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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Ainda há alguma coisa que justifique ter filhos para além do desejo ?

A qualidade da existência é coisa que me aflige, e por isso estava mais ou menos atenta aos resultados da reunião parlamentar que ontem, se juntou para discutir a Natalidade.

 

Hoje, os jornais publicam as propostas apresentadas por aquela “centena” de cabeças, que os nossos impostos sustentam e eu não sei como reagir. Estou em fase de decisão.

 

As propostas apresentadas são mais do mesmo blà blà blà das últimas décadas. Tirando a proposta de guardar os gâmetas nos casos oncológicos, para que as pessoas possam ter filhos posteriormente se assim entenderem, tudo o resto é lição repetida.

 

As propostas apresentadas parecem promoção de supermercado, que incentivam o início do consumo, mas não garantem a sua qualidade/possibilidade no futuro. Temos o subsidiozinho, o gratuito e as contrapartidas.

 

Mas analisemos uma coisa: ter um filho não é um episódio isolado na vida de uma pessoa, pois não?

Um filho exige responsabilidade para a vida e, para quem queremos o melhor.

nascafeftei.JPG

 Imagem do CAPSES

 

Na impossibilidade de lhe dar o melhor, pelo menos desejamos que tenha condições de vida básicas. No mínimo exige-se que cresça com esperança de viver dignamente e possa sonhar com um futuro onde possa evoluir.


E isso não se faz com “propostazinhas do século passado”. Faz-se primeiro com o desejo de ser mãe/pai e depois com uma sociedade estruturada e saudável.

 

Para que esse factores se concretizem:

Exige-se que o sistema de saúde funcione no seu todo e não só na oferta de umas quantas vacinas. 
Exige-se segurança e para isso a justiça tem de funcionar e ter credibilidade. 
Exige-se educação de qualidade e, isto não é um direito é uma obrigação social. 
Exige-se que os pais possam ser realmente pais e não procriadores de registo e, tenham tempo para dedicar aos filhos. Isso não acontece com os actuais horários e mais as exigências e pressões patronais habituados a desrespeitar direitos com a ameaça da crise e do despedimento. 
Exige-se uma economia saudável em que os pais tenham rendimento suficiente para garantir comida, roupa/calçado, manutenção de saúde, e acesso a educação e isso não se faz no actual cenário do mercado de trabalho, nem com subsidiozinhos "y" que por um lado dão e, logo a taxa "x" tira. Para não falar que dependem da boa vontade da legislatura do momento. 


É preciso fazer muito mais pelo país, para que tenha algum sentido falar de Natalidade.

 

É verdade que temos de dar a continuidade à espécie, mas com a industrialização e a maquinaria que existe hoje em dia, já não necessitamos de nos reproduzirmos como coelhos.

Pelo contrário, o excesso de procriação pode ser nefasto para a qualidade de vida, e ainda mais quando os recursos naturais estão em fase de começar a escassear.

 

Então qual é o sentido da pressão para que os portugueses tenham filhos?

Alimentar o capitalismo com “escravos”? Criar pagadores de reformas milionárias em vez de corrigir o sistema?

(a Suíça implantou um sistema social muito mais justo que não entendo porque é que ainda não foi importado para Portugal.)

 

A natalidade já não pode ser vista como o era no passado. O presente tem novos cenários, novas mentalidades, novos objectivos. Evoluímos e também o teremos de fazer no campo da natalidade. As crianças devem ser desejadas e não feitas por pressão social, seja ela governamental, ou familiar, porque o preço que se paga na rotina diária é colossal.

 

As pessoas que não se enganem ao acharem que podem ajustar o orçamento familiar, juntando o abono de família ao ordenado. A equação é mais complicada. Primeiro, porque não sabemos até quando existirão os subsidiozinhos. E segundo, façam um passeio pelo supermercado, na secção de bebé e, ficam logo com a ideia que nem um pacote de fraldas compram, com o chamado “abono de família”. E falta o berço, a cadeirinha, a roupinha, o leite, o médico, etc… Isto só na primeira infância, é que a criança cresce e as despesas também. É preciso trabalhar, e o patrão gosta de exclusividade, então é preciso encontrar uma escolinha que custa os olhos da cara e nem sempre garante qualidade, o tempo para o petiz passa a ser luxo que substitui os nossos tempos de lazer que até são essenciais para manter alguma paciência e coerência na educação …

 

E podíamos escrever um romance só com as peripécias orçamentais e não só, que uma nova vida significa na actualidade.

 

Para o governo uma criança é um número na tabela de estatísticas, para os pais é a maior responsabilidade que alguma vez enfrentarão.

 

Basta dar uma vista de olhos nos jornais e perceber que existe muito boa gente que não lida muito bem com tamanha responsabilidade. Temos os que esfaqueiam bebés por frustração afectiva, os que matam de pancada porque é fácil impor autoridade perante um ser de meio metro e não com um do seu tamanho, temos pais que devolvem filhos adoptados (foram escolhidos a dedo) ao fim de meia década, temos pais que entregam filhos à GNR alegando falta de condições, e tantos outros disparates que se tornaram banais e por isso não são notícia.

 

Acho que a natalidade merece uma discussão séria e, não o teatrinho do costume.

 

 

 

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