Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

A EDUCAÇÃO dividida e separada em compartimentos, é produtiva?

Se isto vos parecer um desabafo é por que o é !

Se existe alguma coisa que me preocupa e mobiliza nesta vida é a educação, as formas de educação.

 

Tenho de admitir que ainda não se encontrou a receita correcta mas, pelo menos sabemos onde é que as receitas aplicadas até aos dias de hoje falham e “desespero-me” quando percebo que existe resistência a mudar essas receitas.

 

Tenho consciência que vivemos numa sociedade de imagens, rótulos, etiquetas, caixinhas, grupos e etc… Mas eu não acredito numa educação eficaz se ela não for feita de uma forma interdisciplinar.

 

Vou tentar explicar ao que me refiro:

Eu em casa explico ao meu filho como é que ele se deve comportar à mesa mas, ele depois chega à cantina da escola e vai tentar adaptar o que aprendeu aquilo que vir fazer nesse espaço. A forma dele se comportar nesses espaços, no futuro, vai ser a soma daquilo que ele aprendeu em casa com a experiência “in loco”.

Outro exemplo: eu ensino em casa ao meu filho que apesar de existirem diversas formas no planeta de as pessoas se cumprimentarem umas às outras existem duas que são universais, o contacto visual seguido de um sorriso ou se existir um contacto maior o apertar a mão mantendo o contacto visual com a outra pessoa. Acontece que depois ele leva este conhecimento para a rua e testa-o. O que vai acontecer se sistematicamente ele cumprimentar alguém que lhe desvia o olhar? Vai achar que a mãe está errada, provavelmente.

É por isto que eu defendo que a educação não pode ser uma coisa compartimentada.

Dou outro exemplo do ambiente escolar: como é que uma professora de matemática ensina a disciplina? Ela precisa que os alunos tenham conceitos do idioma, ensinados noutra disciplina para que os alunos entendam bem os conhecimentos que ela oferece.

Por tudo isto eu defendo que a educação é um conjunto de circunstâncias que devem interagir todas no mesmo sentido.

Isto é o que eu penso, e é diferente da forma como a maioria pensa e está longe da forma como as instituições actuam.

 

Vivo actualmente fora de Portugal e tenho na escola um filho com 7 anos. Para além das preocupações normais com a sua educação, tenho de ter sempre presente as diferenças culturais e a necessidade de manter a nossa identidade sem desrespeitar a cultura alheia.

Achei que era importante para o meu filho comer pelo menos uma vez por semana na cantina escolar. Primeiro para ter contacto com a cozinha deste país, que é diferente daquela cozinha portuguesa que tentamos manter em casa e porque eu vejo a cantina como algo mais que um espaço para matar a fome às crianças. A maioria das relações deste mundo decorre à volta de uma mesa. Atrevo-me a afirmar que os grandes negócios deste mundo são feitos à mesa de um restaurante ou acabam por em algum ponto do processo de negociação passar por aí. E nos tempos que correm nós sabemos que a alimentação é a base de uma vida saudável. Ou seja, que não posso olhar para a cantina como um local qualquer. Para mim a cantina deve ser um espaço de descontraída aprendizagem e socialização entre amigos depois de uma manhã de trabalho organizado pelos professores.

 

Acontece que não demorei muito tempo a descobrir que a cantina que o meu filho frequenta é tudo menos a cantina que eu acho que todos os meninos merecem.

As senhoras de serviço na cantina, apresentam constantes sinais de irritação, que se traduzem em berros constantes muitas vezes acabam com castigos dignos do século passado cujo motivo nem sequer é explicado ao aluno.

 

Problema constatado, fui falar com elas para saber o que se passava. Não domino o idioma mas faço-me entender perfeitamente.

Receberam-me com um sorriso e contaram-me as técnicas como se fosse a coisa mais normal do mundo. Não gostei e disse-lhes que compreendo que trabalhar com crianças não é fácil mas, que não concordava com a forma de actuar delas. Os sorrisos educados desapareceram imediatamente e as desculpas que eles não eram educados em casa e faziam muito barulho apareceram, logo.

Passo seguinte ouvir a opinião de outros pais. E aí descobri que não era a única insatisfeita.

