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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Quando é que começamos a preparar as gerações que nos vão suceder, com responsabilidade?

Foto de Thassiana Macedo, no site de JM Online 

 

“Um menino de quatro anos ficou em estado de coma após uma queda do terceiro andar, de cerca de 15 metros de altura. Guilherme Mano ter-se-á debruçado na janela do quarto…”, por Francisco Manuel no Correio da Manhã. E comentada hoje no programa "Queridas Manhãs", na Sic.

  Não se sabe ao certo o que passou. Tudo o que se diga é pura especulação, até às declarações oficiais. Mas deixar uma criança pequena sozinha em casa, é procurar problemas, no mìnimo.

  O que eu sei desta história em particular é nada. O menino frequentava a mesma escola do meu Gui, e era uma criança que pedia atenção (competia por ela mesmo com as mães dos outros meninos) e era muito nervosa.

  Sabia pelo “diz que disse” (que vale o que vale) que a família era desestruturada e a mãe muito nova. Que o único apoio era dado por uma avó, que tinha o seu trabalho e talvez a sua vida.

  Isso não explica nada, apenas que se sabia, à boca pequena, que deveria estar apoiada por algum tipo de técnico ou instituição e até onde eu sei, ninguém se quis meter. Eu própria não procurei saber mais.

 

 Desejo, que se restabeleça rápido e bem. Que seja um desses Super-heróis de que falou o comandante dos Bombeiros de Albergaria a Velha.

 

 Que seja depois recebido como merecem todos os principes e princesas deste mundo. Que passem a ter o apoio que é devido para que não se repitam mais “Guilhermes Mano”, por aí.

 

  Eu defendo, que devemos educar os novos cidadãos mas também reeducar os cidadãos jà adultos. Por exemplo, existe uma imagem demasiado romântica à volta da maternidade.

   A parte dificil de ser mãe não acaba nas dores do parto. Meninas e senhoras deste mundo, este é apenas um pequeno episódio. O desenrolar da trama é muito longo e capaz de grandes alegrias, mas também está repleto de angústias, dúvidas, erros e correções mais ou menos adequadas. A maternidade condiciona e preenche a vida de quem a experimenta. Esta é a realidade.

 Diz-se que não é possìvel entender, antes de experimentar. Isso tem um fundo de verdade.

 

 Esta imagem romântica deve e pode começar a ser corrigida. Não sou técnica, mas creio que as tão discutidas aulas de educação sexual, se forem aplicadas nas escolas pode fazer alguma coisa pelas mamãs e papàs do futuro.

 E com as que já não frequentam a escola? Tenho uma sugestão: qualquer grávida passar a ser obrigada a frequentar as aulas de preparação para o parto (e não como hoje em dia que se conseguir ser aceite no centro de saúde é uma sortuda). Claro que estes cursos terão de ser ajustados, para terem mais que exercícios de relaxamento e incluírem alguma coisa do tipo “Responsabilidade dos pais perante as crianças apòs o nascimento” (isso hoje em dia é deixado às famílias que deixaram de estar disponíveis por falta de tempo e ao instinto que já provou que não é suficiente). E também ser transformado num espaço de convivio entre os novos pais e os experientes. Em Albergaria a Velha, vão-se fazendo uns convìvios, que apesar de insuficientes podem ser uma boa semente. Eu sou sa opinião que o stress provocado pelo convìvio entre seres humanos é mais produtivo, quando bem dirigido, que o texto mais bem redigido.

 E atrevo-me a dizer; que em vez de estarmos a gastar tanto dinheiro a formar enfermeiros para os estarmos a enviar para o estrangeiro (que acreditem em mim, não está muito mais avançado do que o nosso país), os passarmos a utilizar para acompanhar numa lógica de proximidade, do tipo enfermeiro de família, as novas famílias que se formam. A ideia jà não é original, ela anda por aì a circular.

  Eu acredito, que qualquer mãe, responsável pelo cidadão de amanhã vai agradecer a orientação, o porto seguro, a fonte de informação fidedigna. Acredito que depois de implementado, se podiam formar equipas multidisciplinares (sim dessas com comunicação entre os vários intervenientes na educação de uma criança: pais, médicos, enfermeiros, psicólogos, professores, eu sei lá!!!). Hoje em dia, fazem-se umas consultas proforma. Importantes. Os que têm a sorte de ter bons médicos (é o meu caso, obrigada Dr. Jorge) são relativamente bem acompanhados. Mas são consultas que se fazem com alguma regularidade até aos 2 anos, talvez impelidas pela vacinação mas depois passam a anuais.

 Nesta altura da vida das crianças existem muitas mudanças. Crescem muito rápido, o primeiro dente, o primeiro passo e os seguintes, começa a correr, começa a comer sozinha, a vestir-se, a ir à casa de banho, a aprender a falar a socializar a tolerar os outros, …

 E estas mudanças não são exclusivas das crianças, também atingem os pais. Que além de terem de aprender a ensinar, fazem-no em condições extremas: as noites sem dormir, a falta de tempo para se distraírem, para conviver, o dia passar a ter de se organizar de uma forma diferente, o não poder tomar o fim-de-semana para se organizar. Eu lembro-me de nos primeiros meses como mãe virar-me a chorar, porque não conseguia ter tempo suficiente no banho para cortar as unhas. Isto porque ele chorava, porque era preciso fazer o biberão, passar as roupinhas, ou simplesmente porque queria ir verificar se ainda respirava. Parece um disparate, mas na altura tomou as proporções de um drama mexicano. Por isto digo que a mulher tem de perder a ideia romântica e estar muito bem apoiada.

