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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Varoufakis? Troika? Europa? Portugal?

Portugal ao longo da história tem-se portado como "o pior parceiro".Nas horas boas, estamos lá. Nas horas más, fechamo-nos.

Escolhemos sempre posições confortáveis quando algo se discute, que até pode evitar o conflito mas não nos deixa melhores.

 

Na segunda guerra mundial, fizemo-lo. Não entramos no conflito. Mas foi por isso que os portugueses não morreram? Não. Morreram só que não oficialmente pelo conflito, morreram pela miséria em que ficamos (consequência do isolamento no mundo). Ficamos melhor, por isso? Não.

 

Agora, escolhemos de novo a posição confortável, não entrar na discussão. Isso vai trazer-nos benefícios? Não. Estamos cada vez mais pobres, mais doentes, mais perdidos mas, não discutimos.

 

A troika têm-nos dado esta receita:

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“Não entendo… Reduzimos ao máximo o número de trabalhadores e ainda assim continuamos sem avançar…”, Está na página do Facebook de “Emociones Plenas”, mas não diz quem foi o artista.

 

Sou só eu, que reconheço aqui neste desenho a actual situação do nosso país?

E de muitas empresas portuguesas?

É só a mim que me parece "doente" e "condenada", esta situação?

Serei só eu que acha que isto deve ser discutido e não aceite como irremediável?

 

Portugal não discute, aceita. Isso faz parte do plano: Troika.

 

Vejamos se isto não é de Génio:

 

Pego em economias que sempre mostraram problemas de produtividade (e que estão estrategicamente colocadas à beira-mar), e empresto-lhes dinheiro (o dinheiro do conjunto dos contribuintes).

Depois lanço políticas que ainda dificultam mais a produção nestes países.

 

Eles com o dinheiro que eu emprestei, compram-me o que precisam: desde legumes, a submarinos, passando por maquinaria, etc…

 

E no fim além do excelente negócio que fiz, ainda lhes cobro com juros milionários.

 

Mas não ganho só dinheiro.

Eles ficam reféns da minha vontade. Vou querer criar um paraíso de empresários, e eles são o sítio ideal: estão reféns aceitam tudo o que lhes propusermos.

Então, queremos aquelas empresas públicas privatizadas. Mas não é só mudar de dono. É mudar de dono com lucro garantido: o lucro para o novo dono, a manutenção e prejuízos para os contribuintes.

 

Eu não sei se o plano nasceu assim, ou se foi sendo aprimorado com o tempo, mas é isto que tem ocorrido, ou não?

 

Uma genialidade!

 

E Portugal, com a qualidade de gestores políticos que temos, e o povo alérgico a confrontos e discussões prontificou-se a colaborar para o êxito desta “maravilha”!

 

Só tem um senão este genial plano na Europa: Os gregos.

 

Os gregos disseram "basta". E tiveram a sorte de encontrar um governo de gente com coragem e sem medo de tentar e discutir a sua posição. (Confesso alguma inveja.)

 

Não sei se os gregos vão conseguir os seus propósitos mas já conseguiram uma coisa, por cidadãos europeus a questionar-se:

 

Esta Europa que sustentamos (os capitais que tanto defendem são públicos e não são pertença de nenhuma daquelas personagens, embora o plano seja que no futuro sejam), é uma “instituição do povo para zelar pelos interesses do povo”? Ou é uma “instituição patrocinada pelo povo para interesses empresariais?”.

 

Ao conseguir isto, o governo grego que entrou sem nada a perder (a situação é péssima) colocou na mão da Troika um “malabarismo” difícil de conseguir fazer sem deixar nada cair.

 

Confiante na sua posição, a Troika tentou a manipulação da opinião pública através de a utilização de situações muito pontuais que aumentou e generalizou: segundo eles “os gregos são malandros e corruptos”. Muita gente comprou.

 

Os que compraram essa ideia, esquecem-se de uma coisa: a Merkel disse o mesmo dos portugueses.

 

E nós sabemos que há conta disso, ela conseguiu colocar-nos a trabalhar mais horas, a receber menos, retirou-nos metade dos feriados, reduziu-nos os dias de férias, e comparando com o país dela, nós já trabalhamos mais por menos antes dos cortes. Por isso, essa fama é no mínimo discutível.

