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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

NÃO HÁ LIBERDADE ONDE NÃO SE RESPEITA A DIFERENÇA!

TENHO UM SONHO, que espero poder comparti-lo convosco!

 

Não sou uma pessoa importante, não tenho talentos especiais, não sou uma pessoa com diploma passado e reconhecido por autoridade alguma, no máximo sou uma autodidacta como todos vós, com alguma sorte por me ter cruzado no caminho com grandes mestres: Homens e Situações.

Não tenho ambições de ser reconhecida por coisíssima nenhuma, apenas possuo esse "sonho". Um sonho, de uma humanidade mais atenta e mais solidária. Sonho deixar ao meu filho um mundo um pouco melhor do que aquele que ele encontrou quando nasceu.

 

E para isso sinto que é importante socializar e ensinar a socializar, principalmente num mundo onde o conhecimento está atrás de um click. A sociedade e a escola deviam estar atentas a isso, e ensinar a respeitar o outro e não a pressionar para que o outro se torne parecido connosco. Nas parecenças a única coisa que é preciso são os valores fundamentais do convívio saudável e listados há milénios: não matar, não roubar, … , tudo o resto deve ser diferente, porque essa é a nossa riqueza pessoal.

Imagem do blog "Espiritualidade Livre". 

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O mundo foi criado pelas leis da Natureza. Chamem-lhe Deus, Alá, Zeus, Big Bang ou o que acreditarem, mas trata-se sempre do mesmo fenómeno independentemente da forma como o nomeamos.

 

Essas leis têm regras próprias que podemos aproveitar a nosso favor ou contra nós, mas não as podemos mudar. Temos sempre de encontrar uma forma de nos adaptarmos a elas para conseguirmos atingir aquilo a que nos propomos.

E isso é o que tem feito a Humanidade ao longo de toda a nossa história, e é também essa capacidade de adaptação que nos distingue de todos os outros animais.

 

Mas essa capacidade de adaptação não é infinita, tem as suas limitações.

 

Para trazer pinguins para a Europa, temos de adaptar o espaço que eles vão ocupar, para que se pareça ao seu habitat. O homem também usa subterfúgios para se adaptar aos diferentes pontos do planeta. Por exemplo: um moçambicano na Sibéria irá passar muito mais trabalho para se adaptar que um suíço, por exemplo. E porquê? As condições habituais em que cada um se movimenta são diferentes. O moçambicano adaptou-se a um tempo mais quente e húmido, enquanto o suíço ao longo do ano passa pelas mais variadas condições meteorológicas, incluindo o tempo com temperaturas negativas.

 

E é aí, na forma como nos adaptamos que se estabelecem diferenças, com as quais infelizmente, parece que pouquíssimos de nós é capaz de lidar e aceitar, para poder ser realmente LIVRE.

 

Dizia o filósofo Ortega y Gasset: “EU SOU EU E A MINHA CIRCUNSTÂNCIA.”

 

A Natureza é um fenómeno com leis vivas e caprichosas que se alteram em ritmos nem sempre conhecidos, e que vive em constante mudança sem perguntar "se pode". Ela é a verdadeira e única Rainha deste Planeta. A Natureza Humana é refém dessas mesmas leis caprichosas. Devíamos ter consciência, que as nossas circunstâncias podem mudar a qualquer momento, sem aviso prévio. 

E quando essas mudanças ocorrem (sismos, tufões, cheias, secas, guerras, batalhas,...), todos precisamos da tolerância do outro. Do outro, que é diferente de nós e tem os seus próprios ritmos, que vive outra realidade, mas comparte a mesma essência: a Humanidade. Precisamos que ele respeite a nossa natureza, a nossa diferença, que comparta a mesma escala de valores e nos ajude. Para que exista essa vontade de ajudar, o outro tem de se sentir respeitado.

 

Na grande maioria, somos incapazes de o fazer. Vivemos numa "borbulha" que achamos inquebrável, e não nos preocupa a sorte alheia. Achamo-nos mini-deuses com direitos especiais. Convencemo-nos que nós podemos tudo.

