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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

O que podemos fazer em caso de maus tratos na escolinha?

Muitos pais vêem-se entre a espada e a parede na hora em que acaba a licença de parentalidade. É hora de voltar ao trabalho, porque existem responsabilidades a cumprir, mas existe uma ainda maior: uma criatura nossa, totalmente dependente com pouco mais de 50cm.

 

Muitos confrontam a dolorosa situação de ter de optar por deixá-la, nos horários laborais, nas mãos de totais desconhecidos. Desconhecidos, profissionais do sorriso fácil e tranquilizador mas que muitas vezes esconde uma falta de paciência para os normais choros, fraldas e biberões dos nossos pequenos.

 

A falta de experiência, o cansaço de muitas noites sem dormir, muitas vezes leva-nos a escolher a escolinha de forma errada. E aceitamos como verdade universal o que nos vendem e, não tem e nem pode ser assim.

 

Eu caí nessa situação. Por isso partilho aqui o que aprendi com esse erro, para que vocês o possam evitar.

 

  • Escolher a escolinha porque é a mais perto de casa!
    • É verdade que nos poupa deslocações, e afinal não conhecemos mais nenhuma mesmo. Mas não caiam nesse erro, investiguem: perguntem a outros pais (qual a escola onde tiveram as suas crianças e qual a sua opinião, tentem saber como é a escola, a cantina, o pessoal de serviço), perguntem no centro de saúde à enfermeira;
    • Vão visitar à escolinha! Sim batam à porta, expliquem que querem conhecer as instalações porque têm um bebé que provavelmente irá passar aí algum tempo. Se vos negarem a visita, ou não vos deixarem visitar durante o funcionamento desconfiem (algo escondem) e procurem outra;

 

  • Aceitar as regras como universalmente verdadeiras apesar de não se sentirem confortáveis com isso!
    • Na primeira escolinha do meu filho, apesar de eu ser a responsável legal, não me deixavam entrar na cantina, alegavam que era para não perturbar. Ao início aceitei, apesar de desconfortável: ERRO. Falamos de crianças que deviam estar com os pais e que só vão para as escolinhas porque o mercado laboral infelizmente está mal pensado para as famílias. Não aceitem nenhuma regra que vos impeça de ver os vossos filhos a qualquer hora do dia e mediante qualquer circunstância.
    • Escolham uma escolinha em que não existam barreiras visuais, como portas fechadas. São as nossas crianças que aí estão e eu quero ver o que acontece.
    • Exijam que o vosso filho seja tratado segundo a vossa visão de educação: se vocês não batem e nem gritam, não permitam que um estranho à família o faça. Se alegam que têm necessidade de o fazer porque são muitos, tirem a vossa criança daí e alertem a direcção essa pessoa não tem vocação para o lugar.
    • Logo no primeiro dia, obrigam a que o pequeno fique lá sem a vossa presença. Não! Exijam acompanhar os primeiros dias. Fiquem por lá, a ver a dinâmica e a mostrar ao vosso pequenino que se vocês confiam, ele também pode confiar. Nós, pais somos o melhor indicador, para os nossos filhos. Eles tendem a imitar-nos em tudo, por isso se nós estamos bem eles ficam bem. E depois vão deixando ficar todos os dias um pouquinho mais. Se não deixarem, não serve.

 

  • Deixar que vos imponham condutas de educação que vão contra o que pensam e com as quais se sentem desconfortáveis!
    • Por exemplo, na hora de deixarem o vosso filho na escola, e tiram-lho dos braços a dizer que chora um bocadinho mas logo se habitua! Eu não gosto desta situação, deixa-nos aflitos e planta insegurança nos pequenos. Aí, imponham-se e obriguem a que vos dêem tempo para se despedir e explicar ao pequenino que “é só um bocadinho”, que não tenha medo que “a mamã já vem ter com ele”.
    • Vão busca-lo, quando vos apetecer mesmo que interrompam o lanche. Eu acho que os pais até devem criar o hábito de nunca aparecer à mesma hora. Foi assim que apanhei o que não queria que tivesse acontecido.
    • Outra coisa que algumas escolas fazem é colocar os miúdos a ver Tv, para estarem quietos. Se em casa nos esforçamos para que eles não estejam feitos vegetais em frente à Tv, não permita que os outros sejam preguiçosos e estraguem a educação e hábitos que quer ver semeados nos vossos filhos;
    • E discuta o seu conceito e objectivos de educação com a educadora, não deixe que ela imponha apenas a sua visão. Ela tem um diploma, mas a mãe é você. E muitas educadoras ainda não sabem o que é perder uma noite de sono, por isso só têm a ganhar com a interacção com as mamãs.

Apesar dos cuidados, o que fazer quando nos deparamos com situações graves de maus tratos, negligência, falta de higiene, …

 

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  "A mão que educa, maltrata." - Foto do site AnimASC (texto sobre intervenção profissional em caso de maus tratos).

É muito difícil gerir estas situações. Porque temos obrigações laborais a cumprir e não temos a quem deixar os pequeninos.

