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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

“Heal the World” mensagem de 1991. As nossas crianças ainda aguardam a “cura”.

"A criança deve ser protegida contra as práticas que possam fomentar a discriminação racial, religiosa, ou de qualquer outra índole. Deve ser educada dentro de um espírito de compreensão, tolerância, amizade entre os povos, paz e fraternidade universais e com plena consciência de que deve consagrar suas energias e aptidões ao serviço de seus semelhantes". – in Declaração dos Direitos da Criança, proclamada por Resolução da Assembleia Geral de 20 de Novembro de 1959 da Unicef.

 

 

Hoje, em Portugal comemora-se o Dia da Criança, celebração que nasce no pós guerra e que pretende chamar a atenção para a necessidade de as proteger e promover um mundo mais digno.

 

As comemorações que se fazem hoje em dia, estão muito longe desse objectivo inicial.

 

Nos anos 80, a causa era lembrada nas escolas. Eram feitos trabalhos manuais, em grupo, para lembrar a necessidade de contribuir em equipa para um melhor resultado. As professoras, as tv’s, os nossos pais lembravam-nos que existiam crianças que neste MESMO MUNDO, não viviam como nós. Viviam com muito menos e em condições muitas vezes sem qualquer dignidade. Lembro-me de ouvir vezes sem conta a música “We are the world” que nos lembrava que podemos fazer mais em prol do bem de todos, principalmente destes seres de amanhã, que precisam de cuidado e dedicação hoje, para que cresçam Bem.

 

Nos dias que correm, as escolas continuam a tentar não deixar esta data cair no esquecimento. O marketing transformou este dia é mais uma desculpa para o consumismo. Os papás, na esperança de aliviarem a consciência pela constante ausência na vida dos seus próprios filhos (onde é que anda o tempo para se lembrarem dos filhos dos outros?), adoptaram a ideia que o marketing vendeu com a maior facilidade.

 

Temos um então um Dia da Criança, excelente para aumentar ainda mais o ego dos pequenos petizes (e as vendas dos grandes comércios). Lembrando-os como são importantes e a quantidade de coisas que podem receber por isso. Mas que pouco contribui para um mundo melhor.

 

Em 1959, a Declaração dos Direitos da Criança lembra:

“… essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo império da lei, para que o ser humano não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão,…”

 

Passaram 56 anos. Passamos os olhos pelo mundo, e não precisa ser um mundo longínquo, para percebermos que o Império da Lei” não cumpriu, não cumpre e não tem vontade de vir a cumprir a sua missão.

 

O poder económico governa este planeta. A política o único poder com a estrutura necessária para controlar o poder económico está completamente dominada por ele. A imprensa e meios de comunicação funcionam a “motor de carvão” no interesse das sociedades. Restam as próprias sociedades, que estão cada vez mais isoladas e escassas. Ainda há alguma esperança?

 Imagem do blog

crian_as.jpg

Eu acredito que sim. E ela está nesses seres que hoje celebramos: as Crianças.

 

Mas teremos de rever os modelos educativos e a organização social.

 

O modelo actual está perdido à procura de respostas, mas ainda se reflecte muito nos modelos antigos que como a história regista deu à humanidade muito louco, muito manipulador, muito insensível, muito mentiroso, muita má gente. E os que não eram portadores de tão má índole, não tinham ferramentas que lhes permitisse lutar por um mundo melhor porque lhes faltava iniciativa, coragem, consciência social proactiva, etc…

 

Os modelos educativos antigos não produziram gente suficiente com as características e ferramentas para fazer deste mundo: AQUELE MUNDO justo e digno para todos.

 

Ainda ouço gente a defender a educação à bofetada, porque assim foram educados e ainda cá estão, dizem. E eu pergunto: E fizeste o quê da tua vida? Salvaste alguém? Mudaste alguma coisa para melhor? Ou limitaste a existir? Ocorreu algo de importante para lá da fronteira do teu umbigo?

 

Se insistirmos na mesma fórmula, vamos continuar a ter o mesmo resultado.

 

Podemos continuar a imaginar a Humanidade futura, tal e qual a conhecemos hoje: com desigualdades descomunais, com gente cheia de fome de um lado e do outro lado gente que coloca comida no lixo, guerras a estalar por todo o lado, loucos a viver na vizinhança e a ameaçar a nossa paz, gente sem roupa para vestir e gente sem espaço para tanta roupa, etc…

 

É verdade, a humanidade evoluiu de forma vertiginosa nas últimas décadas: telemóveis para todos, computador pessoal, clones, genoma humano, fomos à Lua e não deve tardar a irmos passar férias a Marte. Mas socialmente, ainda nos comportamos como os mesmos animais que um dia habitaram as cavernas.

 

Se queremos poder sonhar com uma Humanidade melhor, e um futuro real e digno para os nossos herdeiros, teremos de rever as fórmulas educativas e fazer diferente.