Padecemos de um egoísmo, que não nos deixa ser livres. Sempre que limitamos a liberdade ao outro, estamos a assinar para que mais cedo ou mais tarde limitem a nossa também. Isso está a ocorrer actualmente em larga escala, mas continuamos entretidos a fazer de conta que nada atinge a nossa "bolha".

Se não deixamos o outro ser quem é na sua realidade, ele vai ser infeliz e as pessoas não sabem ser infelizes sozinhas, contaminam quem está à sua volta. O mesmo ocorre com a felicidade, sozinhos a felicidade é insonsa, precisamos partilhá-la. É a nossa Natureza Social.

 

Se isolamos “os gordos”, criticando a sua fome insaciável, o seu aspecto redondinho e a sua saúde frágil, eles vão contra-atacar criticando os ossos salientes dos demasiado magros, a falta de força para trabalhar, as intermináveis queixas de dorzinhas até nos pêlos dos braços, e o mau-humor constante de quem não se faz a vontade à hora da refeição. Essa troca de insultos acrescenta felicidade a alguém? Não acredito. Pelo contrário, torna-nos infelizes e acabamos a contaminar de infelicidade e vazio os que nos rodeiam.

E isto, no plano estético, porque existem diferenças muito menos toleradas e que levam a consequências muito mais graves: a diferença de cor de pele, a diferença de credos, a diferença social, as diferenças no plano sexual, …

 

É como se realçando a diferença do outro, sentíssemo-nos menos “anormais”. Mas, isso até pode ser que resolva no imediato a nossa insegurança pessoal, mas com o tempo é uma erva daninha pronta a provocar estragos.

 

É preciso educar para a diferença.

 

É preciso respeitar que convivemos todos no mesmo espaço em etapas diferentes: uns acabam de nascer, outros são maduros, alguns são loiros, outros têm pele escura chocolate, alguns acreditam no pai natal, outros em Alá, alguns gostam de ler, outros precisam sentir, … E nenhum se repete de forma igual, nem os gémeos.

 

A falta de conhecimentos, a falta de valores, a falta de educação gera medos. Esses medos, quanto maiores forem, mais cegos nos tornam.

E quando ficamos cegos recorremos às formas simplificadas, aos instintos primitivos por polir, como o afogado coloca a mão ao que puder para se livrar do sufoco. Passamos a desrespeitar os outros, limitando a sua liberdade, com medo de perder a nossa, tentando aliviar a nossa insegurança, criando um ciclo que não beneficia ninguém.

 

Numa época em que a tecnologia e o conhecimento se encontram tão perto de todos, tenho a esperança que se possa iniciar finalmente um ciclo de aprendizagem social, a nível global. Tenho esperança, mas para isso é preciso que se encontre o equilíbrio entre o uso das tecnologias e o convívio social. Os humanos tendem a cair no erro de se aproximar dos limites (neste momento somos mais espectadores de ecrã do que saudáveis convivas, e isso não é um bom indicador). 

Apenas existirá PAZ nesta Terra, quando em todos os cantos do mundo ela ecoar ao mesmo ritmo. Até lá, os pequenos charcos de paz que este ou aquele canto possa viver, vão estar sempre ameaçados.

Os exemplos actuais foram como uma facada nas minhas ilusões.

 

Ainda há umas semanas, corria nas redes sociais e no boca-a-boca que Portugal podia dar uma lição ao Mundo por ser acolhedor, tolerante, respeitador da liberdade alheia na sua diferença.

O meu coração encheu-se de ilusões. Pensei: “É possível. Pode demorar, mas o caminho está a traçar-se.”

 

Engano rotundo, o meu. A minha ilusão desvaneceu-se com os comentários mais racistas e xenófobos, de portugueses que me tinham enchido de orgulho. Comentários cheios de medo e ignorância, desses que semeiam ódio, a receita perfeita para plantar uma guerra que ninguém quer viver.

