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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Nascer? Ou não nascer? Para AERDNA é a questão!

Nascer ou não nascer.jpg

Já pela noite dentro, junto do seu amado companheiro, Maria Aerdna encontra-se deitada na cama. Maria Aerdna está cansada, mas não consegue dormir. A mente divaga:

 A Maria Aerdna ama o seu companheiro, a relação é saudável e existe comunicação.

"A nossa relação está pronta para novos desafios e eu sempre sonhei ser mãe", pensa ela.  "Mas estará o meu companheiro de vida, preparado? E o meu país?"

Segundo, os nossos governantes, a resposta é positiva. Segundo a visão dos nossos governantes, é aconselhável. Mas isso basta?

O medo. O medo de quem intui para lá da luz e se apercebe da sombra. A adrenalina, fá-la ficar mais desperta, mais alerta. E passa da divagação à análise.

"O futuro é incerto. Sempre o foi, e provavelmente sempre o será. Com todos os meios, entretanto inventados para prever o futuro, até hoje nenhum substituiu a intuição."

E  a intuição de Maria Aerdna sussurra-lhe que ter um filho não é, e não pode ser apenas um ideal romântico. A informação disponível nos mais variados meios, diz-lhe que até pode ser mais perto do drama, se não se reúnem as condições favoráveis. E para piorar, em seu redor, tropeça em histórias de arrepiar, cujos atores principais são crianças desprotegidas: pelos pais, pelos sistemas, por todos.

Maria Aerdna, não acredita que um filho seu, possa fazer parte de um enredo de terror. Ela acredita, não ser esse tipo de pessoa. Mas e se ela falhar? Qual é o plano B?  Sobreviverá uma criança só à sua custa? Está o que a rodeia, preparado para a substituir? Ou teremos de confiar na sorte?????

Dizem os mais antigos, que "o mundo é cruel". Mas tem mesmo de ser assim? E também que "tudo se cria". Então, qual é a explicação, para os casos das "Leonores de Marvila"?

 

Maria Aerdna revê a situação do país:

  • Em Portugal, a economia, Rainha Soberana de todos os sectores, está de rastos. Os nossos políticos, não sabem jogar o seu jogo. Caindo numa constante espiral que dura mais ou menos o tempo de um mandato e apresenta sempre os mesmos resultados, com poucas variações.
  • O mais leigo dos cidadãos sabe que o dinheiro tem de circular, como o ciclo da água. Mas isso quebraria ciclos de poder, por isso tem sido preferível mantê-la estagnada, pelo menos até se romper a comporta.
  • Enquanto a Rainha Economia não recuperar e romper barreiras, são os pilares que sustentam o sentido da democracia que sofrem:

 A Educação, A Saúde e A Justiça

 

É para garantir a igualdade de acesso a estes três factorzinhos que a Maria Aerdna paga os seus impostos e encontra sentido em fazê-lo.

Mas, o caos instalou-se:

Na Educação :

    • Já não sabemos muito bem porque se envia as crianças para a escola: Aprenderem a ser cidadãos? Cultivarem-se? Ou ocupar o tempo enquanto os seus pais trabalham a encher os bolsos da Rainha Economia? (Que depois não sabe o que fazer com o que ganha);
    • A qualidade dos nossos professores coloca-se em dúvida. Afinal um diploma não é certificado de competência, num país onde se conseguem licenciaturas ao Domingo;
    • As crianças de  meses, que deviam estar no colo dos seus pais a aprender a criar laços afectivos, são institucionalizadas durante todo o dia para voltarem à noite para os braços de uns pais cansados e sem paciência.
    • E depois da entrada no sistema escolar, não há marcha atrás. Serão educadas por pessoas estranhas que devido às circunstâncias jamais criarão laços duradoiros, desses que nos plantam segurança e confiança no que somos;
    • Os níveis de stress começam a ser implantados em tenra idade. Veja-se por exemplo, a quantidade de crianças que é acompanhada por psicólogos actualmente pelos mais variados motivos ou os níveis de obesidade infantil que também pode ser explicada pela ansiedade;
    • E depois de quase duas décadas neste sistema, saem com um diploma na mão e a firme ideia de que já não precisam de fazer mais nada. Agora o sistema (que até aí não funcionou) toma conta do resto: garantir emprego????  garantir subsídios???, garantir uma velhice segura??? "(Ha!Ha!Ha!Ha!)"

E a Saúde :

Portugal construiu um dos melhores sistemas de saúde do mundo: o SNS. Parabéns.

Mas como numa doença auto-imune tem dado o melhor de si para se auto destruir.

Maria Aerdna acredita que isso deve à nossa falta de confiança enquanto colectivo e que nos torna tão frágeis perante a opinião/pressão externa e também uma vontade de agradar, tão característica, que até pode ser simpática mas, se mal gerida é completamente destruidora.

Actualmente :

  • Faltam vacinas, faltam medicamentos, faltam médicos, faltam enfermeiros, faltam....;
  • As farmacêuticas ganharam tal poder, que conseguem colocar no mercado medicamentos ao preço de um carro de luxo (vejam a situação dos medicamentos para a hepatite, que alguém apelidou e muito bem de "genocídio de colarinho branco");
  • E os surtos que se espalham pelo mundo, um atrás do outro. No mínimo estranho!
  • O conceito de saúde pública que se está a perder em função do privado (embrulhando-nos nas redes do capitalismo, depositando nas suas mãos o nosso ouro : a saúde);
  • "Prevenção" é palavrão para o sistema de saúde. A medicina de trabalho não funciona, porque pouco ou nada pode fazer contra os senhores do dinheiro. Fazer exames de rotina é um pesadelo que começa no momento em que precisamos conseguir uma consulta com o médico, quando temos médico!;
  • O acesso aos cuidados de saúde é pura sorte ou melhor "pura cunha". Sabemos que existem cada vez mais e melhores meios de diagnóstico: mas não estão ao acesso de todos. E essa situação é cada vez pior.

No campo da Justiça :

  • E aqui abunda a total incompetência para manter alguma coerência e credibilidade: 
    • A justiça depende da conta bancária, da marca do fato e das ligações pessoais;
    • Os tribunais cada vez mais se assemelham a teatros com obras quase tão boas em enredo como as dos melhores autores;
    • A justiça, que deveria ser para todos está tão cara, que a maioria engole o sapo (sempre se come alguma coisa);
    • A justiça, um conceito que tem de estar acessível a todos, para garantir a paz e a segurança, afastou-se das pessoas e das suas capacidades para a entender. Os dez mandamentos, forma simples da religião definir os limites da liberdade individual e que a justiça em nome de uma classe, resolveu tornar numa linguagem tão técnica que já ninguém tem a certeza de não estar a prevaricar.

Maria Aerdna chega a uma conclusão: é melhor adiar. E finalmente deixa-se vencer pelo cansaço e dorme.