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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

O que nunca se pode ouvir da boca de um colaborador para outro...  

“TENS DE FAZER ESCOLHAS. TENS DE ESCOLHER ENTRE OS TEUS FILHOS E A EMPRESA!” – isto é normal ouvir-se nos corredores das empresas apesar de ser CRIME.

 

Faz mais de 8 anos, eu estava a trabalhar na Caixa Central de uma renomada empresa de grande distribuição portuguesa ao lado da minha subchefe, quando uma operadora de caixa pediu para falar com a chefe de serviço. Ela entrou na Caixa Central e não fez questão que eu saísse, por isso assisti a toda a conversa.

A operadora de caixa pediu à subchefe que lhe trocasse um turno para poder ir à escola da filha a uma reunião.

A responsável de serviço nesse momento, a dita subchefe, nem pestanejou para dizer “não pode ser!”

A operadora de caixa, espantada, disse-lhe que não lhe estava a pedir nenhuma banalidade, que era importante ir à reunião da escola da filha, que precisava se ausentar e para não atrapalhar o serviço, pedia-lhe que trocasse o horário. De outra forma, usaria o que a lei lhe dava direito.

A subchefe, num acto de insensibilidade que se repetia várias vezes, pronuncia as palavras fatais: “Tens de fazer escolhas. O trabalho ou a reunião! As duas coisas não podem ser.”

A operadora virou costas e saiu. Eu fiquei gelada. E apesar de não me tremer a voz quando preciso chamar a atenção para algo que não está bem, confesso que demorei a reagir. O que me ocorreu dizer passado um bocado, foi que "não custava nada trocar o horário, até porque se trocavam horários todos os dias naquele serviço". A subchefe não estava para ouvir!

Perdoa-me Fátima, não soube na altura que mais fazer para te ajudar.

 

A verdade dos factos é que a operadora faltou e apresentou a justificação. A empresa substituiu-a com tempo e mesmo assim viu as horas serem retiradas do seu magro ordenado. Falamos de uma mãe solteira que contava com a ajuda dos pais para sobreviver.

E isto ocorreu num serviço onde se trocavam (e trocam) horários todos os dias, muitas vezes para facilitar a alguns, que fossem jantar com os namorados, que não perdessem o concerto do cantor do ano e outros motivos "nobres" do género mas, facilitar a vida daquela mãe que não se estava a recusar trabalhar, apenas queria a possibilidade de o fazer noutro horário não foi possível, não pode ser.

 

Esse episódio, mais tarde foi a minha força para lutar pela mãe que eu queria ser e não me deixar ficar com a versão de mãe que a empresa me queria desenhar. Esse episódio e outros que o antecederam e outros tantos que se seguiram, foram o exemplo, daquilo que eu não queria viver.

 

Fui tirar este “coelho” à cartola neste momento, porquê?

 

Porque acabo de ter conhecimento de uma situação do género, que ocorreu faz poucos dias. Os contornos são distintos, a essência do problema é o mesmo.

Um pai franco-português divorciado, em França, foi confrontado por um chefe directo quanto ao facto de dedicar tempo aos filhos e assim prejudicar a empresa. Como se uma coisa tivesse algo que ver com a outra. O dito pai vê os filhos de 15 em 15 dias e em alguns dias combinados com a ex-mulher, o que implica que se tenha que dirigir à terra onde os filhos habitam actualmente. Para isso, nessas alturas cumpre o seu horário. Mas, o chefe directo acha que o facto de este pai cumprir apenas o horário de serviço e não dar horas extras a torto e a direito é prejudicar a empresa. ESTAMOS EM 2017, e a mente tacanha e quase criminosa destas chefias intermédias a mal formadas continua a cometer os mesmíssimos erros.

 

Estas acções prejudicam mais do que é possível ver no primeiro momento e não produzem nada para as empresas. Vejamos:

  • Um funcionário pressionado da forma errada é menos produtivo;
  • Alguém que tem de escolher entre a família e a empresa, nunca vai oferecer tudo o que podia a nenhuma das duas;
  • Com o tempo essa divisão vai desmotivando e os colaboradores viram meros empregados que cumprem o mínimo para justificar o ordenado;
  • Prejudica-se o factor família que é o maior estimulante da economia no mundo;
  • E por consequência prejudicam-se as organizações empresariais;
  • Um funcionário insatisfeito é um funcionário doente;
  • A doença é motivo de ausência ao serviço e se não houver factor família como apoio as doenças tendem a alargar-se;
  • Etc… (porque numa época que se fazem estudos para tudo é só consultar as revistas das especialidades e ficam a conhecer tudo o que nomeio!)

A maioria das pessoas que se despede das empresas, fazem-no por quaixas contra as chefias e não pelo trabalho. Pois estes disparates que saem das bocas de chefes mal preparados, confirmam-no.

Vi muita gente com avaliações de desempenho anuais altíssimas, abandonarem “o barco” por “porcarias” como estas. Eu faço parte desse grupo de pessoas que dava tudo pela empresa até que ela me fez escolher entre ela e o meu filho.

A escolha foi fácil: e tenho uma família linda! Passaram-se anos e não se passou fome. As coisas ajustam-se para quem não se conforma apenas com o que supostamente lhe dão. Até porque as empresas não nos dão trabalho como nos convenceram, elas compram-nos a prestação dos nossos serviços. Por isso existe a necessidade de um contrato que define o serviço a prestar e o preço a cobrar. 

 

Sei que estas situações continuam a ocorrer por as empresas deste mundo e apenas vos peço: denunciem, falem do assunto, dêem a conhecer, NÃO SE CALEM, INDIGNEM-SE! Por favor!