 

Não tenho a resposta correcta, como é óbvio. Mas creio que parte do caminho pode ser por aqui:

 

  • As crianças registam os exemplos e não as teorias. Por isso, papá antes de tentar implantar um comportamento ao teu filho, adopta-o tu primeiro;
  • Lembrem-se sempre que as rotinas são essenciais no desenvolvimento do vosso filho. Levar o petiz para o supermercado à hora de comer, ou de dormir a sesta é pedir “birra” da séria;
  • As bofetadas e palmadas não falam e por isso não explicam. Se querem realmente educar usem o diálogo, e expliquem às crianças (que mesmo que não acreditem são seres muito inteligentes) o que fez de errado, porquê e qual é a forma de corrigir. Tracem-lhe de forma simples o caminho correcto;
  • Se a criança insiste num comportamento errado, então (e só nesta altura) recorram ao castigo. Que deve ser de acordo com a idade. As crianças mais pequenas assimilam muito bem a mensagem com o simples olhar zangado e a serem afastados do motivo que gerou o mau comportamento. Os mais velhos entendem sendo privados de algo que gostem e que se relacione com o mau comportamento. Assim ensinam-no a corrigir o comportamento e a serem tolerantes e não agressivos;
  • Preocupem-se mais em descobrir quem é o vosso filho como individuo, e ajudem-no a melhorar as suas capacidades naturais, do que a enchê-lo de teorias e conteúdos que só o vão distrair da verdadeira vocação e minar a sua capacidade de ser feliz;
  • Exijam dos políticos e da sociedade medidas que melhorem a interacção dos pequenos com a comunidade. É muito importante, conhecermos o meio que nos rodeia e relacionarmo-nos com os outros nas várias situações da vida.
  • Não deposite o seu filho na escola. Permita-lhe o contacto com outras realidades para além dos muros da escola. Deixe-o enfrentar as filas das finanças consigo (dependendo da idade, escolha bem o dia e a hora), leve-o aos correios, leve-o à padaria, ao centro de saúde, ao parque, etc…
  • Exija que os políticos organizem o tempo laboral para que exista espaço e tempo, para que possa ser Pai/Mãe para além do registo de nascimento.

Muito mais pode ser acrescentado, falado, discutido, revisto, corrigido, mas fica aqui a ideia:

 

PRECISAMOS MUDAR A FORMA COMO EDUCAMOS OS NOSSOS FILHOS HOJE, PARA QUE POSSAMOS TER UM MUNDO MELHOR AMANHÃ.

PRECISAMOS COLOCAR OS ALICERCES HOJE, PARA QUE ELES CONSTRUAM AMANHÃ.

 

Feliz Dia da Criança para todos. Enquanto relembramos a mensagem de 1991 “Heal the World”.

Fica o link, porque um qualquer erro não me permitiu a partilha do vìdeo:

 

https://www.youtube.com/watch?v=BWf-eARnf6U

 

("Cure o Mundo para todos" pede a letra desta música de Michael Jackson. 24 anos depois ainda não encontramos o remédio. Continua a esperança).

 

 

2 comentários

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    Aerdna 02.06.2015 09:08

    Olá Marta !

    Acredite que a vontade de dar a bofetada, ocorre a todos, a diferença é que os que a evitam estão a dar um bom exemplo aos filhos. Às vezes tropeçamos, em adultos a quem nos apetecia recorrer à bofetada para os colocar no sítio, mas não o fazemos e isso diz muito bem de nós.

    Educar tem sido o maior desafio da minha vida, porque não existem receitas. Todos os dias adaptamos as nossa personalidades, as nossas circunstâncias e objectivos para TENTAR o melhor resultado. Também não tenho a certeza se o caminho que escolhi é o melhor e estou sempre a adaptá-lo. De vez em quando ocorre alguma coisa, que me diz que não vou mal como por exemplo: ver o pequeno a atirar “bom dias” a toda a gente sem excepção (coisa rara nos dias em que nem o vizinho conhecemos), ou a sair a correr para ajudar a amiga que caiu.

    Ontem tive reunião de avaliação com a professora dele. E fiquei feliz com os resultados. Apesar que ver uma criança de 5 anos a ser avaliada pela escrita, leitura e matemática me deixa terrivelmente apreensiva. Mas depois da reunião vinha a conversar com o meu companheiro sobre o petiz e a conversa com a professora. Ele estava preocupado, porque a professora disse que o pequeno era muito falador, e por causa disso era sempre o último a acabar (os homens são competitivos até nos resultados dos filhos). “Conversa vai, conversa vem”, eu acabei por lhe dizer: “Ainda bem que ele não é perfeito, e que comete erros agora. Porque os erros que se cometem em pequenos podem ser corrigidos e bem orientados. Quando ele crescer, será mais contenção de estragos, o que vai ocorrer.”

    Em pequenos, os miúdos ouvem-nos, seguem o exemplo, imitam-nos. Se conseguirmos corrigir muitos erros ainda em pequenos, com certeza isso irá facilitar o nosso trabalho como mães de adolescentes (aí deposito a minha esperança). Por isso, eu quero que ele cometa os erros que tiver de cometer agora. Fico sempre muito desconfiada quando vejo crianças que não partem um prato (fico à espera do dia em que ela vai explodir).

    É por esta convicção que eu defendo que os pais têm dever de estar presentes de forma activa na vida dos filhos, ainda pequenos. Agora dar palpites: acho que a primeira década de vida é crucial. A lei portuguesa, não está cega neste ponto porque permite aos pais de crianças até doze anos trabalhar a tempo parcial, mas as condições em que o permite são ridículas e por isso quase ninguém conhece a lei e quem conhece não tem condições (€) para usufruir. Mas é urgente mudar esse cenário, pelo bem do futuro da Nação e da Humanidade.

    Na educação, o que resultava com o bebé, já não resulta com a criança e para mal dos meus pecados não vai resultar com o adolescente. Tentarei dar o meu melhor.

    Mas o mundo só faz sentido como grupo, e por isso pouco vale estar sozinha nesta luta. Precisamos de mais pessoas a apostar na boa educação dos rebentos, de políticos que ponham os olhos em países como o Japão e a Suíça e percebam o verdadeiro potencial da educação e façam as mudanças necessárias e precisamos que o povo português deixe de ser o conformista em que se transformou.

    Boa semana Marta!

    PS: Não ignorei o desafio, apenas estou a pensá-lo. Dê-me tempo. 

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