Faltava ouvir os pais de outras escolas e foi o que fiz, afinal podia estar a lutar contra algo cultural e aí teria de desistir porque sozinha não se muda nada. Nesse caso a solução seria tirar o meu filho da cantina escolar e esperar outra ocasião para introduzir essa parte importante da socialização. Mas, tive a oportunidade de ouvir várias opiniões e nenhuma referia achar normal a utilização de berros e castigos humilhantes, que rebaixam as crianças perante o grupo e alimentam o bullying.

Perante este trabalho de pesquisa fui falar com a Directora da escola. No meu entender, é a figura que coordena os vários espaços do ambiente escolar. Enganei-me! A senhora responde-me que a cantina não é responsabilidade dela e sim das autoridades governativas da vila.

Fiquei estupefacta! Fiquei com medo que ela me dissesse que aquilo que se passa no recreio também não era da sua responsabilidade!!!!!!

Aqui são feitas várias reuniões anuais e eu aproveitei a ocasião para expor o problema perante as autoridades da vila e da educação nacional. Com medo de ser ofensiva ou até mal interpretada, decidi expor a questão fazendo um convite à reflexão sobre o que é a educação e cruzei o que são comportamentos aceites com os mais novos que jamais seriam aceites entre dois adultos. Dei o exemplo de que se eu chegasse ao pé de um adulto e lhe gritasse, isso faria de mim uma mal-educada descontrolada. E fiz a pergunta “então porque é que gritar com uma criança, que sabemos aprende por imitação, é aceite como método educacional? Expliquei que apesar de concordar com o facto de a educação começar em casa, não podemos esquecer que o processo educativo continua fora dela em todas as interacções das crianças com os outros. Dei como exemplo que até os adultos se comportam de formas diferente perante pessoas diferentes, como por exemplo quando vai ao médico, não se vai comportar da mesma forma como o faz entre amigos. Sugeri possíveis soluções, como formação profissional para as funcionárias de serviço na cantina, porque servir refeições a uma criança não é o mesmo que servir a um velhinho ou a um adulto. Entre outras coisas.

 

Entre o longo texto que escrevi para deixar pouco espaço a más interpretações e que pedi para me corrigirem os erros de idioma e até de expressões que para eles podiam não significar nada, escrevi “que compreendo as dificuldades mas, não posso aceitar que não se faça nada para tentar mudar a situação”.

Na reunião, a oradora resolveu pegar nesta frase e conduzir a conversa como se os pequenos e os pais é que fossem os vilões e as pobres funcionárias as vítimas.

Afinal elas têm de trabalhar com um número elevado de alunos a comer que fazem muito barulho.

 

Deixei que a discussão acontecesse e intervim quando percebi que nada mais ia ser acrescentado. Reforcei a ideia de que se tratando ou não de pessoal pedagógico, as senhoras da cantina também têm um papel educativo e por isso se aplicam castigos têm de o fazer da forma adequada. Milagrosamente, todos concordaram comigo. (Pensei “estão a gozar comigo, só pode!)

A reunião acabou com o compromisso de alterar os grupos na cantina de forma a tentar encontrar um equilíbrio entre a prestação do serviço e os alunos, misturando os mais velhos nas mesas com os mais novos para que estes partilham as técnicas do bom comportamento à mesa.

Pode ser uma solução, não vou dizer que não, mas a verdade é que o assunto não me abandonou o fim-de-semana todo.

 

Hoje, fui levar o pequeno à escola. A directora estava à porta a recebê-los. Observei primeiro.

Um povo que tanto reclama “boas maneiras” esquece-se delas com frequência. Os pequenos entravam e sopravam um “bom dia” (a grande maioria fazia-o) e quase nunca obtinham uma resposta. Um sorriso que fosse. Como é que depois querem reclamar que as crianças não cumprimentam os adultos?

Aproximei-me, digo “bom dia” estico a mão, ela aperta mas sem olhar para mim e diz-me “bom dia”.

Pensei: “mensagem captada, não gostaste nada da minha intervenção na reunião”!

