Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Qual é o perigo de o sistema de saúde não ser para todos ?

É do conhecimento geral (pelo menos até agora nunca foi desmentido) que a maioria das doenças se expande por contaminação. Seja contaminação aérea ou por contacto, mas a verdade é que grande parte das contaminações se dá em cadeia. Em ambientes onde a higiene seja um problema, o perigo dessa cadeia se expandir e crescer aumenta significativamente. Se as pessoas que formam essa cadeia tiverem problemas para se manterem correctamente alimentados, hidratados e descansados a propagação pode ser imparável.

 

Convivemos todos os dias uns com os outros, é necessário que isso ocorra pelos mais diversos motivos sociais e emocionais. Fazemos parte dessa cadeia e convém-nos que se encontre saudável. Eu posso gastar muito dinheiro em alimentação biológica, frequentar os melhores ginásios, ter acesso aos melhores médicos e mesmo assim estou em constante perigo se a cadeia de relações onde me insiro não for uma cadeia saudável.

 

Muitos acham que dar acesso à saúde a todos os cidadãos é um luxo a que apenas os que trabalham e ganham dinheiro deviam ter (nem todos os que trabalham ganham dinheiro, é um facto), eu acho que esse acesso universal é uma necessidade. Precisamos garantir que todos estão saudáveis para que todos tenhamos possibilidades de não sermos contaminados.

Imagem da Wikipédia.

Vou tentar explicar de outra forma:

Papel-ricos2.jpg

Imaginemos um Mundo onde construímos Gaiolas de Cristal para as pessoas ricas e que ganham dinheiro e deixamos fora dessa gaiola, todos os outros.

 

Apenas as pessoas que se encontram dentro da Gaiola de Cristal têm acesso a médicos, porque é um recurso que se tornou demasiado caro para todos lhe acederem.

 

Agora imaginemos a sociedade dentro da Gaiola de Cristal: apartamentos cirurgicamente limpos, roupas impecáveis, comida biológica da melhor qualidade, etc…

 

Fora da gaiola morre-se de sarna, de piolhos, de feridas infectadas, etc… Não existem médicos caridosos suficientes para tanta “peste” e ainda menos são os recursos disponíveis para curar estas coisas tão supostamente simples.

 

Para alguns isto é a descrição do mundo ideal, para outros isto é apenas um retrato do que se passa no Mundo, para mim é parte da vista visível do problema e está muito longe do que será o MUNDO IDEAL.

 

Para termos dentro da Gaiola de Cristal uma higiene pulcra precisamos de mão-de-obra, porque ainda não se inventou nada que substitua a mão que limpa a sanita e a desinfecta com lixivia. Quem é que faz esse trabalho? Pode ser a dona de casa que também trabalha fora, porque para estar nesse mundo é preciso que se trabalhe e se tenha dinheiro, mas o mais certo por uma questão de tempo é que se contrate uma doméstica, uma senhora a dias, uma empregada. Como não existem doutores nesta área da vida profissional e poucos gostam de limpezas e do trabalhão que dão, provavelmente é preciso ir buscar mão-de-obra à camada pobre que vive fora da Gaiola. E com esses trabalhadores medicamente mal assistidos chegam as doenças.

 

Para que dentro da Gaiola de Cristal se comam as melhores couves biológicas, as melhores sojas, as melhores sementes elas terão de ser semeadas, plantadas, tratadas, colhidas e distribuídas. Quem é que faz esse trabalho? Normalmente a camada mais pobre da população. É verdade que as pessoas já conseguem ter acesso a muita maquinaria que nos ajuda na produção, mas ainda não nos substitui, continua a ser preciso a intervenção humana para que as coisas corram bem. O ideal, na minha visão, está aí nessa relação homem-máquina em que o Homem controla a máquina, nunca no contrário.

Os pobres tendo contacto com a comida que os ricos vão ingerir, farão com que o perigo de contaminação seja real. Ah! Mas existem químicos que podem evitar essas situações, dizem-me vocês. Certo. Se usamos o recurso a químicos deixa de ser biológico e as possibilidades de desenvolver cancro aumentam exponencialmente acreditando nos últimos estudos que têm saído na comunicação social.

 

Não é possível a construção de um mundo sem a participação de todos, ou pelo menos não o foi até aos dias de hoje. Todos somos precisos, todos contribuímos de alguma forma para que a sociedade funcione: uns alimentam-nos, outros fazem-nos chegar os alimentos, existem os que nos curam, há os que nos defendem, temos aqueles que nos dirigem que deviam fazer a sociedade funcionar com a harmonia de um piano bem afinado e maravilhosamente tocado e etc… e todos somos MUITO importantes.

 

Se uma das partes da sociedade não está bem, a outra está em perigo. Como quando nos doí aquele dedo do pé, que nunca nos lembramos que temos, depois de o mandar contra um pilar. Enquanto aquela dor não passar, todo o nosso corpo fica dependente dele. Até começar a doer não foi importante, quando começou a doer passou a ser o nosso centro de atenção. Vamos morrer por causa disso? Não, mas enquanto doer nada mais importa. O mesmo se passa com a sociedade, não nos importa aquilo que está distante das nossas relações diárias, até que essa parte interfira no natural decorrer da nossa rotina.

 

Com a pressa com que se vive, nem nos apercebemos do real impacto que o simples facto de uma pessoa não ter dinheiro para ir ao médico pode trazer à nossa vida. Se ela não se cura, é um potencial contaminador e com a cadeia em constante movimento, qualquer um pode ser contaminado. O Doutor que veste Prada não está imune a que o espirro da senhor que passa a ferro, na hora em que acabava de dobrar o seu fato, o afecte. A engenheira com os seus acessórios Chanel comprados em Paris respira o mesmo ar contaminado que o varredor de rua. Somos todos, peças do mesmo puzzle!

 

Garantir que ninguém tem de escolher entre comprar um pão para se alimentar ou visitar um médico para curar uma gripe, não é um luxo é uma garantia que a cadeia fica saudável para que todos possamos existir. A nossa vontade pode fazer a diferença na hora de decidir se vamos ser ricos ou pobres, mas a natureza não quer saber de nada disso e se te expões ela cobra.

 

O SNS é um bem comum a todos, deixá-lo morrer como estamos a fazer, é um ERRO grotesco.

 

Reflecti sobre este assunto, porque cada vez mais se vêem surtos de doenças supostamente desaparecidas. É verdade que as farmacêuticas e a sua sede de negócio são parte do problema e também é verdade que socialmente todos contribuem para que essas situações ocorram ao negar, ou pelo menos, ao dificultar o acesso a cuidados de saúde.

 

Reflictam! Não podemos permitir que os Governos salvem Bancos e deixem morrer o SNS. O Governo está à frente, mas os proprietários do país somos nós.