 Para os parceiros, também não é fácil. Até aí tinham a sua companheira mais ou menos disponível e a sua atenção em exclusivo, o seu dia era mais ou menos organizado, passeava-se ao fim de semana e o dinheiro se não viesse desse emprego arranjava-se outro.

  Depois passam a ter de dividir atenções. A disponibilidade da companheira muda completamente de foco. Não dormem bem e o patrão e os colegas não querem saber (muitas vezes aproveitam-se deste período de fragilidade para fins não muito nobres), não compreendem e não ajudam.

  Em conclusão, a chegada de uma nova vida convulsiona a vida de todos os protagonistas e nós somos dados a hábitos e rotinas. Não gostamos muito quando nos alteram a vida, mesmo que não seja para mal.

 

  A educação dos mais novos preocupa-me muito. Mas não tenho nenhuma formação técnica e nem disponho de nenhuma ferramenta especial para opinar. Eu falo do que observo, do que leio, e do que experimento. Não estou isenta de que me ocorra uma desgraça, mas que Deus me livre que seja por um erro básico. E quando falo de desgraça com crianças, não me refiro apenas a acidentes, refiro-me a não lhe dar as ferramentas e EXEMPLOS suficientes para que cresça saudável. O exemplo é a grande ferramenta na educação de uma criança pequena.

 Eles aprendem por imitação. Vão imitar os nossos gestos, formas de falar e de atuar. E também os nossos defeitos. E é o convivio com os nossos defeitos absorvidos por aquele ser em miniatura, que complicam a arte de educar. Teremos de nos auto-educar para educarmos alguém com qualidade. Isso é titânico. Quem jà não presenciou um:

 "Oh! Cara.... jà te disse para não dizeres palavrões!!!!!!"

 

 Todo este trabalho, para que depois sigam o seu caminho. Pois estes seres não nos pertencem. Basicamente são-nos emprestados durante um longo periodo. E como tudo o que nos é confiado, deve ser devolvido em excelentes condições.

 

 Trabalhei com público o tempo suficiente para observar e perceber, que somos um colectivo egoísta e mal informado. E isso atinge as nossas crianças de formas inimagináveis.

  Numa visão mais micro vi: mulheres na hora de pagar e sem dinheiro suficiente, optarem por deixar a lata do leite e levarem o batom. Ou pior, pais a baterem (sim ainda se bate em público. Não podemos intervir se estivermos fardados) porque o miúdo quer levar o chocolate e eles não lho querem dar para não criarem o hàbito, explicam. Mas não tiram do tapete o garrafão de vinho e a grade de cerveja.

  Todos os que tenham convívio atento com crianças, sabem que as birras ocorrem quando estão cansadas, doentes ou com fome. È uma regra bàsica e com raras excepções.

  Convido-vos a passear num hipermercado durante um dia inteiro. Repitam-no de vez em quando, e num caderno apontem sempre que ouvirem uma criança a chorar. Aposto que os choros se ouvem por volta da hora de almoço, jantar e depois do jantar.  

 Sim existem uns inconscientes que levam as crianças sem comerem para estes sítios e até à noite quando deviam estar a dormir, e quando as crianças começam a demonstrarem a frustração com a falta de respeito dos pais ainda levam um berro e até a famosa palmada. Depois existem outros que lhes dão tudo o que pedem para a mão, para os manter calados. E mais tarde dizem: “está tão mimado, não sei a quem sai”.

 As crianças precisam de rotinas. Outra regra bàsica. E nem sempre se regem pelas nossas necessidades. 

 Isto são apenas alguns exemplos do que a da falta de informação junto com o egoísmo natural das pessoas faz em público.

 No plano privado as coisas tomam proporções arrepiantes. Crianças deixadas ao seu cuidado enquanto se vai levar o lixo. Podiam aproveitar para os levar e dessa forma ensinar-lhes as rotinas normais da vida de um cidadão. Mas pôr-lhe uns chinelos para ir lá abaixo dá trabalho. E depois elas empoleiram-se nas janelas dos apartamentos à procura das pessoas que deveriam estar a dar-lhe atenção e ocorrem acidentes.

 As crianças a tomarem banho sozinhas, a lavar os dentes sozinhas, … porque o adulto não pode perder o episódio da novela para supervisionar. Pior é que se convence que eles estão a tornar-se independentes. Senhores supervisionem antes do episódio começar, por favor e deixem-se de perder tempo à procura de justificações para a falta de atenção. Isto para dar alguns exemplos, leves.

 Porque depois temos a violência, na maioria das vezes estimulada pela longa tradição de consumo de álcool, misturada com o cansaço produzido pelo excesso de trabalho e incompreensão geral, que leva a situações extremas como as que levaram às 107 crianças que ficaram sem progenitores nos últimos 2 anos.

Uma criança acidentada, normalmente não é apenas isso. Na maioria dos casos, atrevo-me a dizer sem nenhum dado técnico que me auxilie, tem uma atitude negligente que o induziu. A negligência pode ser técnica, ignorante ou sei lá o quê, mas é negligência. E todos podemos contornà-la, haja vontade.

Eu tento começar por mim.

 

A autora.