E disse-lhe que estava ali a falar com ela, porque queria evitar malentendidos. A minha preocupação com o assunto é a forma como o comportamento adulto condiciona a socialização das crianças. Disse-lhe que numa cantina é normal existir barulho, afinal não se trata de uma igreja, mas que se isso irrita as senhoras de serviço porque se sentem sobrecarregadas o que tinham de fazer é aumentar os efectivos e não fazer os pequenos passar por aquela experiência. Disse-lhe que entendia que elas tinham de manter alguma autoridade mas, que existem muitas formas conhecidas hoje em dia de o fazer sem passar por comportamentos de humilhação pública entre os pares. Disse-lhe que devíamos analisar o tipo de sociedade jovem que temos hoje e verificar a forma como foram educados para corrigir o que possa condicionar faltas de respeito com o outro, porque é a falta de respeito e a intolerância a fonte da maioria dos problemas que as sociedades hoje enfrentam (hoje e sempre).

Respondeu-me que tinham consciência do problema, que ainda não tinham soluções mas andavam à procura.

Ela disse-me o que eu queria ouvir e eu fiquei com a sensação que me estava a tocar música para me entreter. Por isso precisei escrever isto.

 

Agora a solução é dar tempo para ver se me deu música ou se realmente entenderam a mensagem e vão tentar corrigir!

Estou em “MODO ESPERA!”

NUNCA ASSINEM DOCUMENTOS QUE NÃO ENTENDEM.

Sabem aquela mania que temos de achar que ler o documento antes de assinar é incómodo e até falta de educação, quando o outro fica à nossa espera?

 

Vou relatar uma história que ouvi este fim-de-semana e que me reforçou a ideia de que não se assina nada sem se entender muito bem do que se trata.

 

“Trata-se do relato de uma jovem a viver em Melbourne na Austrália que resolveu visitar a Indonésia e a Malásia, antes de voltar a casa na América do sul.

 

Dentro do espaço europeu não nos preocupamos muito com passaportes e autorizações para viajar mas, se sairmos do espaço europeu (espaço Schengen), precisamos pedir autorização para viajar e cumprir as normas de cada país (que variam muito de nação para nação).

 

Ela fez os pedidos devidos e foi-lhe dada autorização para viajar a estes dois países entre Maio e Julho de 2014. Informaram-na que a autorização para entrar na Malásia era para uma entrada única mas, não disseram nada em relação à Indonésia.

Comprou os bilhetes e embarcou.

 

A primeira paragem foi em Bali, na Indonésia onde o namorado passava também uma temporada.

Depois seguiu para a Malásia. Durante a estadia em Kuala Lumpur o namorado perguntou, porque é que não passava por Bali mais uma vez antes de regressar à Austrália. Ela sabia que não poderia voltar entrar na Malásia com a autorização que tinha mas, não via nenhum problema em voltar à Indonésia.

Comprou o bilhete e dirigiu-se ao aeroporto de Kuala Lumpur. Estava uma confusão que ela justificou com o facto do avião da Malaysia Airlines ter desaparecido em Março. A funcionária no check-in não foi do mais simpático e olhou-a muitas vezes ao mesmo tempo que analisava o passaporte mas, deixou-a passar. E ela justificou, para si, aquele comportamento por causa da pressão no aeroporto depois do avião desaparecer.

 

Quando chega à Indonésia, começam os problemas. Perguntam-lhe por é que ela quer entrar ilegal naquele país! Confusa afirma que tem de existir um erro, porque a sua autorização só venceria em Julho. Acontece que ela entrava no país pela segunda vez com a mesma autorização que também era uma autorização de entrada única, só que ninguém se lembrou de lhe explicar que o formulário “x” só dava direito a uma entrada e não a várias durante a vigência da autorização.

Por um PAPEL, passou de turista descontraída, a frágil e solitária ilegal.

Ficou presa nas instalações do aeroporto. Quando isso ocorre é a empresa aérea que transportou que tem de se responsabilizar e foi isso que aconteceu. Esteve o tempo todo, custodiada por um membro da tripulação do avião que a havia levado até à Indonésia. Entretanto, verificou-se que o erro ocorreu em Kuala Lumpur durante o check-in. A funcionária deveria ter reparado que a autorização para viajar para a Indonésia já não estava válida e devia-lhe ter impedido o voo. Não o fez e a consequências foram desastrosas.

