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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

"No meu tempo é que era...” E agora?

O blog “Estendal”, falou da conhecida “guerra” de comparações entre o “no meu tempo é que era” e “o agora”. Todos já assistimos a uma conversa desse tipo, é quase obrigatória quando se juntam duas gerações diferentes no mesmo espaço. O blog aborda o assunto pelas diferenças na educação.

Eu tenho a minha opinião, que não é muito diferente do autor do blog, mas é a minha:

 

Eu acredito que “essas comparações” têm um fundo de valorização da auto-estima dos que passaram por trabalhos para aprenderem o que sabem. Muitos comiam migalhas e cascas de queijo, iam descalços e com a mesma camisa todos os dias, eram castigados/torturados fisicamente muitas vezes sem entenderem porquê, e quando voltavam para casa tinham as vacas e os porcos para tratar ou a erva para ir ao campo apanhar. E apesar dessas tormentas aprenderam a história, admiraram reis e generais, sabiam somar e dividir de cabeça, e sem mapas poderiam percorrer o país de norte a sul porque, conheciam a sua geografia.

 

Acredito que “essas comparações” sejam uma tentativa de se orientarem entre algo desconhecido e até incompreensível, com o conhecido e familiar.

Os humanos tremem perante o desconhecido, mas desfazem-se perante o diferente. A origem dos preconceitos está aí, no enfrentamento do diferente.

Existem preconceitos graves, muitos já identificados e combatidos pela sociedade, e outro mais leves como essa necessidade de achar que tudo “agora” está mal, porque está diferente.

Não sei se terá que ver com a idade, com o nível de cultura ou com a personalidade mas o problema é transversal a quase todos os indivíduos.

Nota-se que “QUANTO MAIS INFORMADO, MAIS TOLERANTE” (ter em consideração que a qualidade da informação é um factor importante, para que esta afirmação seja de todo verdadeira).

 

Hoje em dia, não faz sentido saber a tabuada porque dispomos de máquinas que nos fazem esse trabalho, ou conhecer detalhadamente a geografia de um país porque dispomos de GPS’s. O mundo mudou, a forma de ensinar e aprender também. Muitas das matérias que eram leccionadas até à exaustão, deixaram de ter essa necessidade passando a ser apenas abordadas. Em contrapartida, assuntos que não eram sequer tocados, passaram a fazer parte dos programas escolares.

O mundo é um organismo vivo e em constante mudança, por isso muito provavelmente daqui a uns anos as matérias serão outras, e quem sabe, em vez de aprendermos não passam a implantar-nos os conhecimentos (ideia que não me agrada de todo, é bom dizer).

 

Mas vai ser inevitável fazer comparações. E de alguma forma ainda bem. Comparar mantem a memória viva, e evita cair nos mesmos erros, coisa que os humanos adoram fazer: repetir os erros e depois queixar-se. Mas existem comparações perigosas:

 

Um exemplo que a mim me choca é o político. É verdade que não estamos bem. É verdade que vivemos numa ditadura económica. Mas apesar disso, AINDA EXISTEM ALGUNS DIREITOS FUNDAMENTAIS como a liberdade de expressão, coisa que não era possível na época do senhor Salazar. Um país inteiro combateu-o, e hoje em dia existem uma “alminhas” que acham que ter os “cofres cheios” e o povo a passar fome é que está certo, porque era assim no tempo do senhor. E pior ainda não perceberam que estamos a caminhar para lá novamente, só que desta vez com “cofres cheios de dívidas”.

 

A liberdade está directamente ligada à responsabilidade e ao respeito (é um trio inseparável). Para ter responsabilidade é preciso estar informado. A educação tem um papel fundamental nisso. Não é possível construir um país justo para a maioria, sem liberdade. E mais do que me preocupar com as comparações “preconceituosas” dos mais velhos, preocupo-me com a má gestão deste sector actualmente.

 

Apesar de tudo, considero a “escola portuguesa”, uma das melhores que conheci, mas a economia está a destrui-la.

 

Os objectivos da escola, deviam passar por preparar os alunos dentro das suas áreas de interesse e para as quais eles mostrassem habilidade, além de prestar uma formação geral. A escola devia prestar formação útil e exequível (E não o debitar informação actual que apenas serve para fazer exames. Pergunto-me muitas vezes “quem ganha com tanto exame?”. Acho que desenvolvi um trauma capitalista).

 

O sistema educativo está diferente, mas não está ainda correcto. Antigamente faziam-nos cantar a tabuada (tinha alguma utilidade), dizer o nome dos rios (se não trabalhassem na área, era o que nós chamávamos “palha”), e outras matérias de utilidade duvidosa. Hoje preocupam-se que eles respondam a um exame, se aprenderam ou não, é secundário. Se por um lado, apresentando um leque de matérias alargado se abrem mais possibilidades que cada um depois pode escolher aprofundar ou não, por outro estamos a criar gente emocionalmente perturbada, devido ao stress a que é sujeita desde tenra idade. Depois estamos a teorizar demais os conhecimentos, deixando a prática e a experiência num campo perigoso: “a não existência”.

Vamos ter gente, que perante uma foto de uma rosa saberá o nome em latim (rosae), obras onde está descrita, e até algumas utilidades teóricas mas, não saberão como é o suave o perfume que exala, como é macia a textura das suas pétalas ou como dói picar-se nos seus espinhos.

 

Há tempo para tudo mas, queremos viver demasiado depressa e continuamos a tirar a infância aos nossos filhos. Antigamente com a memorização forçada e o trabalho infantil, hoje com cargas horárias que nem um executivo de uma grande empresa aguenta sem “intervalos luxuosos” e um ou outro problema de saúde (muitas vezes visível por uma intolerância desmedida, e uma ira incontrolada).

 

Na minha opinião estamos melhores ou vamos no caminho, mas ainda há muito trabalho a fazer para encontrar o equilíbrio: educar e deixar viver.

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O mundo é uma equipa imensa que para trabalhar em harmonia e construir precisa de estar preparada, para isso é preciso educar cada um dos seus indivíduos. Educar para não termos uns a construir e outros entretidos em destruir, por ignorância.

A ignorância só serve aos “ambiciosos pouco inteligentes” para conseguir alcançar os seus desejos, sem necessidade de usar os outros. Os “ambiciosos inteligentes” conseguem com os outros e, não através dos outros.

 

Comparar de forma informada não é mau, o contrário é perigoso.

 

Imagem no Blog "Educfácil".