gesto as cadeiras à sua frente, diz:

- Claro. 

- Novidades? Ou continuamos na mesma? - pergunta a Maria Aerdna ao colega, fazendo um gesto com o queixo em direcção ao telemóvel.

- Depende do ângulo de vista. Continuam os aumentos. Mas vão mudando o protagonista. - responde o Vítor e vira o ecrã do telemóvel para elas. No ecrã, está uma página do site da Renascença, com a seguinte notícia:

 

 "TEM CASA PRÒPRIA? O IMI VAI AUMENTAR", no site da Renascença (2014). 

 

- Vão aumentar? Outra vez? - escandaliza-se a colega.

- Sim. Não me perece que a imaginação lhes dê para mais. - responde Vítor.

- Não entendo. Querem colocar a economia a funcionar? – ironiza. -Deixaram os Bancos venderem o sonho da casa própria e ajudaram a incentivar o crédito à habitação. Não se lembram dos apoios e os chamados bonificados que o governo distribuía? - diz a colega.

- Lembro. Mas na altura, ninguém se preocupou em ver se os Bancos tinham condições para o fazer. - interrompe Aerdna.

- Ok. Mas porque é que vamos ser nós a pagar a factura? - insiste a colega.

- Porque é mais fácil por um colectivo sem voz nem rosto a pagar. Sentarem-se à mesa frente a frente com os responsáveis e dizer-lhes que vão ter de assumir as suas responsabilidades tem outra exigência de coragem e inteligência mais imediata e não estão a esse nível. - Maria Aerdna responde à colega, mas  chegou a hora de ir trabalhar e o assunto fica por ali. Despedem-se e cada um vai à sua vida.

 

O assunto não se esgota ali para Maria Aerdna. Ronda-lhe o pensamento toda a tarde. Já no autocarro, de volta a casa, volta pensar no aumento do IMI, para os proprietários de casa própria. "Mais vale entregar a casa ao banco e deixar de pagar o empréstimo." - pensa revoltada. "O governo tem na mão a chave para todos os seus problemas, só não sabe o que fazer para resolver os da população. Mas, o mandato é curto e logo outro pega na batata quente.”

 

Casinha.jpg

Aumentou o número de pessoas com necessidade de isenção, porque a economia as sufocou de tal forma que já não dá para mais. Isso diminuiu a receita.

“Era previsível, "meu caro Watson".” – cita mentalmente a famosa frase.

Não há problema para o governo, aumenta o imposto para os que ainda (e friso a palavra "ainda") podem pagar.

Sempre é uma bolsa de ar! (Com prazo curto de validade).

Até que estes também fiquem sufocados e deixem de pagar as suas casas ao banco. Os bancos vão ficar sem dinheiro, mas cheiiiiinhos de casas que depois podem vender aos chineses e a outros novos-ricos. As fortunas, provavelmente são conseguidas da única maneira que é possível sem roubar um banco, explorando as massas sem voz. Mas é dinheiro e fica bem na coluna do lucro da nossa tabela.

 

Os portugueses que conseguirem abandonar o território talvez tenham uma oportunidade. Depois não se esqueçam de agradecer ao primeiro-ministro, afinal ele avisou e abriu essa porta. A da saída.

Os que ficarem que arranjem alternativas. Talvez uma economia alternativa, como a que utilizam os “senhores” do dinheiro: eles põem o dinheiro em paraísos fiscais, nós podemos colocar na caixa das bolachas e nos velhinhos colchões. E porque não voltarmos às trocas entre cidadãos: eu dou-te um cabaz de batatas e tu arranjas-me o carro.

 

Pois é! Eles pensaram nisso e criaram a ASAE. Está aí para evitar os "pequenos crimes". Agora só falta o equivalente para se aplicar aos grandes crimes. Aqueles que não só prejudicam indivíduos, mas populações inteiras.

 

“Estamos tolhidos? Sem alternativas?” – pensa desanimada.

"O povo unido, jamais será vencido".  – recorda o bordão popular com esperança. “A economia é uma invenção do povo para o servir e não o contrário. As pessoas, podem demorar, mas irão relembrar. E apesar, de afastadas pelos meios criados para unir (a internet uniu-nos a distâncias maiores, mas afastou-nos nas curtas distâncias), um dia gritarão em conjunto: "BASTA"."

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