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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Procuramos a Felicidade?

AVISO: Se procura rir por pura futilidade ou ver o que anda na moda, este texto não é para si!

 

Existe um facto comum a todos os Humanos, a procura da Felicidade. Todos queremos ser Felizes.

Imagem no site Gestão do Stress

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Tentamos encontrá-la na blusa nova, na vida alheia, no copo de cerveja, no sorriso do outro, na gargalhada fugaz, nas cartas, nos signos, em tudo o que é exterior em nós.

 

Poderemos encontrá-la algum dia?

Se a Felicidade existe, ela deve andar dentro de nós, bem lá dentro. Tão escondida que até hoje poucos a descobriram. Tão lá dentro, que o choque com a consciência na maioria das pessoas deve impedir que se aflore ao nível de ser sentida. Alguns duvidam da sua existência.

 

ESTA IMAGEM INSPIRA FELICIDADE? Como? Porquê?

Eu vejo alguém a tentar alcançar algo que não consegue abraçar!

 

Se a Felicidade existe, como é que a podemos sentir?

 

Estamos equipados com sentidos que consciente e inconscientemente nos vão dando conta das situações em nosso redor. Nos dias que correm esse redor é de dimensões cada vez maiores. Vamos tentando concentrar-nos nos nossos problemas, mas para os resolver na prática necessitamos dos outros.

 

Ninguém ri sozinho, é preciso outro. O outro pode ser o actor do filme, o autor do livro, o companheiro de trabalho com quem nunca cruzamos palavra, o fotógrafo da foto, ou apenas uma situação em que pensamos “imaginem que alguém me via”, mas é “alguém” conhecido ou desconhecido que produz em nós a vontade de sorrir/rir.

 

Os sentimentos que se produzem em nós são o veículo da Felicidade. E os sentimentos nascem da relação com os outros. Até a falta dos outros nos produzem sentimentos: a solidão, a rejeição são exemplos de sentimentos produzidos pela ausência dos outros.

 

Se a Felicidade chega a cavalo dos sentimentos, e são os sentidos a porta de entrada, como é que alguém pode achar que vai conhecer Felicidade absoluta, se ouve os gritos da vizinha todas as noites, se vê gente emagrecida e com a mesma roupa dia após dia a passar por si no caminho para o trabalho, se sabe que meninas sem defesa são violadas todos os dias, se sabe que os seus familiares no lar provavelmente são esbofeteados por funcionárias sobrecarregadas e sem paciência, se sabe que pode dar entrada num hospital e morrer esquecido numa maca em um qualquer corredor, se sabe que por políticas subjugadas às potências económicas metade do planeta passa fome apesar de dispormos dos meios técnicos para a distribuição e serem colocadas ao lixo toneladas de comida, se sabe que atrás da fachada da religião milhares de pessoas são manipuladas na sua ignorância e outras tantas são tratadas de forma desumana e com total falta de respeito, se sabe que ao lado o filho do vizinho não tem que comer a não ser “porrada”, se sabe que na rua abaixo a única coisa que chega à mesa é o vinho para enganar o estômago e a realidade, se sabe que os jovens crescem sozinhos e à base de drogas mesmo que não exista dinheiro para mais nada, se sabe …

 

Os nossos sentidos não têm filtros. Os nossos sentidos de forma consciente ou inconsciente registam a realidade à nossa volta. Os que não a deturpam com o recurso a substâncias que alteram esse estado de consciência, vêm-se no dilema de querer ser Feliz, mas não conseguindo encontrar a forma de o fazer com esse emaranhado de infelicidade que está construído ao seu redor.  

 

As realidades que os nossos sentidos registam, produzem-nos sentimentos contrários aos capazes de produzir a Felicidade.

 

Tentamos contrariar, fazendo o que gostamos, traçando objectivos, minimizando a infelicidade alheia, e aí colhemos Momentos de Felicidade.

 

Mas a Felicidade Absoluta? A mim parece-me uma utopia, uma equação impossível, um caminho sem fim.

 

Ernest Hemingway disse alguma vez que “A Felicidade em pessoas inteligentes é das coisas mais raras que conheço”.

 

 

Eu acho que não é só rara. Não existe. E a inteligência aparece como o filtro maior dos sentidos, impossibilitando ao seu “dono” a possibilidade de fazer de conta, de se enganar, de brincar aos mundos perfeitos, de se iludir.

 

É impossível viver este mundo, e dizer que estamos felizes se tivermos consciência. Podemos produzir momentos felizes, no convívio com os outros, nos piqueniques, nos passeios, nas leituras, ao visionar um filme, ao comemorar uma conquista,…

 

Mas no inconsciente vai estar sempre o sentimento de impotência perante a realidade alheia, a consciência da nossa impotência em impedir que as realidades menos favorecidas em algum ponto da nossa história, se vão cruzar com a nossa.

 

Dizia José Saramago no programa "Roda Viva" em 2003 que “Somos carneiros que agora dão a lã, e amanhã darão a carne”.

 

Todos temos consciência que isso é a possibilidade mais certeira. Por isso arrepiamos caminho “feitos tontos” à procura da Felicidade em todas as esquinas e apeadeiros que nos apareçam. É um vale tudo, que inclusive passa por cima da realidade alheia, sem percebermos os círculos que descrevemos.

 

Hoje arrumamos os nossos velhos nos lares, para vivermos leves. Não resolvemos realmente a situação, e logo o círculo fecha, e o velhinho fechado e amarrado à cama sem qualquer controlo de nada somos nós.

 

Hoje não queimamos pestana com a situação política do país, até que ficamos sem rendimento, taxados até ao ar que respiramos.

 

Hoje abdicamos das leis laborais, em troca de uma promoçãozita, até que ficamos sem direitos e sem emprego.

 

A busca de Felicidade no imediato, sem consciência do tamanho e tempo que engloba, faz com que inconscientemente hipotequem o futuro, criando mais oportunidades de frustração do que de Felicidade.

 

Se a Felicidade existe, ela é uma relação de conjunto, em que uns produzem sentimentos nos outros, e na actualidade, não estamos a aproveitar essa capacidade. Vivemos cada vez mais sozinhos.

 

A Felicidade será a máquina interna de cada um, que estando em óptimo estado, recebe os sentimentos e se alimenta de consciência limpa. Para que isso aconteça, é preciso trabalhar em prol da felicidade do outro, para que depois ele emita os sentimentos correctos.

 

Um dia, conseguirei explicar de uma forma mais concreta e simples. Um dia!