Numa situação destas fica-se frágil e durante as muitas horas que permaneceu no aeroporto à espera que decidissem o que fazer com o seu caso, fartou-se de chorar. Apesar de tudo as pessoas ao seu redor foram amáveis.

Foi decidido que ela seria deportada para o aeroporto onde o problema teve origem. Antes de entrar no avião as autoridades da Indonésia colocaram um selo vermelho no passaporte onde se podia ler em inglês que "o tráfico de drogas dava direito à pena de morte". E à chegada à Malásia os problemas agravaram-se. A amabilidade das pessoas desaparece e ela passa a ser tratada como uma ilegal bandida.

 

É arrastada para uma sala, sentada numa cadeira e três homens passam a gritar com ela a perguntar o que é que ela está ali a fazer. Mais que perguntar, eles acusam. Ela chora, chora, chora, … Está cansada, não dormiu bem, não comeu bem, …

Passado não sabe quanto tempo, colocam-lhe um papel à frente num idioma que ela desconhece e pedem-lhe que assine.

É aí que o ALERTA lhe acende. A imagem do selo vermelho no passaporte com menção à pena de morte provoca-lhe pânico e uma força para lutar contra a pressão que estão a exercer sobre ela manifesta-se. Grita "basta" e recusa-se a assinar. Insistem para que ela assine com maus modos. Ela recusa-se e deixa claro, que se querem que ela assine alguma coisa, lhe têm de trazer o papel em inglês ou espanhol. E NÃO ASSINOU.

 

Finalmente desistem de lhe fazer lavagem psicológica e ela foi conduzida a um gabinete onde uma senhora lhe deu uma autorização de 15 dias para permanecer na Malásia para que ela pudesse comprar o seu bilhete e ir para casa.

Entretanto descobriu que não tinha acesso à conta para comprar o bilhete e teve de andar a pedir dinheiro, depois de chorar sozinha por mais de 1h30. Mas voltou a casa.

Ao contar a história aos amigos, descobriu que ter ouvido o instinto e não ter assinado aquele documento foi o melhor que lhe passou. Uma "amiga de uma amiga", tinha estado numa situação parecida e quando pressionada a assinar, assinou a pensar que se ia livrar do problema e acabou presa mais de um mês.”

 

Saber dizer NÃO, mesmo quando a pressão é muita, é essencial para a nossa qualidade de vida. E ASSINAR SEM COMPREENDER é PERIGOSO.

 

Aconselho-vos a colocar um ALARME ESTUPIDEZ da próxima vez que estiverem para assinar sem entender. Em vez de assinar sem ler peçam para analisar o documento com calma e se for preciso peçam uma cópia para ler em casa e consultar os termos técnicos que desconhecem. Se mostrarem má vontade em ceder a cópia é porque não vale a pena estabelecer nenhum tipo de contrato com essa pessoa ou instituição. Este conselho serve para qualquer coisa, desde o depósito no Banco ao contrato de venda agressiva, passando pelo documento das finanças, etc…

Não entendo, não assino, expliquem-me primeiro!

 

 

Se o documento estiver num idioma que não é o nosso materno, devemos pedir uma cópia no nosso idioma materno como prevê, por exemplo, a “Convenção Europeia relativa ao Estatuto Jurídico do Trabalhador Migrante” que podem consultar aqui os princípios gerais: http://www.gddc.pt/direitos-humanos/textos-internacionais-dh/tidhregionais/conv-tratados-24-11-977-ets-93.html Em caso de um contrato de trabalho é MUITO IMPORTANTE saber quais são os direitos que nos assistem e as obrigações também para que não cometamos falhas por ignorância e que podem custar muito caro.

 

Com um pouco de bom-senso e se não cedermos a precipitações e pressões, podemos ter uma vida sem sobressaltos burocráticos que se não nos matam, nos tornam a existência uma desgraça. Reflictam-no, porque existe muita gente com vidas que não suportam apenas por que assinam e aceitam tudo o que lhes propõe sem cuidado nenhum.

 

Vivemos uma época onde a burocracia é uma praga que se encontra por todo o lado. Sendo complicado estar a par de tudo e de todas as leis, pelo menos ter o cuidado de saber e entender bem o lugar onde colocamos a nossa assinatura, porque ela é a nossa afirmação de que aceitamos aquilo como verdade!