 

Por falta de experiência numa situação destas, em que existiam muitas dúvidas e um grande desconforto ao deixar o meu filho na escolinha, acabei por cometer erros e custou-me corrigi-los.

 

Quando me deparei com factos, que corroboravam o meu desconforto tive alguma dificuldade em perceber o que fazer. Por essa razão deixo aqui os pontos-chave partilhados, caso alguém se sinta tão perdido quanto eu, naquela altura.

 

O que fazer perante uma situação grave na escolinha?

 

  • A primeira coisa que o meu instinto me mandou fazer foi tirar de lá o meu bebé. Mas fiquei com um problema, como justificar a ausência no trabalho? Avisei as minhas chefias, resumindo a situação (mas não se deve esperar ajuda deste lado) e coloquei-me a pesquisar: descobri os direitos dos pais trabalhadores resumidos aqui no site do CITE e no Diário da República, e fiz valer o meu direito de assistência ao meu filho junto da entidade patronal. Resolvida a situação no trabalho, precisava de actuar junto da escolinha, até porque tinha obrigação de proteger o meu filho e os outros pequeninos.

 

  • Entrei em contacto com a direcção da escolinha. Mas aqui o problema é o encobrimento. Porquê? Primeiro por causa da imagem da escola e depois porque muitas vezes estes funcionários são contratados apenas por um critério a “cunha” e ninguém gosta de se ver confrontado com os erros, não é? Como a escola não actuou, tive de procurar outras formas de actuar;

 

  • Pedi o Livro de reclamações. Que não pode ser negado, caso se verifique devem pedir a presença da polícia no local, para registo da queixa;

 

  • Queixa registada, é preciso colocar a Segurança Social a par dos factos, para que investiguem e para isso devem ir ao balcão da vossa área. Podem ainda entrar em contacto com a câmara municipal da área da escolinha, ou mesmo do Ministério da Educação.

 

  • Em caso de gravidade, a policia e a assistência social devem ser de imediato avisadas.

 

Se todos exigirmos respeito pelo nosso papel de pais e pela integridade, saúde, educação e conforto das nossas crianças, vamos obrigar a que o ensino, as escolas e escolinhas se obriguem a melhorar o serviço prestado.

 

Eu acho que existem alguns pontos que podem e devem ser melhorados em todos os estabelecimentos de ensino do país:

 

  • A contratação do pessoal auxiliar ser condicionada a formação específica e a prova de vocação, e nunca por “cunha”;

 

  • É preciso existir supervisão. Primeiro parental e depois por técnicos. Mas não pode ser como a que existe actualmente que é avisada a auditoria, permitindo a maquilhagem dos defeitos e falhas. Tem de ser mais uma supervisão do estilo ASAE, de surpresa;

 

  • A construção dos espaços não deviam permitir barreiras visuais entre os espaços e muito menos portas fechadas, sem vidros que permitam verificar a dinâmica da sala sem ter de a interromper. É mais tranquilizante para pais e garantem a boa conduta dos funcionários;

 

  • E depois na era das tecnologias, em que se colocam câmeras em todos os edifícios públicos e não só, não entendo porque não as colocam nas escolas, principalmente no caso de creches que têm crianças que nem sequer sabem queixar-se dos maus tratos (por exemplo bebés). Claro que a responsabilidade das imagens captadas deve ser de uma entidade/empresa exterior à escola, para evitar contaminação de factos e provas;

 

  • E no caso dos bebés, porque não dar acesso em tempo real aos pais nos seus computadores e telemóveis à situação do filho. Seria um serviço de grande credibilidade e qualidade.

 

Apesar de todas estas medidas eu continuo a achar que crianças com menos de dois anos não deviam frequentar estes estabelecimentos. Nesta fase, em que desenvolvem os seus laços afectivos, deviam estar ao lado dos pais. Só quando começam a desenvolver as suas capacidades sociais, como falar, é que poderiam ir para a escolinha e por curtos períodos de tempo nos primeiros anos.

 

O que assistimos hoje em dia, é crianças a permanecer nestes espaços quase doze horas diárias (das 7h às 19h), como é que elas poderão criar laços afectivos? Com aquelas estranhas que desaparecerão das suas vidas num ano ou dois? Claro que não.

 

Os pais também têm de assumir o seu papel. E têm de o fazer antes de exigir seja o que for a terceiros.

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Imagem do Blog de Rianny Rocha, que também sonha mudar o mundo. 

 

Eu acredito, como o Sr. Mandela que um futuro melhor só vai ser possível através da educação. E para essa obra ser bem fundada e crescer tem de começar com a contribuição de cada um de nós. Essa contribuição começa com as nossas acções diárias e com o que exigimos das nossas instituições.

Não podemos estar sempre à espera que “os outros” resolvam o mundo por nòs, porque “eles” também esperam o mesmo de nòs.

 

Nota: Depois desta odisseia com a primeira escolinha do meu pequeno aprendi. Encontrei uma escolinha que correspondeu aos meus requisitos. Obrigada AHMA pela vossa colaboração e ajuda na educação do meu filho. A vossa parte foi feita com sucesso. A MINHA CONTINUA, e outros desafios aguardam.

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