 

Com essa política a economia não descola, e continuamos a precisar colocar o nosso património à venda de qualquer maneira, para satisfazer a ganância desta gente.

 

"Os gregos gastaram o que não tinham", dizem eles.

 

 

E nós? Construímos estradas sem sentido nenhum: lembrem-se das auto-estradas que ligam o Porto a Lisboa. Não bastava uma?

E o dinheiro gasto em estádios que hoje estão ao abandono e só dão despesa.

Recordem-se das obras milionárias (e orçamentos derrapados) da Expo 98.

Dos ginásios que qualquer aldeia portuguesa construiu e estão para “mosca bailar”.

E podíamos continuar que havia muito que descrever em termos de despesas feitas sem critério por portugueses que não tinham dinheiro.

Agora a pergunta: fomos nós “o povo” que decidimos gastar esse dinheiro? E dessa maneira? Tecnicamente sim, na realidade não.

 

Explico:

 

Tecnicamente, nós vamos às urnas escolher os nossos governantes.

Na realidade votamos em mentiras e não temos nenhuma forma que nos garanta o que escolhemos.

Ou seja: gastar milhões em campanhas eleitorais para depois votar à sorte ou gastar num sorteio de tômbola, tinha o mesmo efeito.

 

E não me recordo de ter sido noticiada uma consulta pública/referendo para saber onde gastar o dinheiro, pois não? Ou se queríamos o empréstimo?

 

O ministro das finanças grego, o Sr. Varoufakis, em nome da transparência publicou no seu blog o discurso onde explica a forma como a Grécia deve honrar os seus compromissos. O Expresso traduziu, fica aqui, para consultarem. O texto é longo mas, vale a pena ler para perceber, que os gregos não estão a pedir para não pagar. Estão a pedir condições dignas para o fazer.

 

Fica este trecho:

Muito se disse e escreveu acerca do nosso "recuo" na reforma do mercado de trabalho e quanto à nossa determinação para reintroduzir a proteção dos trabalhadores assalariados através da negociação coletiva. Será isto uma fixação de esquerda nossa que faz perigar a eficiência? Não, colegas, não é. Veja-se por exemplo a provação dos jovens trabalhadores em várias cadeias de lojas que são despedidos quando se avizinha o seu 24º aniversário, para que os empregadores possam contratar funcionários mais jovens e assim evitar pagar-lhes o salário mínimo normal que é inferior para empregados menores de 24 anos. Ou vejam o caso dos empregados que são contratados em part time por 300 euros ao mês, mas são obrigados a trabalhar a tempo inteiro e são ameaçados com a dispensa se se queixarem. Sem contratação coletiva, estes abusos abundam com efeitos nefastos na concorrência (uma vez que os patrões decentes competem em desvantagem com os que não têm escrúpulos), mas também com efeitos negativos nos fundos de pensões e na receita pública. Alguém seriamente pensa que a introdução de uma negociação laboral bem concebida, em colaboração com a OIT e a OCDE, constitui "reversão das reformas", um exemplo de "recuo"?"

 

E a Europa, existe para quê? Para ajudar os povos que fazem parte dela, não? É uma questão de solidariedade ou de ganância? Não tem a Europa dinheiro, e folga para ajudar o seu povo?

Vamos ver como respondem os líderes da Europa a esta pergunta.

Por enquanto, estão a responder da forma errada, com a Sra. Legrand a querer desviar atenções do essencial ao lançar declarações como “Comportemo-nos como adultos”. Sra. Legrand a questão é que são todos adultos, as prioridades é que são diferentes.

 

Uns preocupam-se com o essencial: o seu povo.

Outros discutem a forma do relatório, o fato do ministro, o veículo em que se movimenta, e outros disparates.

 

A Europa, não precisa de instituições milionárias a parecerem milionárias, a Europa quer instituições que zelem pelos seus interesses, principalmente na hora da “aflição”. E isto, não pode ocorrer:

 

“…BCE travam a Grécia e não a deixam aproveitar o programa de financiamento do BCE quando este programa está em desenvolvimento e atinge a sua máxima capacidade para vir em auxílio dos países ameaçados pela deflação. É uma cruel ironia que o país mais afetado pela deflação seja precisamente o que é excluído do remédio antideflacionário do BCE.”

