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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Porque nos são os vilões tão necessários? Honestidade assusta-nos?

Eu achava que o maior medo da humanidade era a violência em todas as suas formas. Estava errada. Hoje sei que o maior medo é a honestidade.

Os que nos assustam são os que fazem, ou tentam fazer BEM.

 

Preparamo-nos a vida toda para lidar com o lado obscuro da Humanidade, mas quando alguém é puramente honesto connosco ficamos perdidos e o medo paralisa-nos. Será? É a pergunta. Na dúvida, decidimos que “não é”, e matamos logo ali a hipótese de que algo realmente bom surja.

 

Podia enumerar milhões de situações que vocês acrescentariam outras tantas.

 

Mas existe uma situação em particular, que me fez reflectir na nossa necessidade de ter vilões nas nossas vidas e na forma como a Sociedade os constrói.

 

Baseando-me nos factos que têm saído nas notícias:

 

O GNR Hugo Ernano, no cumprimento do seu dever faz o que pode e está ao seu alcance e regulamentado nos códigos da sua profissão para proteger os colegas que o acompanham e não colocar em perigo as pessoas que estavam no caminho de um carro, onde seguem assaltantes armados (terceira vez dos mesmos segundo a chamada que recebe a pedir a intervenção). Ele sabia o que o carro ia encontrar : o largo exterior à Casa do Gaiato onde os pequenos costumam brincar. Faz o que é preciso, depois de ele próprio ter sido ameaçado de atropelamento quando dá ordem de paragem ao dito veículo (cujo interior não é possível ver porque os vidros são escuros).

Segundo consta, estes factos estão provados em tribunal.

 

Mas o profissional que cumpre o que é suposto, teve azar: o LADRÃO lembrou-se de colocar no carro o filho de 13 anos que acaba morto por uma bala da arma que o polícia foi obrigado a usar. E depois a justiça portuguesa que não define se serve para defender os “bons”, ou proteger os “maus”.

 

O caso vai a tribunal e até aí tudo bem.

Mas o que não me parece nada bem é transformar a vida do profissional num inferno, levando a que toda esta classe se questione se vale a pena cumprir ou não, a sua função: proteger os inocentes dos criminosos.

Justiça-de-olho-aberto.jpg

 

Condenar este profissional porque agiu com base no que sabia e, não adivinhou o que seria. E ainda premiar os criminosos com uma indeminização. Estava de serviço, não o esqueçamos.

 

Sabemos que existem profissionais que são uma vergonha para a classe. Quem não se lembra do polícia que espancou um homem à frente do filho por uma “mariquice qualquer empolada pelo stress”?

 

Imagem do blog de HelderMoura.

Mas ficou provado que o polícia Ernano, fez o melhor que podia dentro das circunstâncias que encontrou. Então onde anda a justiça?

 

Quem pôs o filho em perigo foi o próprio pai. Ele é que devia ser condenado. Por acaso o rapaz morreu do tiro, mas podia ter morrido devido à má condução do pai, que estava a cometer crimes e estava a fugir à polícia.

E foi o pai que o levou para aquela situação que sabia, era de risco desde o início. Só não saberia se fosse tolinho. Provou-se que não tinha valores morais mas não que sofresse de perturbações mentais que o impedissem de ter noção do que estava a fazer.

 

E mesmo que tivesse, era obrigação do polícia saber?

Se assim for distribuam bolas de cristal aos polícias junto com as armas.

 

Para acabarem de entender o tamanho da minha confusão com os princípios que devemm reger a justiça, espreitem aqui e reparem na diferença entre a pena dada a um profissional a cumprir o que a sociedade espera dele, e a atribuída a um cidadão desonesto e irresponsável e que estava foragido da cadeia de Alcoentre.

 

Parece-me que a justiça também sofre desse mal humano, e não sabe lidar perante a honestidade e a clara falta dela.

Envia constantemente à sociedade sinais de que mais vale estar do lado do crime, que tentar ser honesto.

 

Este é apenas um dos casos, mas existem por aí aos milhares: na vida de cada um, no nosso trabalho, na política…

Mas a mim parece-me particularmente grave na Justiça, porque é ela que mantém a balança do caos e da anarquia controlada nas nossas sociedades.

 

PS: Como é que este polícia explica aos dois filhos que fazer o seu trabalho não compensa?

Como é que eu explico ao meu filho que a justiça é mais pesada para os que tentam cumprir do que para aqueles que fazem do “prejudicar os outros”, uma forma de vida?

Como passar valores morais com estes exemplos na sociedade?