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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

FAKE NEWS e o nosso papel na divulgação

Parece que para o ser humano, enfrentar uma situação difícil conhecendo o culpado, é fundamental. De preferência que esse culpado não sejamos nós ou alguém próximo. Poder apontar o dedo a alguém com o qual não temos nenhum tipo de relação afectiva é terapêutico. Quase nunca resolve, muitas vezes até atrapalha, mas dói menos.

E esta pandemia é mais um exemplo, desse nosso comportamento. Podemos concentrar-nos em colaborar com as autoridades, para sair disto o mais rápido possível? Podemos. Mas, quando quero ir ao supermercado e a polícia me pára para me perguntar, o que é que eu ando a fazer na rua, eu tenho de ter alguém a quem pôr a culpa. Quando me pedem 10€ por um frasco de álcool gel, mesmo que eu saiba que isso não é legal, eu preciso ter a quem pôr a culpa. Etc..

(Um aparte: a maior parte das autoridades no mundo, estão a informar que as máscaras e álcool gel são medidas de prevenção para quem está na linha da frente, a lidar com doentes ou grupos de risco. Para todos os outros, as medidas de higiene normal com um pouco mais de atenção são o suficiente. Lavar as mãos, usar lixívia diluída (vejam os rótulos que normalmente dizem em quantas partes de água se deve diluir, porque varia conforme a marca), ...)

A vida está cheia de caminhos laterais, com armadilhas e desafios. Todos lidamos com problemas, todos os dias e, se repararmos eles resolvem-se mais depressa e melhor quando nos concentramos naquilo que nós podemos fazer, em vez de nos concentrarmos naquilo que o outro não devia ter feito. Mas, na hora é preciso aliviar pressão e ter um culpado é essencial.

Aí começam a surgir as fofocas, que nos dias que correm começam a correr as redes sociais, porque é preciso exteriorizar o nosso problema. Somos comunicativos precisamos expressar-nos e quando estamos indignados é uma obrigação fazer.

O problema é quando aquilo que expressamos afecta a terceiros e não temos nenhum fundamento inquestionável para o fazer.

Vejo muitos posts xenofóbicos que atingem os chineses. Sem nos lembrarmos que ainda há pouco tempo esta gente enfrentou fome e que teve de recorrer ao que podia para comer. Condenamos a sua forma de alimentação baseados em notícias de suspeitas ainda não confirmadas.

Eles comem assim há muito tempo e agora tiveram um problema, que provavelmente foi causado por diversos factores, mas não esperamos que os especialistas cumpram a sua missão e atacamos TODOS os chineses. O seu sistema de comércio pode ser a causa? Pode. Contudo, o contágio está essencialmente na Europa e América do Norte. São os ricos viajantes, que o estão a levar para continentes como América do sul e África. Não somos nós e o nosso arrogante poderio para viajar, culpados também? Não teremos de proibir os mercados vivos na China e as nossas viagens também? Estamos dispostos a isso? Não há outra solução? Fica para reflexão.

Outra situação que corre as redes, é um suposto culpado de ter fabricado o vírus em Harvard e vendido à China. Estou a ver gente que nem sequer entende inglês, a basear-se no comentário pessoal do autor da partilha para dar seguimento à notícia. A data do vídeo não aparece, pode estar descontextualizado, mas é fácil clicar e fazer seguir sem verificar a informação. Se colocarem no Google, o nome do suposto culpado, vão ver que a FAKE NEWS já foi esclarecida em diversos idiomas.

Gostaria de recordar que as "descobertas" americanas e não só, devem ser sempre alvo de algumas reticências. Num passado não muito distante, umas supostas bombas fabricadas no Iraque, levaram a que a comunidade internacional apoia-se a entrada das tropas americanas nesse território. Das bombas nunca se viu nada, mas serviu para que esse território e o seu petróleo estivesse sob alçada americana até hoje.

Ás vezes, eu acho que as redes sociais deviam fazer um questionário gravado, a perguntar o porquê da partilha. Talvez isso limita-se o alcance destas coisas. Nós sabemos que as fake news podem ter consequências graves. Vejam os presidentes eleitos em alguns países, por exemplo, porque as pessoas usaram como base informativa este tipo de conteúdo. E neste caso, em particular, pode levar a aumentar o ódio por um povo que sabemos que não é TODO culpado, se é que tem alguma culpa. Devemos ter presente que uma vez partilhado, perdemos o controle de quantas pessoas vão ler e como vão interpretar. Mas, até ao clique da partilha o controle é nosso e por isso nossa responsabilidade.

Não temos de ser especialistas em política, nem pouco mais ou menos, mas temos de ser conscientes que jogamos um pequeno papel nesse jogo, cuidemos a nossa parte.

Não sejamos como povo alemão no século passado, que apoiou Hitler sem saber o que viria depois. Não nos esqueçamos que nos relatos de vítimas do holocausto, temos judeus que começaram por apoiar o regime nazi, achando que a eles nunca lhes tocaria e todos sabemos como acabou a história.

Castiguemos os culpados, só quando não houver dúvida alguma sobre a sua acção. Até lá, colaboremos para conter a pandemia e preocupemos-nos em como vamos enfrentar as mudanças que por aí vêm. Não sabemos o que nos espera, mas podemos preparar o espírito para as receber. Afinal, nunca sabemos o que nos espera a seguir! Só que agora há fortes indícios de que vai ocorrer!

Fiquem bem e na medida do possível, fiquem em casa.

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