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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

O que sabemos ser correcto e o que realmente nos dá jeito...

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Vivo actualmente numa vila antiga (do tempo dos romanos), mas que foi muito bem desenhada/organizada para a vida actual: centralizaram os principais serviços que são necessários ao cidadão actual, fizeram uma zona pedonal, colocaram um parque de estacionamento perto, e à volta nasceram os bairros residenciais.

Parece perfeito para que a utilização do carro, se diminua. Parece... Mas, não se contou com a preguiça típica do ser humano.

Todos os dias ligamos a Tv, ouvimos o rádio, lemos o jornal, abrimos o computador e somos chamados à atenção para as alterações climáticas, para a necessidade de limitarmos os nossos excessos para que a natureza seja nossa aliada e não se transforme definitivamente em nossa inimiga. (O planeta é um organismo vivo e não sei se poderemos impedir o curso da sua evolução, mas sei que podemos contribuir para que não seja de destruição imediata!)

 

Na realidade, nós somos parte da natureza, mas achamos que somos superiores a ela. Um dia acreditamos que Deus construiu um Universo inteiro para nós, e mesmo com triliões de provas a contradizer esse facto, continuamos lá no fundo a achar que sim, SOMOS ESPECIAIS.

 

Tão especiais que apesar dos constantes avisos, não fazemos quase nada para colaborar (tirando um gesto ou outro que alivie a consciência), na árdua tarefa de mantermos vivo este planeta que sem o qual deixamos de existir.

 

Achamos sempre que os outros são os que têm de fazer alguma coisa. Não sabemos muito bem quem são os outros, mas eles são os que têm de agir. E com a intervenção do Divino Espírito Santo, isto resolve-se.

 

Não se resolve, e os factos estão aí: calor quando devia fazer frio e vice-versa é o mais visível, mas existem outros fenómenos como as cheias constantes, ou os tornados em sítios que antigamente não contavam com esse fenómeno, e etc…

 

“Os outros”, os governos desta vila onde moro, tentaram fazer algo: construíram para que não seja preciso utilizar tanto os veículos motorizados, para diminuir a emissão de gases na atmosfera.

 

E o que faz o simples cidadão informado?

 

Esta semana chamou-me a atenção o seguinte:

 

O parque de estacionamento da vila, fica muito perto da escola do meu filho, e passo por aí diariamente para o levar à escola. Fazemos esse pequeno percurso a pé, quatro vezes por dia.

Invariavelmente, o parque está cheio, mas até aí tudo bem, porque as pessoas das áreas mais longínquas utilizam os carros para chegar até aí (apesar de que a câmara disponibiliza um mini-autocarro com vários horários e possibilidade de através de um telefonema, fazer marcações para dias e horas específicas).

Mas, reconheci um dos carros que costuma estar estacionado na minha rua. Mais uns dias de observação e cheguei à seguinte conclusão:

 

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Pelo menos 3 pessoas da minha rua usam o carro, diariamente, para percorrer cerca de 900 metros (consultar o mapa ao lado). E pelo menos 4 vezes por dia (ir levar, ir buscar para o almoço, ir levar e ir buscar). São menos de 10 minutos a pé. Demoram mais tempo em acomodar-se no carro, a ligá-lo, deixá-lo aquecer, arrancar e chegar, do que a ir a pé.

 

Podem alegar que nesta zona, o frio é muito. Sim, mas nenhum carro é assim tão rápido a aquecer. Se começassem a caminhar aqueciam, faziam exercício e contribuíam para a sua boa saúde e preservação do ambiente que sustenta a sua vida. E este frio com a roupa adequada é perfeitamente suportável. E nas lojas de solidariedade social, pode-se conseguir bons casacos com preços até 9€ (as roupas doadas à câmara, são tratadas, arranjadas e colocadas numa loja à venda com preços entre os 1.50€ e os 9€).

E isto é apenas um dos exemplos do nosso comodismo que observei esta semana.

Imagem do site "Imirante.com"

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Aqui onde moro actualmente, não faz muito tempo, existiu uma polémica por causa de uma das cadeias de hipermercados, começar a vender a fruta pronta a consumir dentro de embalagens. (E aquilo vendia-se, mesmo com um preço doido!!!!)

 

Imagem do site "descartaveisdelivery".

564_1154.jpgO comodismo é uma fonte de rendimento tão grande para as empresas que elas não hesitam em fazer o trabalho por si: descasca-lhe a laranja para que precise apenas de engolir.

Qual é o problema aqui?

 

Na realidade são dois: não se mexe nem para descascar uma laranja é sinal que a sua saúde não deve andar/ou não vai ficar muito bem (gastos para o SNS e poluição na produção, transporte e embalamento de medicamentos), e é mais uma embalagem para o enorme monte de lixo que a sociedade produz todos os dias.

 

(Uma embalagem de isopor/”covetes”, leva +/-8 anos a ser reabsorvida pela natureza, e não sabemos a que real custo). Podem consultar a tabela no Site da Globo, para ter uma ideia.

 

Deixo aqui descritos estes dois exemplos ilustrativos do nosso comportamento actual e de como esse “comodismo” excessivo ao longo do tempo, pode agir contra nós.

Esperamos confortavelmente que os outros façam por nós, mas não colaboramos ou colaboramos muito pouco.

 

As empresas existem para suprir as necessidades humanas. Se passamos constantemente sinal de que precisamos de mais automóveis, porque somos incapazes de fazer 900m a pé, ou que precisamos de embalagens de plástico, porque já nem a nossa fruta conseguimos consumir sem estar pronta a ingerir, as empresas e indústrias vão tentar dar resposta a essa nossa necessidade. Sem tomarmos consciência, por falta de paciência para ter uma visão mais global deste nosso mundinho, estamos a contribuir para os desastres ambientais e de saúde pública que têm ocorrido. (Somos manipulados, porque nos acomodamos!)

 

Não podemos esperar eternamente pelos outros, temos de agir também.

 

Não digo, que de repente deixemos de consumir estupidamente, porque reeducar é uma tarefa complicada e que leva o seu tempo. (Por exemplo, não entendo a necessidade de ter verdadeiras sapatarias em casa, moda actual das mulheres supostamente de sucesso. Gosto de museus. Mas na minha própria casa?)

Nem que não nos permitamos uns comodismos. O uso do carro, de vez em quando, para percursos médios onde existem bons transportes públicos, porque é mais rápido do que esperar, mas sempre e em percursos ridiculamente curtos, não.

 

Acho que está na hora de olhar o mundo à nossa volta com olhos de ver, e analisar o nosso comportamento individual e ver de que forma é que alimentamos a nossa desgraça.

E com algum esforço, tentar reeducar os nossos hábitos.

 

O ser humano é especial, tão especial que apesar de poder recorrer a memória de longo alcance temporal, prefere a memória imediata. Isso vê-se na forma como adopta modas sem pensar em consequências, ou nos adeptos do álcool que no imediato dá a euforia, apesar de sabermos que no decurso do tempo o preço a pagar é alto.

 

Queixamo-nos muito, exigimos muito aos outros, e nós? De que forma podemos contribuir?