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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

“UMA EPIDEMIA DE CONSELHOS NUTRICIONAIS” – Gary Taubes.

Acho este título da autoria de Gary Taubes, autor do livro Why We Get Fat(Porque é que ficamos gordos?), a descrição perfeita dos meus pensamentos sempre que tropeço, e são demasiadas vezes, em conselhos nutricionais.

 

O Público fez uma reportagem sobre este assunto, com o título “HÁ ALGUMA CIÊNCIA NISTO?”, que tenho de aconselhar a leitura.

Em questão estão as divergências dos conselhos alimentares dados à população americana nos últimos 35 anos, pela “Dietary Guidelines” (Recomendações Alimentares) que é revista a cada 5 anos, por um comité consultor sob a batuta dos Departamentos da Agricultura e Saúde e Serviços Humanos dos EUA.  

 

Durante muito tempo diabolizaram as gorduras e os ovos, acusando-os de provocar o “danado” do colesterol e afinal agora os famosos estudos parecem desdizer esse efeito. (Estudos que parecem uma praga que existe por todo o lado sem nenhum controlo e com a credibilidade cada vez mais posta em causa).

 

A realidade é que apesar de a ideia ser ter uma população mais saudável, os EUA conseguiram o efeito contrário, têm uma população cada vez mais obesa. E neste momento encontram-se numa polémica pela evidente falha dos conselhos que emitem e pela cada vez mais evidente influência dos interesses dos grupos económicos na forma como estes conselhos são dados. Leiam a reportagem e percebem do que falo (o link da reportagem abre uma janela, não interrompendo a leitura do restante do texto, no blog).

 

Mesmo sendo nos EUA, isto acaba por nos influenciar na Europa e claro em Portugal, porque somos exímios copiadores do que esse país nos vende através dos filmes no cinema (a sua maior e eficaz máquina de marketing), as séries de Tv, os livros traduzidos, as notícias da CNN aproveitadas pelo jornalismo português, e etc…

A verdade, é que se abre um portal em português (e não só), uma rede social, uma revista e até um catálogo de promoções do supermercado e lá estão os ditos conselhos: coma isto, evite aquilo.

 

15568.jpgProponho um exercício da próxima vez que nos depararmos com estes tão “bondosos” conselhos, perceber se esta observação da Sra. Marion Nestle se aplica:

 

“Marion Nestle, autora do livro Food Politics (e do blogue com o mesmo nome), nota que sempre que recomendam “coma mais”, as orientações referem-se a alimentos. Mas quando sugerem “coma menos”, falam de nutrientes – uma forma de evitar atacar directamente as grandes indústrias.” – trecho da inicialmente referida reportagem do Público.

 

Deixo-vos uma parte, de um divertidíssimo texto sobre este assunto do escritor brasileiro Luís Fernando Veríssimo, para que tenham outro ponto de vista:

 

EXIGÊNCIAS DA VIDA MODERNA

Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro. E uma banana pelo potássio. E também uma laranja pela vitamina C.
Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.

Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.

Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão).

Cada dia uma Aspirina, previne infarto.

Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.

Um copo de cerveja, para… não lembro bem para o que, mas faz bem.

O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.

Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver.

Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente.

E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia… E não esqueça de escovar os dentes depois de comer.

Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.

Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.

Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma. Sobram três, desde que você não pegue trânsito.

As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).

E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.

Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.

Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo – e nem estou falando de sexo tântrico.

Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação.

Na minha conta são 29 horas por dia. A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo!

Por exemplo, …” - Podem encontrar esta e outras crónicas deste escritor no site “Reflectir para Refletir”.

Partilho tanto a reportagem do Público como o texto brincalhão do Sr. Luís Fernando Veríssimo, para que possam da próxima vez que forem invadidos por esses conselhos “tão bem intencionados” accionar o alarme e perguntar-se “Isto serve-me?” ou “Para mim este conselho faz alguma diferença ou é dinheiro e saúde perdidos?”

Na minha humilde opinião, cada caso é um caso, como muito bem chamam a atenção os nutricionistas. Mas, isso não é um caminho viável, principalmente pelo lado económico, termos um conselheiro nutricional para cada um. E também tendo em conta que os estudos que existem, não são 100% fiáveis, porque a questão é complexa e envolve imensos factores, não teríamos a certeza que os conselhos dados pelo profissional são realmente os que nos interessam particularmente.

 

Qual é o caminho então?

 

  • Ler os conselhos que nos são dados, porque “o saber” não ocupa lugar, mas fazê-lo com um sentido critico e não como verdades absolutas e incontestáveis (essas não existem, ou ainda não foram encontradas e muito menos no que toca a nutrição);
  • A Natureza foi sábia e deixou em cada canto do mundo, o que é necessário para a sobrevivência das espécies que aí se encontram, por isso prefiram produtos da vossa região, a produtos trazidos de “cascos de rolha” não sabem muito bem em que condições e a preços abusivos. (Uma coisa que me chamou a atenção quando mudei de ponto no planeta foi que: em Portugal as gorduras e os enchidos eram demónios prontos a matar-nos e na zona onde vivo, que tem mais ou menos a esperança média de vida de Portugal, esse tipo de comida é o prato diário. Perguntava-me “como é possível, não estourarem de colesterol?”, agora parece que o estudo norte-americano veio-me responder.)
  • E não existe melhor conselheiro que o nosso próprio corpo. Vão experimentando, se não servir o corpo vai reclamar tirando-vos a energia, produzindo dores de cabeça, tirando o sono, e etc… Pequenas moléstias, a que as pessoas se habituam e que na realidade são sinais do corpo a dizer que algo é preciso mudarem. É preciso aprender a ouvir a linguagem do nosso corpo. Sentir estas moléstias não é o fim do mundo, mas não é normal. Eu sei, que uma sociedade educada para perante uma ressaca de álcool, agir como uma coisa natural, em vez de eliminar o álcool da dieta, não se pode pedir que de um dia para o outro aprenda a ouvir os sinais do corpo, mas fica como alerta. Um dia, talvez faça sentido e comecem uma mudança.
  • Em caso de necessidade de um conselho mais profissional, procurem um nutricionista. Certifiquem-se que é o profissional credenciado e não mais um charlatão!

 

Estes são os meus quatro conselhos para não sermos “atropelados” pelo excesso de informação, muitas das vezes contraditória e vezes demais sem nenhum critério que nos invade todos os dias.

 

Façam por ser saudáveis! Sejam muito Felizes! Adoro gente feliz!