 

No séc. XVIII os muito ricos, que pareciam muito ricos, tiveram um triste fim, nas mãos de um povo pobre que só contava com as alfaias do trabalho para se defender. E assim as forquilhas ganharam a força de uma arma e o final não foi bonito. Só para reflectir.

 

Está muito em jogo na mão da Troika. A Grécia nada tem a perder: se a ajudam vêm aí tempos difíceis, se não a ajudam igual. E se os colocarem fora do Euro, têm a Rússia cheia de vontade de ajudar (eu tenho medo dessa opção).

 

A Troika se ajuda, limpará a imagem junto da opinião pública e manterá a sua posição. O senão é que os outros países irão pedir que as suas situações sejam revistas (Portugal não gosta de discussões, que pena!?).

Mas se decide fazer experimentos sociais e económicos, à conta do povo grego e, os deixa à sua mercê, na Europa o povo vai questionar a sua função, vai questionar se não é demasiado caro ter um parlamento europeu que na hora da verdade deixa a ambição falar mais alto. E ironia, o país mais irredutível foi o que mais beneficiou da solidariedade dos outros, quando recebeu o perdão da dívida para que pudesse prosseguir (a Alemanha).

Este cenário, não tem portos seguros, e mesmo sem entrar na discussão acredito que Portugal irá padecer.

 

A palavra “transparência” é ausente do dicionário dos políticos portugueses. Aqui prefere-se “confidencialidade”, o “não vou comentar”. E apoiam-se assim em manipulações da opinião pública através de mentiras, e vazios nas histórias que vêm a público. O Sr. Passos Coelho é quase “Rei”, visto que tem sido constantemente apanhado a mentir e descaradamente.

 

Não acredito que esta postura, de esconder, de não discutir, de informar factos concretizados (vejam agora a situação da TAP, que só vamos saber quando o contrato estiver assinado), nos seja de alguma forma favorável. Vejam o negócio do plasma com a Octopharma, que é um escândalo e uma falta de respeito com os que de forma solidária vão dar o seu sangue. 

 

Estamos como o povo grego, só que eles estão a lutar.

 

Os portugueses estão pobres, escravizados, impedidos de sonhar, obrigados a sair para outros países muitas vezes em condições degradantes, não há medicamentos para os salvar nos hospitais, não há justiça que funcione, a educação está à beira da falência e tem recuado décadas na qualidade, os nossos velhos que dedicaram anos de saúde à construção do país foram colocados para canto, o poder de compra não existe, os abusos laborais têm o campo perfeito para acontecer, e apesar disso tudo continuamos com uma economia que vive do empréstimo, da ida aos mercados.

 

Tem valido a pena tanto esforço? À perspectiva de melhorar?

 

Não me parece. A cada anúncio do primeiro-ministro de que agora é que é, vem logo atrás a dura da realidade (nada que surpreenda, ele não esconde a sua necessidade de mentir. É patológica).

 

A Grécia depois de 6 anos deste remédio, está a dizer “Basta”, temos de mudar a receita. Os portugueses não se exprimem sequer, continuam a tomar pacificamente o veneno.

 

Os EUA estão a mudar as políticas, a mudar as receitas para tentar tirar a economia da inércia que a austeridade a colocou, depois dos erros dos que realmente nos levaram à crise: os banqueiros com mais ambição que competência. Mas a Europa, insiste. E Portugal cala-se.

 

Não tarda, vamos a eleições, e eu sinto que é um teatro caro, e que só serve para capitalizar os partidos. Não muda nada!

Os verdadeiros donos disto tudo, actualmente são empresas estrangeiras.

Não é mudando os personagens do hemiciclo que vamos melhorar. É preciso fazer reestruturações profundas no país, a começar pela responsabilização e profissionalização dos gestores do nosso país, para que eles cumpram a sua real função:

 

Ser a balança que equilibra os interesses dos vários sectores sociais.

 

O futuro, não o sei. Só vivemos o presente, e espiamos o passado. O futuro pode ser tudo.

 

Mas olhando para trás e vendo o estado actual das coisas, parece-me que continuar a aceitar calados o que nos impõem é errado. Colocarmo-nos numa posição contra a Grécia, o único que tenta mudar a situação em terras europeias, é errado para os nossos interesses.

 

Fica a esperança que o bom senso impere, na próxima segunda, e que Portugal não se prejudique pela imagem dos nossos políticos ansiosos por prestar vassalagem aos que nos exploram. 

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