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Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Aerdna no Mundo?

A definição da palavra "mundo", não é restrita. A minha preferida, engloba os vàrios conjuntos de realidades concretas e imaginadas. Aqui veremos o mundo pela escrita de Aerdna.

Impostos em tempo de crise....

EU TENTO RECORDAR QUAL É O VERDADEIRO SENTIDO, PARA CADA UM DE NÓS ABDICAR DE UMA PARTE DO PRODUTO DO SEU TRABALHO, EM IMPOSTOS!

Quando se vê o pacote de medidas para quem tem menores em casa, durante uma situação imprevista que obrigou meio mundo a parar, fica complicado entender porque é que se paga impostos.

A razão de ser dos impostos, explicada de uma forma simplista, muito simplista é a mesma pela qual fazemos as "vaquinhas" para comprar um presente. Sozinhos ficaríamos limitados, mas juntando o dinheiro de todos já dá para pensar em algo melhorzito.

Nos impostos o princípio seria mais ou menos o mesmo. Sozinho, eu talvez não pudesse mandar os meus filhos estudar. Isso contribuiria para a ignorância geral, que em casos de pandemia por exemplo, pode dar muito maus resultados para o colectivo, porque as pessoas não entendem a mensagem (e olhem que estão a traduzir para todo o tipo de gosto: há textos massudos, canções, jornais televisivos que não falam de outra coisa, acho que só não vi banda desenhada a falar do assunto, mas com certeza que é falha minha).

No entanto, quando juntamos o esforço de todos e arrecadamos os impostos colectivos, garantimos que se mate a ignorância da maioria. Desta forma, cada um de nós poderá mandar o seu filho estudar. Cada um de nós poderá aceder ao sistema de saúde e desta forma garantir algum controle de doenças, que de outra forma se espalhariam e nos matariam (ou nos tirariam uma boa parte da qualidade de vida só pelo facto de vivermos com esse medo). 

Outra situação que a arrecadação de impostos promove, é o sentido de justiça. Imaginem, se no caso de um conflito, o juiz fosse pago por uma das partes? Ele teria de garantir o seu sustento e nunca poderia ser imparcial. Mas, como ele é pago pelos impostos, ou seja, é pago por todos nós, ele não tem porque não ser imparcial (e até o mau carácter pode vir a ser julgado, por algum juiz que entenda o seu papel, sem medo de ficar sem o sustento).

Neste sentido, pagar impostos tem importância. Eu abdico de uma parte do produto do meu trabalho, para que o todo cuide de mim.

Mas, chegamos a uma pandemia, onde várias nações já provaram que a restrição social é fundamental. Para obter o afastamento social necessário, os impostos são chamados a palco.

É preciso garantir que todos possam ficar em casa, para ajudar a diminuir a afluência aos hospitais. As pessoas têm de ter a certeza que num futuro próximo poderão continuar a alimentar-se e fazer frente às obrigações, para não terem de escolher entre respeitar as medidas impostas ou comer no mês seguinte. Aqui entram as medidas políticas e sociais, patrocinadas pelos nossos impostos. O problema dos impostos, é que eles são geridos por um grupo de pessoas que nem sempre têm a preparação necessária, para a responsabilidade que assumiram.

Olhamos para o pacote de medidas que estão previstas para fazer face ao problema da pandemia e parece que o básico não está assegurado. 

Eu entendo que, salvar empresas é salvar o pão de cada dia de muitos cidadãos. Entendo que a política do subsídio fácil é alimento para a preguiça produtiva e intelectual. Mas, não é disso que se trata neste momento. O momento é de usar o dinheiro de todos, para salvar a todos. As pessoas precisam ficar em casa para se proteger e também para proteger os outros. É preciso criar-lhes condições para isso.

Colocar contra a parede uma mãe, que tem de escolher entre ter o salário básico para comer no mês seguinte ou mandar os filhos para um local, muitas vezes sem condições (lembrem-se dos lares em Portugal), e onde ficarão muito provavelmente em convívio com outros filhos de mães nas mesmas condições, não se faz! Porque o princípio de restrição social, não funciona só em discursos televisivos. Os vírus não obedecem a títulos e palavras autoritárias.

Tirar o rendimento a quem fica em casa durante as férias da Páscoa, é um absurdo. "Já estavam previstas", defendem. Estava previsto que as crianças ficariam na casa dos avós ou nas colónias de férias, mas com as restrições isso já não é possível. As condições previstas mudaram e os impostos deviam estar aí para fazer face a isso.

"Podem tirar férias", argumentam. Claro, porque as férias foram criadas com o intuito de fazer face a estas situações. Os pais portugueses, que as estatísticas apontam como espécie em extinção, já pouco convivem com os filhos e ainda têm de abdicar de umas férias descontraídas e organizadas, para ficarem fechados em casa com eles. Gostaria de recordar que as férias pagas não são uma iniciativa da boa vontade patronal e sim uma necessidade verificada e estudada. As pessoas são mais produtivas e rentáveis, quando podem usufruir dessa pequena paragem. Que é paga para que a preocupação com os rendimentos, não levem as pessoas a abdicar dessa etapa e dessa forma serem menos produtivas e mais pesadas aos sistemas de saúde. O stress é caríssimo aos sistemas de saúde.

Numa visão muito pessoal, a gestão da crise está a deixar que desejar. Há questões que podiam ser facilmente contornadas, colocando os olhos naquilo que outras nações já fizeram. A economia será sacrificada, já não há muita escolha, então salvemos as pessoas, para que depois elas façam o necessário por ela.

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