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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Quero falar de terrorismo, porque...

Rodando as redes sociais esta semana, deparei-me com uma situação que me fez repensar o conceito « terrorismo ».

Uma artista cubana que actualmente se encontra muito na moda, mas não quero nomear para não alimentar polémicas, deu um concerto na argentina este fim de semana. Tudo correu como se espera nestes eventos até que o twitter começou a ser invadido com pedidos de ajuda para achar umas quantas meninas que « supostamente » tinham sido raptadas no fim do concerto.

Os pedidos iam sendo viralizados e as informações que iam aparecendo iam sendo cada vez mais incoerentes. O assunto chegou a ser partilhado e comentado por artistas e pessoas com alguma visibilidade na sociedade argentina.

O que é que me assustou ?

A facilidade com que se espalha uma informação mal fundamentada nas redes, se distorce e se lança o pânico sem qualquer filtro.

A maioria tem entendido que terrorismo é aquilo que determinadas « raças » fazem ao entrar num local e sem aviso prévio de guerra, começam a matar sem nenhum tipo de critério aparente. E isso é uma das formas do terrorismo, não temos nenhuma razão para duvidar.

Mas a pergunta é : que ganham fazendo isso ? Se no final em termos politicos fica tudo igual ou pior.

E existe apenas uma forma de espalhar horror?

Eu penso que o ganho se encontra no MEDO que espalham e que permite depois uma capacidade de controlo de massas que antes do MEDO não se podia. O MEDO é a receita mais conhecido e eficaz para LIMITAR/OPRIMIR Liberdades, sem o incoveniente que o oprimido se oponha.

Vejam as regras que imediatamente depois dos « ataques » aparecem para nos enquadrar e todos acabamos por aceitar e até agradecer. E é a receita supostamente correcta : « casa roubada, trancas à porta » ensinam-nos desde tempos imensuràveis. Nunca se resolvem os problemas de base e isso também deve ter uma explicação que ainda não consegui entender muito bem.

Nesta situação, chamou-me à atenção que o MEDO se espalhou sem recurso a nenhuma morte. Um boato viralizado e as mulheres argentinas, sempre tão mal tratadas por um machismo amplamente alimentado pela igreja e as suas regras, estão com MEDO. Diria que estão com mais medo.

Tal foi a confusão que se gerou com a falta de coerência entre as informações que se foram espalhando que ninguém pode afirmar com segurança que tais raptos realmente existiram. Outro problema para além do alastramento do medo é : se realmente alguma menina foi raptada, ninguém sabe se a deve procurar ou não e muito menos que pistas seguir.

E é aqui, que esta ferramenta maravilhosa que são as redes sociais se tornam a semente do pesadelo.

Nas redes vê-se as pessoas a trocar informações sobre como enviar a localização através do telefone e com recurso às redes sociais da moda e etc... E apesar de que é um recurso que agradecemos perante este tipo de terrorismo contra as mulheres, porque é preciso fazer algo, não deixo de ter a sensação de que no fundo venceram mais uma vez : porque ao partilharmos a nossa localização estamos a dar informação a uma série de gente desconhecida e no fundo estamos a deixar que nos controlem.

Isto do terrorismo em tempos de partilha constante de informação, sem que antes de clicar em partilhar haja o cuidado de verificar minimamente a fonte da informação, tem o terreno fértil para se espalhar e IMPOR.

A continuarmos assim, creio que este século ou milénio vai ficar registado como a ERA do MEDO.

E isso deixa-me triste. Acesso a informação devia ser LIBERDADE e não opressão.

Mais uma vez, estou inclinada a acreditar que é vital a educação para repor liberdades, porque não basta estar informado, é preciso estar BEM INFORMADO.