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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

NUNCA ASSINEM DOCUMENTOS QUE NÃO ENTENDEM.

Sabem aquela mania que temos de achar que ler o documento antes de assinar é incómodo e até falta de educação, quando o outro fica à nossa espera?

 

Vou relatar uma história que ouvi este fim-de-semana e que me reforçou a ideia de que não se assina nada sem se entender muito bem do que se trata.

 

“Trata-se do relato de uma jovem a viver em Melbourne na Austrália que resolveu visitar a Indonésia e a Malásia, antes de voltar a casa na América do sul.

 

Dentro do espaço europeu não nos preocupamos muito com passaportes e autorizações para viajar mas, se sairmos do espaço europeu (espaço Schengen), precisamos pedir autorização para viajar e cumprir as normas de cada país (que variam muito de nação para nação).

 

Ela fez os pedidos devidos e foi-lhe dada autorização para viajar a estes dois países entre Maio e Julho de 2014. Informaram-na que a autorização para entrar na Malásia era para uma entrada única mas, não disseram nada em relação à Indonésia.

Comprou os bilhetes e embarcou.

 

A primeira paragem foi em Bali, na Indonésia onde o namorado passava também uma temporada.

Depois seguiu para a Malásia. Durante a estadia em Kuala Lumpur o namorado perguntou, porque é que não passava por Bali mais uma vez antes de regressar à Austrália. Ela sabia que não poderia voltar entrar na Malásia com a autorização que tinha mas, não via nenhum problema em voltar à Indonésia.

Comprou o bilhete e dirigiu-se ao aeroporto de Kuala Lumpur. Estava uma confusão que ela justificou com o facto do avião da Malaysia Airlines ter desaparecido em Março. A funcionária no check-in não foi do mais simpático e olhou-a muitas vezes ao mesmo tempo que analisava o passaporte mas, deixou-a passar. E ela justificou, para si, aquele comportamento por causa da pressão no aeroporto depois do avião desaparecer.

 

Quando chega à Indonésia, começam os problemas. Perguntam-lhe por é que ela quer entrar ilegal naquele país! Confusa afirma que tem de existir um erro, porque a sua autorização só venceria em Julho. Acontece que ela entrava no país pela segunda vez com a mesma autorização que também era uma autorização de entrada única, só que ninguém se lembrou de lhe explicar que o formulário “x” só dava direito a uma entrada e não a várias durante a vigência da autorização.

Por um PAPEL, passou de turista descontraída, a frágil e solitária ilegal.

Ficou presa nas instalações do aeroporto. Quando isso ocorre é a empresa aérea que transportou que tem de se responsabilizar e foi isso que aconteceu. Esteve o tempo todo, custodiada por um membro da tripulação do avião que a havia levado até à Indonésia. Entretanto, verificou-se que o erro ocorreu em Kuala Lumpur durante o check-in. A funcionária deveria ter reparado que a autorização para viajar para a Indonésia já não estava válida e devia-lhe ter impedido o voo. Não o fez e a consequências foram desastrosas.

Numa situação destas fica-se frágil e durante as muitas horas que permaneceu no aeroporto à espera que decidissem o que fazer com o seu caso, fartou-se de chorar. Apesar de tudo as pessoas ao seu redor foram amáveis.

Foi decidido que ela seria deportada para o aeroporto onde o problema teve origem. Antes de entrar no avião as autoridades da Indonésia colocaram um selo vermelho no passaporte onde se podia ler em inglês que "o tráfico de drogas dava direito à pena de morte". E à chegada à Malásia os problemas agravaram-se. A amabilidade das pessoas desaparece e ela passa a ser tratada como uma ilegal bandida.

 

É arrastada para uma sala, sentada numa cadeira e três homens passam a gritar com ela a perguntar o que é que ela está ali a fazer. Mais que perguntar, eles acusam. Ela chora, chora, chora, … Está cansada, não dormiu bem, não comeu bem, …

Passado não sabe quanto tempo, colocam-lhe um papel à frente num idioma que ela desconhece e pedem-lhe que assine.

É aí que o ALERTA lhe acende. A imagem do selo vermelho no passaporte com menção à pena de morte provoca-lhe pânico e uma força para lutar contra a pressão que estão a exercer sobre ela manifesta-se. Grita "basta" e recusa-se a assinar. Insistem para que ela assine com maus modos. Ela recusa-se e deixa claro, que se querem que ela assine alguma coisa, lhe têm de trazer o papel em inglês ou espanhol. E NÃO ASSINOU.

 

Finalmente desistem de lhe fazer lavagem psicológica e ela foi conduzida a um gabinete onde uma senhora lhe deu uma autorização de 15 dias para permanecer na Malásia para que ela pudesse comprar o seu bilhete e ir para casa.

Entretanto descobriu que não tinha acesso à conta para comprar o bilhete e teve de andar a pedir dinheiro, depois de chorar sozinha por mais de 1h30. Mas voltou a casa.

Ao contar a história aos amigos, descobriu que ter ouvido o instinto e não ter assinado aquele documento foi o melhor que lhe passou. Uma "amiga de uma amiga", tinha estado numa situação parecida e quando pressionada a assinar, assinou a pensar que se ia livrar do problema e acabou presa mais de um mês.”

 

Saber dizer NÃO, mesmo quando a pressão é muita, é essencial para a nossa qualidade de vida. E ASSINAR SEM COMPREENDER é PERIGOSO.

 

Aconselho-vos a colocar um ALARME ESTUPIDEZ da próxima vez que estiverem para assinar sem entender. Em vez de assinar sem ler peçam para analisar o documento com calma e se for preciso peçam uma cópia para ler em casa e consultar os termos técnicos que desconhecem. Se mostrarem má vontade em ceder a cópia é porque não vale a pena estabelecer nenhum tipo de contrato com essa pessoa ou instituição. Este conselho serve para qualquer coisa, desde o depósito no Banco ao contrato de venda agressiva, passando pelo documento das finanças, etc…

Não entendo, não assino, expliquem-me primeiro!

 

 

Se o documento estiver num idioma que não é o nosso materno, devemos pedir uma cópia no nosso idioma materno como prevê, por exemplo, a “Convenção Europeia relativa ao Estatuto Jurídico do Trabalhador Migrante” que podem consultar aqui os princípios gerais: http://www.gddc.pt/direitos-humanos/textos-internacionais-dh/tidhregionais/conv-tratados-24-11-977-ets-93.html Em caso de um contrato de trabalho é MUITO IMPORTANTE saber quais são os direitos que nos assistem e as obrigações também para que não cometamos falhas por ignorância e que podem custar muito caro.

 

Com um pouco de bom-senso e se não cedermos a precipitações e pressões, podemos ter uma vida sem sobressaltos burocráticos que se não nos matam, nos tornam a existência uma desgraça. Reflictam-no, porque existe muita gente com vidas que não suportam apenas por que assinam e aceitam tudo o que lhes propõe sem cuidado nenhum.

 

Vivemos uma época onde a burocracia é uma praga que se encontra por todo o lado. Sendo complicado estar a par de tudo e de todas as leis, pelo menos ter o cuidado de saber e entender bem o lugar onde colocamos a nossa assinatura, porque ela é a nossa afirmação de que aceitamos aquilo como verdade!