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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

O passado presente no futuro...

Quando quase tudo parece estar fora de controlo, temos necessidade de revisitar o passado e resgatar as soluções conhecidas, que nos garantam algum tipo de resposta familiar ao caos. Parece-me que a humanidade está nesse momento.

A pandemia que para as gerações actuais é todo um mundo novo, já foi vivida pela humanidade noutras ocasiões. Esses dados registados pela história, hoje oferecem-nos possibilidades de respostas e soluções. Óbvio que não são soluções definitivas e têm de ser adaptadas à nossa realidade, mas dão-nos "aquele conforto". É sempre mais fácil lidar com algo que já está desenhado, que enfrentar a folha em branco.

Se no que toca à pandemia pudemos resgatar do passado as máscaras, o confinamento, os hospitais de campanha, a escola ao ar livre, etc... Também é no passado que encontramos respostas para tentar recuperar os danos ao meio ambiente, que a nossa pressa de viver tem causado. São os navios movidos a vento que voltam aos nossos mares, são as fraldas de pano laváveis que voltam aos rabos dos nossos bebés, os objectos que não precisam ser substituídos o tempo todo para diminuirmos o consumo dos plásticos low cost que revelaram ter um custo muitíssimo alto para a sociedade, as pessoas redescobriram que aqueles dois membros abaixo da bacia servem para se locomover e com isso ganham saúde e ajudam a diminuir o impacto ambiental, são os lixos que voltaram a ser reaproveitados por que como disse o filósofo “nada se perde, tudo se transforma”...

Que bom que a minha geração está a descobrir que as aulas de história não estavam no programa escolar só para matar neurónios! No meu tempo, calculem quanto por esse comentário, os jovens queixavam-se das aulas de história e filosofia, porque segundo eles não serviam para nada útil. Hoje, ao perceberem que a história contém muitas das respostas que precisamos e que quem assistiu às aulas de filosofia pelo menos aprendeu algo sobre a arte de pensar, talvez entendam o tamanho do poder que lhes estava a ser entregue e que não souberam aproveitar. Já nessa altura a arte do queixume era rainha, afinal queixar-se é desresponsabilizar-se e isso é muito confortável.

Se é verdade que a história nos oferece soluções antigas que se podem aplicar a problemas actuais, não nos podemos esquecer que ela também carrega muitos erros que tendemos a repetir por ignorarmos os resultados anteriores. Li num jornal francês que algumas estradas nacionais da França estariam sob domínio privado devido a um decreto do ano 2019 que passou despercebido à população em geral. Se olharmos para história mundial saberemos que estas privatizações têm tendência a piorar, beneficiando-se da distracção geral. Recordemos o sistema feudal que demorou tanto para ser abolido e agora aparece-nos de novo no horizonte. A este ritmo, o país de todos será domínio de uns poucos que decidirão onde, quando e como todos os outros poderão viver, ou não. Liberdade será ainda mais uma utopia. Não podemos esquecer que as redes nos trouxeram um modelo de informação "elitista" onde tudo parece informação mas, na realidade a boa informação verificada só é acessível a quem pode pagar. Os outros, apesar da sua contribuição fiscal para a garantia dos serviços mínimos essenciais, só acedem a textos mastigados com opiniões (como este obviamente, mas disso se trata um Blog).

Não há democracia sem informação de qualidade que chegue a todos, e isso é facto. Se não acreditam nessa afirmação, verifiquem o que nos diz a história acerca dos ditadores e perceberão que o primeiro que eles tentam controlar é o rio de informação que alimenta e organiza as sociedades.

Este caso das estradas é apenas um exemplo do que é possível fazer entre governos e um par de poderosos empresários, que se têm empoderado com o dinheiro que todos pagamos em impostos e deixamos nas mãos de banqueiros. Com aquilo que é de todos eles organizam-se na surdina para que seja apenas deles. Também podíamos falar do projecto de expansão da China que faz anos anda a comprar o mundo inteiro a preço de saldos, ou o caso dos Estados Unidos que não tendo clientes para as suas armas os cria longe das suas terras para não apanhar com os estilhaços, ou o Brasil que vende as suas riquezas naturais como se o país inteiro fosse propriedade de dois ou três que arrecadam e escondem o lucro, ou a Europa que tem privatizado tudo e mais alguma coisa roubando a propriedade às populações e dando o poder a uma elite desconhecida para a maioria. Não faltam exemplos actuais de como se aproveitam da nossa indiferença e prejudicam as massas em benefício de uns quantos.

O que está a fazer a humanidade entretanto? Continua a achar que a história da humanidade é uma chatice que não se repetirá, por obra e graça de um qualquer deus, seja ele devoto de uma religião ou de uma consola de jogos. Estudar para quê? Questionar para quê? Realmente se não entendem o valor disso não vale a pena perderem o seu precioso tempo, pois podem investi-lo em tornarem-se escravos, bons escravos, desses formados, criativos e empreendedores para dar lucro aos outros.

“O povo unido, jamais será vencido" será resgatado daqui a umas gerações, quando não houver mais nenhuma solução pacífica possível, porque quando ela existia estávamos todos a dormir.

Estamos entretidos a consumir o mundo como se não houvesse amanhã, distraídos com os nosso brinquedos, agarrados à esperança de que um milagre nos salve sem termos de interromper a novela, entretanto um par de espertos roubam sem remorsos. Mas, quem não toma conta do que é seu, fica sem... liberdade. Espera-nos o velho canto da dependência, a que chamam carinhosamente solidariedade.