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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Um conto sobre homens e mulheres!

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 Imagem do blog Luxdelux Arts.

Em milénios lá para trás, formaram-se as primeiras comunidades. Tempos difíceis de contar. Homens e mulheres viviam cada um por si. A extinção era o futuro. Quando se encontraram o futuro redesenhou-se. Formaram a primeira comunidade.

Em comunidade podiam revezar-se nas tarefas, executar mais e aprender mais.

Mas, com a convivência surgiram os primeiros problemas.

Ninguém queria sair para caçar, esperando que o outro o fizesse. Todos queriam o melhor lugar para descansar. Discutiam pelo melhor pedaço de carne. Era o caos.

Reuniram-se para acabar com o problema.

Depois de muita ponderação entenderam que o melhor é que um deles fosse o líder. E que define-se como, quando e quem ficaria responsável pelas variadas tarefas que era preciso executar para bem de todos. O líder teria de zelar pela paz e sobrevivência de todos na comunidade.

As mulheres alegaram que tendo o poder de dar vida, deviam ser elas as escolhidas para dirigir, afinal o futuro de todos já estava nas suas mãos.

Os homens entenderam, que elas já tinham muito que fazer com o facto de gerarem a vida e criar as crias, por isso o papel de liderança devia ser deles que tinham mais força física para ir em busca de alimento.

Gerou-se a discussão.

Um homem mais velho conseguiu chamar a atenção de todos. Alegou que conhecia mais, tinha mais experiência e por isso ele devia ser o líder. Fazia sentido, ele sabia onde se caçava melhor, onde se podia beber água sem perigo, onde descansar sem perturbações, conhecia a manha das outras espécies de animais. Ele podia conduzi-los a todos.

Apareceu o primeiro líder humano.

As estações seguintes passaram sem sobressaltos.

Os homens cuidavam da caça e defesa da comunidade.

As mulheres cuidavam das crias, e garantiam que tudo estivesse bem para que os homens pudessem sair em busca de alimento.

Eram uma equipa, com os papéis definidos e aceites para o bem da comunidade.

Um dia, uma das mulheres decidiu que não tinha talento para o choro e birras das crias, o que gostava mesmo era da adrenalina da caça. Ela treinou-se e saiu com os homens em busca de alimento. Outras lhe seguiriam o caminho.

E a convivência era perfeita, com cada a um a aportar o que sabia e gostava de fazer à comunidade, sob a batuta do velho líder que mantinha todos colaborantes.

O velho líder morreu.

Ninguém tinha pensado o que fazer depois. Gerou-se alguma confusão. O que fazer agora? A quem entregar o poder?

Decidiu-se que o próximo líder seria o homem mais velho da comunidade no momento. Tinha corrido bem da primeira vez.

Mas este homem tinha passado, demasiadas estações, calado e quieto. Ele queria o poder. Queria o que o poder podia gerar. Ele queria o que achava que era o seu direito enquanto líder. Ele tinha-se preparado para o que o poder lhe podia proporcionar, mas não se preparou para o que o poder lhe exigia.

Começaram a surgir os primeiros problemas com as suas decisões egoístas, despistadas, inconsequentes, irresponsáveis.

Homens e mulheres da comunidade começaram a questionar: teriam escolhido bem?

Vendo que o poder lhe poderia ser retirado, depois de tanto tempo à espera dos seus benefícios, o líder começou a magicar uma forma de o manter. Sempre preocupado em manter o que o poder lhe podia oferecer e nunca em estar à altura do que o poder lhe exigia.

Reparou que quando os homens saiam para a caça, ficavam só as mulheres entretidas com os seus afazeres. Resolveu usar essa divisão a seu favor.

Começou a ocupar as mulheres com outras coisas para além das suas tarefas. Inventava refeições extra, banhos fora da rotina, etc... Valia tudo para que elas não se dedicassem às suas tarefas. Os homens começaram a regressar e a não encontrar comida para repor forças. As mulheres alegavam cansaço, mas não tinham feito todas as suas tarefas. Eles não sabiam que o líder tinha decidido usá-las para outros pedidos: os seus.

Começou a gerar-se um ressentimento, que o velho líder não deixava de aproveitar a seu favor.

Aproveitando este afastamento entre homens e mulheres, começou a plantar nos homens a ideia que as mulheres deixaram de os valorizar porque se achavam superiores ao darem a vida à espécie, e continuava a manter as mulheres distraídas com mil idiotices que as mantinha afastadas dos homens.

Com estes dois elementos da comunidade afastados, era mais fácil deitar as culpas da sua má liderança, nos outros. Se os homens vinham feridos era porque as mulheres não tinham preparado a comida necessária à manutenção da sua força. Se as mulheres eram atacadas no rio, era porque os homens não estavam atentos e não se importavam.

Apesar de ressentidos homens e mulheres continuaram a encontrar-se para procriar, mas a convivência era cada vez mais difícil.

O velho líder percebeu que as mulheres passavam mais tempo sozinhas com as suas crias, logo teriam menos hipóteses de se unirem em força, contra ele.

Os homens tinham mais força física, e andavam juntos para caçar e defender a comunidade, os seus laços eram mais difíceis de quebrar.

Mais uma vez usou isso a seu favor.

Usando o cargo de líder reuniu a comunidade e fez um discurso. O discurso rezava que a melhor maneira de manter a paz na comunidade era definir que todas as mulheres passariam a estar dedicadas só à casa e à família, enquanto o homem sairia para o mundo à procura de alimento. Afinal era por não se entenderem nestes pontos que existiam tantos ressentimentos entre homens e mulheres.

Como todos dependiam do alimento que o homem trazia este passava a ficar responsável pela sua família perante a comunidade.

O líder estava satisfeito, saia com a imagem do grande salvador e ainda mantinha o poder controlado.

Existiram protestos, mas a divisão e os ressentimentos plantados anteriormente deram os frutos que o velho líder queria.

Assim a humanidade começou a ser liderada por idiotas que sabem aproveitar o poder para uso pessoal e não sabem para que é que ele realmente serve, e começou a luta de géneros para que a mulher volte a ocupar o lugar na sociedade que lhe pertence: ao lado do homem.