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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Sobre adaptação e integração em novas culturas! Testemunho V – Carla Vieira

No mês de Setembro do ano passado, algumas pessoas simpaticamente responderam ao meu convite com o seu testemunho acerca da sua experiência como emigrantes. Volto a agradecer-lhes o gesto. Hoje vou partilhar o testemunho da Carla Vieira.

A emigração é um assunto sempre presente na vida da sociedade portuguesa. A nossa história conta-nos que saímos muitas vezes da nossa zona de conforto à descoberta de outras sociedades, nem sempre com os melhores métodos e nem pelos melhores motivos, mas gostamos de partir. Das conquistas de territórios feitas pelos primeiros Reis Portugueses, passando pelos Descobrimentos até à procura de melhores condições de vida fora das nossas fronteiras a história de ser Português está impregnada de contactos com outras culturas. Parece ser o nosso Fado, somos incapazes de “arrumar a casa” e passamos a nossa existência a sair para “ir ajudar os outros a arrumar a sua”. Estás-nos no sangue? Não sei. O que sei e reconheço é a capacidade de adaptação portuguesa às circunstâncias, somos dos melhores que o mundo contém. Gostamos do diferente, recebemos bem o diferente, contactamos bem com o diferente e sem nunca perder a essência. Somos portugueses!

Fica aqui o testemunho de mais uma portuguesa que saiu de Portugal, empurrada pelas circunstâncias e com vontade de fazer diferente…

 

Quem toma a decisão de emigrar, decide deixar para trás família, amigos e amores!

Muito ouvi falar que em tempos existiu “o sonho americano”, emigrar e fazer fortuna, de forma a obter uma melhor qualidade de vida. Nunca percebi se era emigrar para os Estados Unidos ou se era para qualquer outro país!

Eu tinha o “sonho americano” de emigrar para a Alemanha!

Não só por causa da “fortuna”, mas também por ter sido o país onde nasci, onde vivi alguns anos com os meus pais e também durante 4 anos com o pai das minhas filhas, porque tenho lá família (3 irmãs) e a experiência de lá ter vívido foi vantajosa em termos monetários.

Então porque estou eu a falar da Alemanha se estou a viver em França?

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Porque a decisão de emigrar foi tomada tendo como destino a Alemanha e não a França!

No dia 17 de Dezembro de 2012 deixei Portugal em direcção à Alemanha. A decisão tinha sido muito ponderada, visto que deixava para trás as pessoas que mais amava (tinha esperança que se juntassem a mim mais tarde).

Tanto eu como o meu marido tínhamos trabalho em Portugal, mesmo não sendo um ordenado muito apelativo, íamos fazendo os possíveis para dar uma vida tranquila aos nossos Filhos (duas minhas e um do Sérgio).

Foi por muita insistência de duas das minhas irmãs que decidimos emigrar. Havia até promessas de contractos de trabalho para os dois, mas a verdade é que não passaram disso mesmo. Com as poucas economias existentes, nós pagamos as passagens para a Alemanha, o primeiro mês de renda da casa e pouco mais. Os meses iam passando e nós não conseguíamos arranjar trabalho. Foi uma irmã (nenhuma das que me aconselhou a emigrar) que aguentou as despesas da casa, comida e depois a vinda para França. Em finais de Fevereiro de 2013, um irmão do Sérgio, sabendo o que se passava, aconselhou-o a vir para França com trabalho garantido. Chegou cá no dia a 16 e a 18 começou a trabalhar na empresa que está até hoje. Duas semanas depois, numa carrinha emprestada, foi-nos buscar.

 

Chegámos cá a 3 de Março de 2013!

Estamos numa vila medieval no sudoeste de França!

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Uma das grandes dificuldades que senti foi a língua. Cheguei aqui sem perceber nem um pouco do idioma. Há aulas para estrangeiros, mas como são às quartas e quintas de tarde, eu não posso frequentar, porque trabalho. Como trabalho de casa em casa, tenho uma ou outra pessoa que me vai corrigindo de forma a me ensinar. Também não ter portugueses por perto me faz praticar mais o francês. Não domino mas, já me desenrasco trocando amiúde o masculino e o feminino.

 

 

O que continua a ser mais complicado é o sentimento de solidão e a falta dos que amo!

 

Pontos positivos:

-O salário;

-A descoberta de novos lugares;

-O sistema de saúde e educação que são muito melhores que em Portugal;

-O aquecimento dentro de casa (podemos andar de t-shirt);

-Falar outra língua.” – Texto e foto da autoria de Carla Vieira.

 

A Carla Vieira nesta sua nova vida em terras Francesas soma ao trabalho e à vida familiar o seu gosto pela costura. Os seus trabalhos são partilhados na sua página do Facebook “Handmade by LAXACATA” e podem ser adquiridos pelos interessados. A Carla é uma mulher muito feliz com as suas encomendas.

 

Deixo-vos com alguns dos trabalhos que podem encontrar por lá…

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 Muito obrigada a todos por compartirem comigo as suas experiências!

 

Para ler também o testemunho da Elena Oliveira (Venezuela-Portugal), clique aqui. 

Para ler também o testemunho da Ana Leão (Canadà), clique aqui. 

Para ler também o testemunho da Carla Tavares (Alemanha), clique aqui. 

Para ler também a primeira parte do testemunho de Andrea Abreu (França), clique aqui.

Para ler também a segunda parte do testemunho de Andrea Abreu (França), clique aqui.