Comentários que tentam justificar, recorrendo ao argumento da “pescadinha do rabo na boca”: se não ajudaram os pobres como é que querem ajudar os estrangeiros? Comentários que não ajudam ninguém. E muito menos, os que apelam à violência contra estas pessoas que se encontram numa situação pior que a pobreza, e que nenhum destes “comentaristas” quer viver, e por isso lança veneno sem medir a quantidade. Argumentos vazios os que começam com “se”. Este “se” fala sempre de hipóteses, nunca de verdades. É preciso, validar os “ses”, e para isso é preciso fazer um exercício: INFORMAR-SE e informar-se bem, junto de fontes credíveis e não em blogs de opinião, ou sites que usam informação de terceiros de forma caótica e manipulada.

 

Este texto é uma opinião, a minha visão, não pretende informar, apenas fazer pensar. Para obter mais informação recorram por favor, a jornais com credibilidade provada. Para os mais curiosos e interessados, podem recorrer a livros de história e de geografia, que neste caso específico ajudam a entender muita coisa. Uma guerra não nasce espontaneamente, vai sendo cozinhada no lume brando dos interesses e da intolerância. 

 

Gostaria que o nosso egoísmo não nos transformasse em “Mestres de abandono” de cada vez que nos sentimos ameaçados. Que pudéssemos aprender a aceitar as diferenças, para podermos ser realmente solidários e não meros interesseiros. Como no caso da propaganda onde nos intitulamos de “portugueses acolhedores”, mas devíamos ter acrescentado que “sim senhor” somos, desde que possamos ganhar alguma coisa com isso para além de salvar vidas (uns fundos europeus, por exemplo! Que na realidade não é dinheiro divino, é dinheiro dos nossos impostos. ).

 

Esta guerra que se semeou na Síria começou por ser apenas um interesse estratégico e económico de algumas nações ocidentais (U.S.A., França, …). A Síria é um importante ponto geográfico de passagem do petróleo para a Europa.  Neste momento esta Guerra está a crescer, porque encontrou combustível na intolerância e desinformação da maioria da população deste mundo.

O que podia ser uma discussão de mesa de reuniões entre líderes, acabou por se expandir às populações. E os mais rebeldes não poderiam fazer nada, nem lançar o terror da forma que o estão a fazer, se não tivessem encontrado o terreno fértil, adubado de intolerância.

 

É a nossa natureza egoísta e a nossa ignorância que nos planta o medo e nos obriga a fechar-nos na nossa "bolha armada" (de intolerância). O medo tem origem no desconhecido e morre com o conhecimento. Se nos informássemos mais e melhor, compreenderíamos melhor a natureza alheia e não seríamos vítimas fáceis da manipulação destes rebeldes interesseiros. Eles conquistam o poder que precisam e nós matamo-nos uns aos outros, quando aceitamos jogar o jogo que eles nos vendem.

 

Esta guerra evita-se sendo tolerantes, e deixando que discutam o seu poder nas mesas de reuniões e não no espaço de vida das populações. Não sejamos um soldado mais.

 

As únicas leis que não podemos mudar são as da Natureza, todas as outras podem ser alteradas pela vontade do Homem. Podemos mudar fronteiras, podemos abolir fronteiras, podemos mudar de fonte de energia, … Podemos quase tudo se nos respeitarmos mutuamente! Se aprendermos a conversar uns com os outros e não cairmos na manipulação de alguns interesseiros. Quando caímos no jogo da intolerância, quem perde somos sempre nós, a maioria.

 

Espero, pelo bem do meu filho, pelo bem dos nossos filhos, que eu não tenha de deixar este meu sonho morrer comigo.

Só poderemos ter um mundo livre, quando aprendermos a RESPEITAR as diferenças, e nessa altura a solidariedade será um gesto rotineiro.

 

Como será bom viver num MUNDO assim, LIVRE.